Colunistas

Lesões dermatológicas | Colunistas

Lesões dermatológicas | Colunistas

Compartilhar

Lanna Carvalho

16 min há 93 dias

Acne: é uma dermatose muito frequente na prática clínica. Possui alta prevalência e comum remissão espontânea. O atraso no diagnóstico e tratamento da doença pode resultar em grande impacto na qualidade de vida do indivíduo, desencadeando ou agravando problemas emocionais, como depressão e transtornos de ansiedade, como na fase mais normal de seu surgimento a adolescência.

O início se dá muitas vezes no processo puberal e acomete ambos os sexos. Em geral as meninas podem desenvolver a acne 1 ano antes da menarca, sendo, portanto, mais precoce em relação aos meninos.

A acne é oriunda de vários fatores. A tríade clássica fundamental para as lesões são: hipersecreção sebácea, queratinização exacerbada do folículo e a existência de bactérias no folículo. A hipersecreção sebácea associada à obstrução da unidade pilossebáceos, devido à hipeeceratose intrafolicular, provoca o acúmulo de material sebáceo nos folículos, criando os chamados comedões, os conhecidos cravos. A bactéria Propionibacterium acnes, comumente presente nesses folículos, promove com o processo inflamatório subsequente à obstrução. Também podem ser desencadeantes os distúrbios emocionais por atuar no córtex cerebral sobre o sistema neuro-endócrino e, distúrbios hormonais. A influência alimentar na evolução da acne não é muito bem evidenciada.   

O quadro clínico é bem variado, caracterizado por comedões, pápulas, pústulas, nódulos e abscessos. Acomete mais a região facial, as costas e ombros juntamente ao excesso de oleosidade na pele.

Graus da acne

• Acne grau 1 (comedogênica): fase inicial, com presença de comedões, podendo ser fechados(cravos brancos) ou abertos(cravos pretos).

• Acne grau 2 (papulopustulosas): presença de comedões abertos, pápulas, com ou sem eritema e algumas pústulas. Este grau de acne é o mais variável, desde poucas lesões até numerosas, com inflamação intensa. A seborréia está sempre presente.

• Acne grau 3 (nódulo-cística) há comedões abertos, pápulas, pústulas e alguns nódulos furunculoides. Pode ocorrer a formação de pus

• Acne grau 4(conglobata): forma grave da acne no qual, além de pápulas e pústulas, associam-se nódulos purulentos, formam abscessos e fistulas que drenam pus

• Acne grau 5(fulminante): o quadro mais raro. Se dá, a partir de um quadro de acne grau 3 ou 4, surgindo febre, leucócitos, artralgia, necrose ou hemorragia de algumas lesões.

Investigação e diagnóstico diferencial

A acne vulgar é bem característica e de fácil diagnóstico. A acne, após a fase puberal, deve ser diferenciada das erupções acneiformes.

A rosácea pode apresentar pápulas foliculares semelhantes à acne, mas a faixa etária, o eritema e a localização centro-facial, permite, em geral, distinguir as duas condições.

Tratamento

Primeiramente para tratar e prevenir a acne é essencial fazer uma higiene adequada da pele com um sabonete ou produto de limpeza indicado especialmente para pele oleosa. Sabonetes a base de enxofre ou ácido salicílico podem ajudar no controle. A extração manual de comedões abertos não é necessária, com risco de infecção pelo manuseio das lesões.

Em formas leves de acne, o tratamento pode ser só local, podendo ser individualizados ou combinados. Alguns deles são o: ácido acetilsalicílico, peróxido de benzoila, retinoides, antibióticos e associação de retinoides com antibióticos.

Na acne do tipo comedogênica, o tratamento tópico é o mais indicado. Entre os quais o peróxido de benzoila, com ação comedolitica, antibacteriana e bactericida, em especial contra o P.acnes

A Rosácea é uma doença crônica inflamatória de etiologia desconhecida, caracterizada pelo surgimento de eritema, telangiectasia, pápulas e pústulas, nas áreas centrais da face. Apesar de não comprometer o estado geral de saúde dos doentes, representa um problema estético importante, interferindo na socialização e qualidade de vida das pessoas acometidas.

Psoríase

Doença sistêmica inflamatória, não contagiosa, de curso crônico e até o momento, incurável. Se desenvolve com manifestações predominantemente cutâneas, ungueais e eventualmente articulares. Pode ser uma doença incapacitante, tanto pelas lesões cutâneas, sobretudo, no que se refere à autoestima, quanto pelo acometimento articular, no que se configura a artrite psoriasica.

