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Instrumental cirúrgico básico para profissionais e graduandos | Colunistas

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Bruna Marcella

7 minhá 43 dias

Introdução

As técnicas associadas à realização de um procedimento cirúrgico têm evoluído continuamente ao longo do tempo com o progresso das ciências médicas. No geral, os tempos fundamentais nas intervenções cirúrgicas são parecidos, iniciando com a descontinuidade ou retirada de tecidos orgânicos e terminando com a aproximação dos tecidos vivos de modo a facilitar o processo de cicatrização, sendo que os atos intermediários aos mesmos representam inúmeras possibilidades e variam de acordo com a intenção do procedimento. Desse modo, as operações ou intervenções cirúrgicas compreendem atos cirúrgicos simples, denominados operações fundamentais, que, em conjunto, permitem a realização de procedimentos em maior nível de complexidade.

As operações fundamentais consistem em: diérese ou divisão, hemostasia, ato cirúrgico e síntese.

Na diérese ou divisão, são realizadas manobras com o intuito de criar a descontinuidade tecidual, podendo ser:

  • Incisão: feita com instrumento de corte, gerando um ferimento inciso;
  • Punção: feita com um instrumento perfurante, como agulha ou trocater, normalmente utilizada para a drenagem de coleções líquidas, coleta de material para exames e estudos ou injeção de medicação, por exemplo;
  • Secção: feita com instrumentos cortantes, como tesoura, bisturi elétrico, lâmina afiada, laser ou serra;
  • Dilatação: procedimento para aumentar o diâmetro de canais ou orifícios naturais;
  • Dilatação: feita com a tesoura, tentacânula, afastadores etc., para separar os tecidos sem seccionar;
  • Serração: procedimento realizado com serra, comum em cirurgia ortopédica.

Os cabos de bisturi podem ser encontrados em dois tamanhos, sendo que o nº3 recebe lâminas menores (nº 10 a 15) e é destinado a atos cirúrgicos delicados, enquanto o nº4 recebe lâminas maiores (nº 20 a 25), para atos cirúrgicos gerais. As lâminas que serão utilizadas são determinadas pela aplicabilidade e formato. Normalmente o bisturi é empunhado como se segura um lápis, entrando em 90º e percorrendo a linha de incisão em um ângulo de 45º.

As tesouras são instrumentos de corte que podem ser curvas ou retas, fortes ou delicadas e variam de tamanho. Além disso, a lâmina da tesoura pode ser simples ou serrilhada e pontas rombas ou pontiagudas ou uma combinação das duas (romba-romba, romba-ponta e ponta-ponta).

No divulsionamento (diérese incruenta) dos tecidos, esses instrumentos de diérese separam os tecidos afastando as bordas ao ser introduzidas fechadas e para então forçar a abertura da ferida. A tesoura reta é mais utilizada pelo auxiliar para o corte de fios, as curvas são mais usadas pelo cirurgião no ato cirúrgico. A tesoura é empunhada pelas argolas nas falanges distais dos dedos anelar e polegar. A precisão do movimento é determinada pelo dedo indicador e o dedo médico estabiliza a mão. As tesouras de Mayo são muito utilizadas na rotina cirúrgica para tecidos mais grosseiros, em superfícies ou em cavidades e corte de fios e apresenta a porção cortante proximal à não cortante. Já a tesoura Metzenbaum é indicada para diérese de tecidos mais delicados, por serem menos traumáticas e apresentar a porção cortante mais curta que a não-cortante.

Tesouras de Mayo e Metzenbaum, da esquerda para a direita.
Fonte: http://www.ufrgs.br/blocodeensinofavet/ensino/tecnica-cirurgica/instrumental

A hemostasia compreende todas as manobras destinadas a impedir e estancar a hemorragia para manter o campo cirúrgico limpo, evitar a perda de sangue e, assim, manter a volemia, podendo ser temporária ou definitiva. As pinças de hemostasia não produzem danos à parede vascular, podendo ser classificadas como atraumáticas. A hemostasia do tipo temporária pode ser cruenta, quando ocorre no campo operatório, ou incruenta, quando acontece a distância do campo operatório e pode ser realizada por pinçamento, ação de fármacos, garroteamento, parada circulatória com hipotermia ou oclusão vascular. A hemostasia definitiva é sempre cruenta e interrompe definitivamente a circulação do vaso no qual é aplicada. Sua realização pode ser feita por meio de ligadura, sutura, cauterização, obturação e tamponamento. As pinças Kelly e Crile apresentam ranhaduras transversais na face interna das pontas, as quais podem ser retas ou curvas. As pinças de ponta curva são utilizadas para pinçamento de tecidos e vasos delicados, e as pinças retas, por sua vez, são usadas para pinçamento de materiais cirúrgicos como fios e drenos.

Pinça Crile e Kelly (da esquerda para a direita).
Fonte: http://www.ufrgs.br/blocodeensinofavet/ensino/tecnica-cirurgica/instrumental

Após o ato cirúrgico, é feita a síntese, na qual ocorre a aproximação dos tecidos seccionados ou ressecados com o intuito de favorecer a cicatrização. Para aproximar as bordas da ferida são utilizados instrumentos como agulha, porta-agulha, grampos metálicos, grampeadores automáticos, cola cirúrgica e fios de sutura. Quanto ao material utilizado, existem diversos tipos de fio; deve ser levado em consideração se a resistência à tração e tensão que exerce sob a ferida é adequada, se produz alguma reação tecidual, o custo do mesmo, que não seja de material carcinogênico nem provoque reação alérgica etc.

A função de arrumar a mesa com os instrumentos cirúrgicos costuma ser de responsabilidade do profissional técnico em instrumentação cirúrgica e costuma ser dividida em quadrantes, os quais, por sua vez, estão associados aos tempos cirúrgicos. As regras gerais para a arrumação da mesa determinam que a parte funcional de todo instrumento fica voltada para baixo, a concavidade das pinças fica voltada para baixo e o instrumental não montado fica com a parte funcional voltada para cima até que seja montado.

As pinças de campo têm a finalidade de fixar os campos, fenestrados ou não, à derme do paciente, impedindo que durante o ato cirúrgico a sua posição inicial seja alterada, sendo as mais comuns as pinças de Backhaus. Os afastadores podem ser de vários tipos, como o Farabeuf, Finochietto e Gosset. O Finochietto é usado na cavidade torácica, o Gosset é usado para manter exposta a cavidade abdominal e o Farabeuf é um afastador dinâmico que facilita o ato cirúrgico, geralmente utilizado na parede abdominal.

Pinças Backhaus, utilizadas para fixação dos panos de campo (esquerda); Afastadores de Farabeuf Organização ao redor da mesa (direita).
Fonte: http://www.ufrgs.br/blocodeensinofavet/ensino/tecnica-cirurgica/instrumental

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Referências Bibliográficas:

GOFFI, Fábio S. et al. Técnica cirúrgica: bases anatômicas, fisiopatológicas e técnicas de cirurgia. In: Técnica cirúrgica: bases anatômicas, fisiopatológicas e técnicas de cirurgia. 2007.

MARQUES, Ruy Garcia. Técnica operatória e cirurgia experimental. Grupo Gen-Guanabara Koogan, 2000.

Viana AT. Bases da técnica cirúrgica. [Apostila] 6ª ed. São Paulo: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; 2000.

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