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Taxa de letalidade da COVID-19 pode ser muito menor do que a calculada no início da pandemia

Taxa de letalidade da COVID-19 pode ser muito menor do que a calculada no início da pandemia

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Sanar Medicina

6 minhá 28 dias

A taxa de letalidade da COVID-19 é uma das medidas mais importantes na pandemia pelo novo coronavírus. Ela expressa a probabilidade de um indivíduo, infectado pelo SARS-CoV-2, vir à óbito pela doença.

A importância da taxa de letalidade de infecção (IFR do inglês) pode ser vista quando olhamos para as diversas de intervenções na saúde pública que são executadas com base nela.

Por exemplo, se temos uma alta taxa de letalidade, é justificável medidas mais restritivas e rigorosas, mesmo que estas possam causar danos colaterais.

Já quando a taxa de letalidade é baixa, estas mesmas medidas podem estar abaixo do limite aceitável, considerando o risco e o benefício das mesmas.

Tendo dito isto, nosso objetivo neste post é trazer um dado muito importante, discutido pelo médico e professor da Universidade de Stanford, o Dr. John P A Ioannidis.

Os resultados do seu estudo trazem estimativas da taxa de letalidade de infecção da COVID-19 a partir de dados de soroprevalência, e foram publicados em boletim da OMS.

Antes de começar, uma explicação sobre as diferentes taxas de letalidade

Antes de prosseguirmos com o post, é importante esclarecer aqui dois conceitos diferentes.

Primeiro, a taxa de letalidade de infecção (IFR do inglês) calcula a quantidade de mortes entre os indivíduos infectados, incluindo os casos assintomáticos e indivíduos não diagnosticados.

Já a taxa de letalidade de casos clínicos (CFR do inglês) leva em conta o número de mortes apenas entre os indivíduos considerados casos confirmados.

Logo no início da pandemia, dados da China sugeriam que indivíduos assintomáticos eram raros, e que a CFR era de 3,4%. Se este fosse o caso, a IFR se aproximaria muito da CFR.

Porém, conforme os dados epidemiológicos foram surgindo, foi visto que não era este o caso, já que havia grande quantidade de indivíduos infectados assintomáticos.  

Desde Março de 2020, muitos estudos têm buscado estimar o espalhamento do vírus por meio de estudos de soroprevalência. O estudo do Dr. John P A Ioannidis buscou, portanto, reunir os dados destes estudos para calcular a IFR.

Taxa de letalidade por COVID-19 calculada a partir do estudo

O estudo foi baseado em pesquisas de soroprevalência de COVID-19 com amostras superiores a 500 indivíduos, publicados no PubMed e outros servidores de artigos no formato preprint.

A taxa de letalidade de infecção foi calculada dividindo-se o número de mortes por COVID-19 pelo número estimado de pessoas infectadas, em cada estudo.

Um total de 61 estudos foram incluídos. As estimativas de soroprevalência variaram de 0,02% a 53,4%. A taxa de letalidade de infecção variou de 0,00% a 1,54%. Esta taxa foi menor ainda quando apenas indivíduos menores que 70 anos de idade foram considerados, variando de 0,00% a 0,31%.

Discussão: fatores que influenciaram mortes por COVID-19

A primeira coisa pontuada no estudo é que a IFR pode variar muito a depender da localização, população e outros fatores locais. A IFR pode se mostrar muito discrepante quando considerada dentro da realidade de um determinado país ou região.

O que pode influenciar, portanto, as diferenças encontradas em locais como Wuhan, Itália e Nova Iorque, que parecem contradizer a afirmativa da menor IFR? Bem, o Dr. John P A Ioannidis pontua algumas hipóteses em seu estudo.

Na China, por exemplo, a infecção nosocomial generalizada, associada à falta de familiaridade em lidar com o vírus, isto por ter sido o primeiro local a enfrentá-lo, poderia explicar sua maior taxa de letalidade.

Já em Nova Iorque e na Itália, as muitas mortes nas casas de repouso, a infecção nosocomial e a sobrecarga do sistema de saúde entram como fatores decisivos.

Além disso, decisões não muito acertadas, como mandar um paciente com COVID-19 para casa de repouso, ou ainda, decisões terapêuticas errôneas, como ventilação mecânica desnecessária, podem também ter contribuído para piores desfechos.

Há ainda a especulação de uma cepa mais agressiva do vírus.

Conclusão sobre a taxa de letalidade da COVID-19

Os dados apontados pelo estudo mostram que a taxa de letalidade de infecção inferida tende a ser muito menor que aquela estimada logo no início da pandemia, e esta é a principal conclusão retirada do estudo.

No início da pandemia, pouco se sabia sobre o vírus e sua gravidade. Portanto, era justificável e até recomendado medidas agressivas, já que o pior cenário tinha que ser conjecturado.

Agora, com estimativas mais acertadas, caberá aos órgãos e instituições de saúde tomarem decisões mais coerentes, levando em conta uma IFR mais baixa.

Mas, levando-se em conta que a letalidade pode variar substancialmente em diferentes regiões, refletindo diferenças populacionais e outros fatores locais.

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