Atinge ambos os sexos e em qualquer faixa etária. Pode ser localizada ou generalizada, as lesões são eritemato-escamosas, bem delimitadas, especialmente em regiões de membros(joelhos e cotovelos), couro cabeludo e sacro. As escamas são branco prateadas, secas e aderidas. Quando estas as escamas esbranquiçadas caem pela raspagem superficial, surge o sinal da vela e quando pela continuidade da raspagem, posterior a retirada das escamas, surge uma superfície vermelho brilhante com pontos hemorrágicos, se dá o sinal de Auspitz, ou do orvalho sangrento, é positivo.

Os fatores desencadeadores da psoríase não são muito bem evidenciados. É predominantemente uma doença autoimune, apesar de fatores genéticos estarem relacionados com este.  

Uma vez instalada, novas lesões geralmente são desencadeadas em locais submetidos à traumas cutâneos, agressões por agentes químicos ou outros fatores que possam gerar manifestações inflamatórias. Alguns medicamentos também estão relacionados ao agravamento do quadro como os corticóides sistêmicos, lítio, drogas antimaláricas e betabloqueadores.

As formas clínicas da psoríase têm características peculiares, mas podem ser sobrepostas e estar ou não associadas aos quadros articulares.

 Psoríase Vulgar(em placas): mais comum, se exibe com placas eritemato escamosas bem delimitadas, de tamanhos variados, geralmente afetando de modo simétrico as regiões extensoras de joelhos e cotovelos, couro cabeludo e região sacral. O número de lesões é igualmente variável, podendo oscilar entre poucas a centenas, em qualquer outra área da pele. O comprometimento das unhas é comum, sendo as estrias e as depressões ungueais as mais usuais.

Psoríase Gutata(em gotas) acomete os paciente mais jovens. Menos comum que a psoríase vulgar. Manifesta-se pelo surgimento súbito de pequenas pápulas eritemato descamativas de até 1cm de diâmetro, normalmente localizadas no tronco. Geralmente é precedida por uma infecção estreptocócica, comum de vias aéreas superiores. Pode ocorrer resolução espontânea após 2 a 3 meses, mas podem também persistir e aumentar de tamanho e tornar as características da psoríase em placas.  

Psoríase Eritrodermica

Pode se dar na evolução da doença. Caracterizado por eritema intenso, de caráter universal, acompanhado de descamação discreta. Como a barreira protetora da pele está comprometida, é comum a ocorrência de bacteremia e septicemia. É desencadeada por terapêutica agressiva, como a administração com subsequente interrupção de corticóides sistêmicos, além de ser interpretada como uma exacerbação da enfermidade em casos de imunossupressão.

Psoríase Pustulosa: o quadro clínico se dá por lesões eritemato escamosas e pustulosas na sua forma generalizada. Sua origem em pacientes com psoríase vulgar se associa à cessação de tratamento com corticóides sistêmicos além de hipocalcemia, contato com irritantes e infecções locais. Pode ocorrer queda do estado geral, com presença de febre e leucocitose.

Artrite psoriatica ou psoríase artropatica: é uma artrite inflamatória crônica, acomete mais aqueles com lesões cutâneas disseminadas. Geralmente é mono ou oligoarticular, assimétrica e afeta mais as articulações interfalangianas

Tratamento

Geralmente pela doença na maioria das vezes ter certas limitações, o tratamento tópico costuma ser muito eficiente. Devendo ser administrado diretamente sobre as lesões cutâneas, indicada em todos os casos de psoríase. Os medicamentos tópicos mais usuais são os corticóides de média e alta potência, análogos da vitamina D e alcatrão. Os corticóides mais usados são o Clobetasol em creme ou solução capilar, sendo este de alta potência resulta no clareamento das lesões e no controle do prurido. Além deste, têm se a dexametasona, corticóide tópico de potência média, com boa indicação para regiões como face, áreas flexurais e genitais, mais sensíveis ao manuseio de corticóides de alta potência pelo risco de atrofia cutânea e telangiectasias.

Em quadros de pacientes com psoríase moderada a grave, além do tratamento tópico, devem-se acrescentar a terapia sistêmica, entre as quais estão os imunossupressores e imunobiológicos.

Alopecia

Trata-se de um quadro clínico caracterizado pela queda de cabelos, a qual acomete homens e mulheres e provoca impactos distintos na aparência e auto estima.

Tipos de alopecia:

•Alopecia Androgenetica: geralmente se dá na porção central do couro cabeludo com possível progressão para a região pronto temporal. Com evolução gradual e progressiva. Caracteriza-se por afinamento dos fios com áreas de rarefação. Mais ocorrentes na puberdade ou em pacientes mais velhos. Geralmente a história familiar é relacionada à história clínica.

Muito observada em homens e principalmente a partir dos 50 anos e algumas mulheres com 60 anos. É resultado da sensibilidade geneticamente determinada do tecido capilar aos androgênios. Como o sexo masculino possuem mais androgênios que as mulheres, eles costumam ser atingidos precoce e severamente .

