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Manual de Cardiologia para Graduação

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Índice
10.1

ESTENOSE AÓRTICA

A valva aórtica é composta por três folhetos, responsáveis por permitir a passagem do fluxo sanguíneo do ventrículo esquerdo (VE) para aorta. A estenose aórtica (EAo) é caracterizada pela diminuição da área valvar, comprometendo a quantidade de fluxo ejetado. É a doença valvar cardíaca mais recorrente e que está diretamente relacionada com o aumento da idade, principalmente na atualidade, com o envelhecimento da população.

ETIOLOGIA DA ESTENOSE AÓRTICA

ser decorrente de causas congênitas ou adquiridas. As congênitas são raras e compreendem, de forma geral, a formação de uma válvula bicúspide ao invés de tricúspide, ou quando presente desde a vida intrauterina. As adquiridas são decorrentes da degeneração senil, em que há calcificação dos folhetos por processo aterosclerótico, tornando a válvula endurecida e com redução da sua área. Outra causa adquirida é em decorrência da febre reumática, onde também ocorre calcificação dos folhetos.

FISIOPATOLOGIA DA ESTENOSE AÓRTICA

Devido à estenose valvar, ocorre aumento da pressão no VE para vencer essa barreira, aumento do consumo de oxigênio miocárdico, pois o coração terá que se contrair mais rigorosamente para ejetar o volume de sangue, e por fim, hipertrofia ventricular esquerda (HVE) e disfunção ventricular esquerda. Há, também, o aumento do tempo de ejeção, o que favorece a isquemia miocárdica devido ao menor tempo de diástole, que é quando ocorre o suprimento ao músculo cardíaco.

FATORES DE RISCO DA ESTENOSE AÓRTICA

Os principais fatores de risco para EAo são o teste de esforço positivo com hipotensão ou outros sintomas evidentes, calcificação valvar aórtica moderada a intensa, área valvar aórtica menor ou igual a 0,7cm², diminuição da área valvar maior que 0,1cm²/ano, hipertrofia ventricular excessiva e doença coronariana associada.

SINAIS E SINTOMAS DA ESTENOSE AÓRTICA

O paciente é assintomático por um longo período, vindo a manifestar sintomas por volta da 5ª, 6ª década de vida. As manifestações características são: angina, síncope e a IC. A angina ocorre devido à alta demanda de O2 no músculo cardíaco em decorrência da HVE. Já a síncope, ocorre pela diminuição da perfusão cerebral durante esforços. No entanto, a síncope de repouso pode ocorrer devido à fibrilação ventricular transitória e bloqueio atrioventricular transitório, devido à calcificação do nó sinusal. A IC aparece em fases avançadas, em decorrência da fibrose e da perda da força de contração do coração, que se inicia na fase diastólica e depois atinge a sistólica com queda da fração de ejeção (FE).

EXAMES COMPLEMENTARES PARA DIAGNOSTICAR A ESTENOSE AÓRTICA

O pulso arterial é tardio e fraco (tardus e pavus) e o Ictus Cordis é propulsivo. Nos estágios avançados, ocorre diminuição da pressão sistólica e de pulso.

EXAME FÍSICO PARA DIAGNOSTICAR A ESTENOSE AÓRTICA

Ecocardiograma É o exame mais indicado para o diagnóstico, evidenciando espessamento e calcificação, redução da abertura e mobilidade, aumento do gradiente valvar e HVE. Ele define a origem e classifica a gravidade para que se indique a intervenção cirúrgica.

TRATAMENTO CIRÚRGICO

O tratamento definitivo é a troca valvar aórtica. O sucesso do tratamento depende muito da função ventricular esquerda, que, quanto mais preservada, melhor resultado terá. Importante lembrar que é indicada a cirurgia logo ao surgirem os sintomas. O procedimento está associado à morbidade significativa, e entre suas complicações, encontram-se disfunção de prótese, vazamento paravalvular (“leak”), formação de trombos, embolização, endocardite infecciosa e problemas de anticoagulação.

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