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Interferon inalatório para tratamento da COVID-19

Interferon inalatório para tratamento da COVID-19

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Sanar Medicina

3 min há 438 dias

Pesquisa realizada utilizando interferon inalatório para tratamento de pacientes hospitalizados por COVID-19 mostrou resultados preliminares positivos. O estudo foi conduzido pela pequena empresa britânica Synairgen, que originou-se de pesquisas na Universidade de Southampton. O medicamento utilizado recebeu o nome de SNG001, e consiste em tratamento experimental. 

O interferon Beta inalatório SNG001

O medicamento utilizado é a forma inalada da proteína interferon beta (IFN-beta), produzida pelo corpo humano. Possui importante papel de ativação do sistema imune frente à infecções virais. A deficiência de produção pode acarretar dificuldades em vencer infecções virais. 

O medicamento começou a ser testado pela empresa em 2018, em estudo investigativo de fase II. Nessa época, o objetivo era avaliar se o medicamento seria capaz de exacerbações causadas por infecções virais em pacientes com DPOC. 

Interferon inalado na COVID-19

Uma das formas do SARS-CoV-2 evadir da resposta imunológica adequada e eficiente é por meio da supressão da produção de interferon. Evidências sugerem que deficiência de produção pulmonar de IFN-beta pode ser uma das razões pelas quais pacientes mais idosos e com comorbidades são mais susceptíveis a desenvolver doença grave. 

Nas análises laboratoriais, o IFN-beta havia mostrado proteção às células contra diversos tipos de infecções virais, incluindo o SARS-CoV-2. A partir daí, começou-se a pensar na droga como possível tratamento para a COVID-19.

Resultados preliminares do estudo com interferon inalado

O estudo, realizado com 101 pacientes, dividiu-os em grupo tratado com o IFN-beta inalado e placebo. Resultados preliminares mostraram que o SNG001 reduziu em 79% o risco de desenvolver COVID-19 na forma grave (necessidade de intubação ou óbito) durante o período de tratamento, que durou 16 dias, em comparação com o grupo placebo.

Dados também mostraram que pacientes no grupo tratado com IFN-beta tiveram mais que 2 vezes chances de recuperação (definidos como “nenhuma limitação de atividade” ou “nenhuma evidência clínica ou virológica de infecção”)

Já na avaliação da dispneia, o sintoma foi marcadamente reduzido no grupo tratado quando comparado com o grupo controle. 

No grupo tratado com placebo, 3 pacientes (6%) foram a óbito, enquanto no grupo de tratamento, nenhum óbito foi registrado. 

Conclusão

O estudo possui a limitação do tamanho amostral pequeno. Além disso, os resultados preliminares acima apresentados ainda não foram publicados em jornais científicos, por não terem passado pela etapa de revisão por pares. 

Portanto, o alerta comum permanece: devemos interpretar os resultados com cautela, mas podemos manter boa expectativa no aguardo de novos estudos utilizando Interferon inalado no tratamento da COVID-19.

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