Características marcantes são a perda frontal com recuos laterais e calvície em vértice, que em alguns casos pode evoluir para a calvície total da coroa. Quando o início é precoce, geralmente atinge quase todo o couro cabeludo. Não há associação com doenças sistêmicas.  

• Eflúvio Telogeno: A distribuição da queda costuma ser generalizada, em fase telogena, a partir de folículos normais em repouso. A evolução é abrupta e possui um fator desencadeante, como restrições alimentares, pós parto, contraceptivos orais, doenças sistêmicas . O cabelo se mostra afinado e não têm áreas de rarefação. Acomete qualquer faixa etária, embora seja raro na infância. Estresse ou doenças prévias acompanham a história clínica.

• Alopecia Aerata: A distribuição é localizada, mas podem existir áreas confluentes e evoluir para alopecia total. De evolução abrupta. O cabelo se mostra com áreas de “pelada”, geralmente com fios em ponto de exclamação. Acomete qualquer faixa etária. Geralmente história familiar ou doenças autoimunes fazem parte do quadro.

• Tinea Capitis: Acomete qualquer área do couro cabeludo. Possui evolução gradual e abrupta. O cabelo se mostra inflamado e pode existir a presença de placas. Acomete qualquer faixa etária, sendo mais comum na infância. O contato com animais infectados

Doença das unhas

Onicomicose: é uma doença da unha oriunda da ação fúngica, em que estes se nutrem de queratina, o substrato constituinte do estrato da unha. Têm como alvo preferencial, os pés em prol do ambiente úmido, escuro e aquecido, encontrado dentro dos calçados, favorece o crescimento fúngico. Além destes, o lento crescimento das unhas dos pés é um obstáculo para o tratamento e melhora do aspecto do leito ungueal.

Tipos de onicomicose:

• Onicomicose Subungueal: o fungo geralmente invade a pele mais dura da pele abaixo da borda livre da unha e progride lentamente até afetar o lado de baixo da lâmina ungueal.

• Onicomicose Branca Superficial: muito frequente nas unhas dos pés. O fungo invade a superfície da lâmina ungueal e produz ilhas brancas.

• Onicodistrofia: A lâmina ungueal encontra-se espessada e distrófica.

• Onicolise: consiste no deslocamento da borda livre da unha. Têm início na ponta da unha e progride em direção a matriz ungueal.

Ressaltando-se que não é uma condição exclusiva das unhas, a qual a imersão prolongada das unhas na água, manipulação e traumas excessivos do leito ungueal são algumas causas.  

Dermatite

Dermatite atópica, ou eczema atópico: é uma doença inflamatória da pele, pruriginosa e recorrente, que ocorre predominantemente na infância e é frequentemente relacionada a manifestações atópicas como asma, rinite e urticária. De curso crônico, com períodos de crise e acalmia. A sintomatologia característica é a xerodermia(pele seca) e limiar diminuído para prurido. O eczema ocorre de modo cíclico durante a infância, podendo prolongar -se até a fase adulta. Em alguns pacientes, o prurido é constante e incontrolável, sendo um dos fatores responsáveis pela diminuição da qualidade de vida dos pacientes

A dermatite atópica é resultado de uma complexa interação da genética e do ambiente. A qual disfunções na barreira protetora da pele, a tornam mais suscetível a irritação. A idade de início costuma ser entre os 2 e 6 meses. A distribuição das lesões varia de acordo com a faixa etária do acometido. Nos 18 meses iniciais, as regiões mais afetadas são a face e a superfície de extensão dos mmi e mms podendo ser até generalizada. Após os 18 meses e antes da fase adulta, as lesões localiza-se nas dobras cubistas, poplíteas, lateral do pescoço, punhos e tornozelos. As lesões são eritematosas, descamativas e liquenificadas

O diagnóstico se dá pela confirmação de prurido nos últimos 12 meses associado à dois ou mais critérios a seguir: pele ressecada nos últimos 12 meses; história pessoal de rinite ou asma, lesão ou dermatite em regiões flexurais

A dermatite seborréica é uma doença eritemato-descamativa de caráter crônico-redicivante. Possui dois picos de incidência: o primeiro, durante os 3 primeiros meses de vida, é o 2, a partir da puberdade, atingindo seu ápice entre os 40 e 60 anos de idade. Os indivíduos HIV positivos têm maior prevalência da doença, que apresenta maior intensidade e tendência à refratariedade ao tratamento.

