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Lesões por esforços repetitivos (LER) | Colunistas

Lesões por esforços repetitivos (LER) | Colunistas

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Com o aparecimento da pandemia de covid 19, nós fomos forçados a aumentar a exposição a telas e consequentemente a trabalhos que demandam de esforços repetitivos. Isso exacerbou, os casos crescentes de LER em um mundo cada vez mais globalizado. Nesse cenário, você provavelmente conheceu alguém que foi afetado por esse problema.  

Definição:

LER (Lesão por Esforço Repetitivo) é uma síndrome que inclui as afecções musculoesqueléticas relacionadas com o trabalho e representam o principal grupo de agravos à saúde, entre as doenças ocupacionais do nosso país.

O termo DORT (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho), surgiu para substituir a sigla LER, já que a lesão pode ser decorrente não só de repetições (sobrecarga mecânica/dinâmica), mas de períodos prolongados em uma mesma posição (sobrecarga estática), excesso de força empregada na execução de tarefas e posturas inadequadas. Ainda pode ser chamado de LTC (Lesão por Trauma Cumulativo), AMERT (Afecções Musculares Relacionadas ao Trabalho) ou síndrome dos movimentos repetitivos.

É uma síndrome constituída por um grupo de doenças: tendinite, tenossinovite, bursite, epicondilite, síndrome do túnel do carpo, dedo em gatilho, síndrome do desfiladeiro torácico, síndrome do pronador redondo, mialgias –, que afeta músculos, nervos e tendões dos membros superiores principalmente, e sobrecarrega o sistema musculoesquelético.

Epidemiologia:

No Brasil, a faixa etária mais acometida é a 5ª década de vida, principalmente do sexo feminino. geralmente se relaciona a ocupações como as pessoas que trabalham com computadores, em linhas de montagem e de produção ou operam máquinas fixas, assim como digitadores, músicos, atletas, jogadores de vídeo game, pessoas que fazem trabalhos artesanais, por exemplo tricô e crochê.

Histórico:

Entre as mudanças ocorridas com o trabalho no atual ciclo de desenvolvimento do mundo pós moderno, está a redução do uso da força muscular bruta. Atualmente, o esforço físico exigido pela automação é de outra natureza, ainda que continue comprometendo, de muitas maneiras, as várias estruturas musculoesqueléticas. 

É na maioria das vezes um esforço leve, por isso, capaz de ser repetido em alta velocidade pelas mãos e dedos, ao mesmo tempo que cobra uma postura e sobrecarga estáticas dos segmentos restantes. A presença desses componentes que integram a materialidade do processo de trabalho atual e a ocorrência concomitante e crescente de LER, fizeram-nas reconhecidas, em todo o mundo, como doenças associadas ao trabalho, numa relação de causa e efeito. 

Quadro clínico:

Os sintomas da lesão por esforço repetitivo dependem de qual doença, bem como, da atividade realizada de modo contínuo e repetido. E aparecem quando o paciente já apresenta um grau avançado da lesão.

Em geral, o quadro clínico é composto por dor, que varia de intensidade a depender do grau da doença, podendo ser incapacitante. Essa dor é caracterizada como pulsante ou latejante. Além disso, pode ser acompanhada de parestesia, dificuldade de movimentação, redução da amplitude do movimento, inflamação local, alteração da temperatura, sensibilidade, fraqueza e desgaste muscular. Geralmente os sintomas aparecem no final do dia.

Lembrando que, apesar dos sintomas se localizarem mais comumente nos membros superiores, na maioria das vezes, eles se relacionam com uma atividade inadequada de todo o corpo.

Diagnóstico:

O diagnóstico dessa síndrome é clínico, avaliando o paciente holisticamente, para isso será necessária uma avaliação multidisciplinar. É importante identificar a origem do problema para que o tratamento seja conduzido da melhor maneira.

Tratamento:

A doença é multifatorial, não há um tratamento específico. Em momentos de crise aguda da dor é indicado o uso de anti-inflamatório e repouso das estruturas músculo esqueléticas acometidas.

Com o tempo e avanço da doença, podemos ter aplicação de corticoide na área da lesão ou por via oral. Além disso, é possível considerar a fisioterapia e a intervenção cirúrgica de acordo com o caso.

Prevenção:

O primeiro passo para se prevenir é ter consciência corporal, observando quando há a realização de movimentos repetitivos. É importante respeitar os limites o corpo, idealmente o indivíduo deve fazer pausas e se alongar ao longo do dia.

Vale ressaltar que o trabalhador deve estar atento se o local de trabalho segue alguma norma que visa prevenir esse tipo de problema dentro da empresa. Isso se estende da escolha dos móveis até equipamentos de proteção aos funcionários. Modificações no ambiente é uma medida importante.

A LER não é uma doença exclusivamente laboral, pessoas que usam computador para o lazer por muitas horas também estão sujeitas a desenvolver. Lembrando que, qualquer região do corpo pode ser afetada desde que seja exposta a mecanismos de traumas contínuos. Portanto, a síndrome pode se manifestar em locais como a coluna lombar ou no tendão de Aquiles.

Há uma indicação de manter as costas eretas e apoiadas, cuidando para que os punhos não estejam dobrados. Vale lembrar que é fundamental procurar ajuda médica assim que surgirem os primeiros sintomas.

Considerações finais:

A ergonomia é a ciência que estuda a melhor forma de atingir e preservar o equilíbrio entre o homem, a máquina, as condições de trabalho e o ambiente com o objetivo de assegurar eficiência e bem-estar do trabalhador. Nos últimos anos o desenvolvimento do conhecimento da ergonomia tem se mostrado um fio condutor para o futuro do tratamento e prevenção da LER.

Referências: 

  • Lesões por esforços repetitivos (LER/DORT). Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/lesao-por-esforco-repetitivo-ler-dort/.
  • LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS (LER) DISTÚRBIOS OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS AO TRABALHO (DORT), Ministério da Saúde. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/ler_dort.pdf.
  • Ribeiro, Herval PinaLesões por Esforços Repetitivos (LER): uma doença emblemática. Cadernos de Saúde Pública [online]. 1997, v. 13, suppl 2 [Acessado 2 Março 2022], pp. S85-S93. Disponível em: . Epub 30 Ago 2006. ISSN 1678-4464. https://doi.org/10.1590/S0102-311X1997000600008.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.