Este acometimento se dá em razão de as glândulas sebáceas serem um ambiente favorável para o fungo do gênero Malassezia quê é um saprofita da pele normal e se dissemina em locais de predileção para dermatite seborréica. O fungo Malassezia presente na pele de indivíduos suscetíveis, leve a uma irritação não-imunogênica a partir da produção de metabólitos à base de ácidos graxos instaurados deixados na superfície cutânea.

A gravidade do quadro pode variar de mínima, com descamação assintomática da pele(caspa) até um envolvimento disseminado. Os acometidos no geral são hígidos, apesar da dermatite seborréica estar associada à infecção pelo HIV, a doença de Parkinson, além de outras doenças neurológicas e uso de medicamentos neurolépticos.

As manifestações clínicas desta tendem a surgir após a puberdade ou mais tardiamente na vida adulta e durar muito tempo. A doença tende a piorar sob estresse e durante o tempo frio e seco.

A clínica da doença é caracterizada, em geral, por placas eritematosas, bem delimitadas, com aspecto descamativo e pode assumir colorações rosa, amarela clara ou eritematosa. As lesões têm predileção pelas áreas de elevada produção sebácea. A presença de prurido é variável.

O diagnóstico é clínico é definido com base na aparência e localização das lesões. A biópsia deve ser utilizada nos raros casos de dúvida diagnóstica.

As orientações com relação aos cuidados com a dermatite seborréica visam amenizar as sintomatologias clássicas, como o eritema e prurido e conter a inflamação, a proliferação do micro-organismo e da oleosidade. Algumas indicações incluem como lavagens mais regulares da pele e do couro cabeludo, interrupção do uso de sprays e outros produtos nos tegumentos e a descontinuação do uso de acessórios como bonés e chapéus.

Antifúngicos tópicos como cetoconazol  atuam reduzindo a inflamação e a quantidade de Malassezia furfur na pele. Corticosteroides tópicos também são amplamente usados por amenizarem a inflamação, prurido e eritema e em alguns casos de efeitos adversos podem ser substituídos por inibidores da calcineurina tópicos como tacrolimus e pimecrolimus devido à sua ação anti-inflamatória e menos reatividade. Os medicamentos administrados via oral as quais os principais são o cetoconazol, o itraconazol e o terbinafina.

A dermatite de contato é uma doença inflamatória e localizada na pele, resultante do contato com agentes físicos ou químicos. Este acometimento ocorre por causas multifatoriais e é consequência da interação dos meios irritativos, da suscetibilidade do organismo e do meio externo não estando diretamente relacionada ao sistema imune para seu desenvolvimento. É muito frequente nas mãos é é uma das principais doenças ocupacionais, principalmente naqueles trabalhos quê envolvem umidade tais como cozinheiros, profissionais de (saúde, indústrias e limpeza).

Algumas das etiologias da dermatite de contato são cisão da barreira epidérmica, dano às membranas celulares, efeitos citotóxicos e liberação de citocinas pelos queratinócitos, além da hipersensibilidade do tipo 2, a genética e a interação ambiental. As manifestações clínicas variam de acordo com a pele e podem ser agudas, quando o tecido cutâneo é exposto a um agente químico cáustico exibindo complicações como eritema, edema, vesículas, bolhas e descamação sendo a reação delimitada ao local com presença de ardência, parestesia ou dor. E quando se enquadram como crônicas estas são resultantes da exposição continua a irritantes de baixa e grandes concentrações e se caracteriza por hiperceratose e fissuras. As regiões mais  afetadas são o dorso das mãos, a ponta dos dedos e os espaços interdigitais.

Pitiríase

É uma dermatose eritemato-papulo descamativa, de causa ainda não conhecida e autolimitada. Atinge o grupo jovem e não é considerada contagiosa. Está possui como característica de se apresentar só uma vez na vida. O padrão da pitiriase rósea é típico; geralmente aparece como uma placa ovalada sendo esta maior do que as lesões subsequentes, que começam a surgir em grande número após uma ou duas semanas. A dispersão ocorre a partir do tronco, seguindo as linhas de clivagem da pele. A erupção preserva a face, palmas e plantas e não produz sintomatologia expressiva. Dura algumas semanas e regride sem deixar sequelas. O prurido, quando presente, é discreto. Pode ser mais intenso quando a dermatose é irritada por medicações agressivas como
antifúngicos ou antiparasitários.  

Autor (a): Lanna do Carmo Carvalho

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

Gostou do artigo? Quer ter o seu artigo no Sanarmed também? Clique no botão abaixo e participe

Referências:

https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/psoriase/18/

https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://www.unasus.gov.br/cursos/curso/46426&ved=2ahUKEwiLh_zrxOXxAhU8IbkGHVr0BEAQFjAAegQIDRAC&usg=AOvVaw0WZYSK5NjFuwJQvrErjqaR

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade © Copyright, Todos os direitos reservados.