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Manual de Clínica Médica

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7.1

ARTRITE REUMATOIDE

Artrite reumatoide (AR) é uma doença sistêmica, autoimune e inflamatória que acomete preferencialmente as membranas sinoviais das articulações periféricas. Se não for controlada ou não responder à terapia, leva à proliferação e destruição das articulações devido à erosão das cartilagens e do osso, causando deformidades irreversíveis e limitações funcionais. Caso haja acometimento de outros órgãos, aumenta-se a gravidade da doença e a expectativa de vida do doente pode ser diminuída de cinco a dez anos.

ETIOLOGIA ARTRITE REUMATOIDE

A etiologia da doença é desconhecida, porém muitos estudos avançaram considerando como principal fator genético no desenvolvimento da doença o antígeno leucocitário humano HLA-DRB1 e a detecção de anticorpos contra peptídeos citrulinados cíclicos (anti-CCP). A patogênese da doença é complexa e multifatorial, com participação de fatores ambientais, genéticos e hormonais.

FISIOPATOLOGIA DA ARTRITE REUMATOIDE

As manifestações clínicas da AR decorrem da autorreação de células TCD4 e linfócitos B que ocasionam a infiltração celular e a destruição que levam à remodelação óssea. Existe uma perda da autotolerância e consequentemente autoimunidade traduzidas por ativação linfocitária e produção de autoanticorpos, acarretando um desequilíbrio entre citocinas pró e anti-inflamatórias e recrutamento articular de macrófagos, neutrófilos, células natural killer, T e B, além de ativação de osteoclastos, fibroblastos e condrócitos. Por fim, gera inflamação sinovial crônica, cujos mediadores são fator de necrose tumoral (TNF-α), IL1, IL17, prostaglandinas e metaloproteinases

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS ARTRITE REUMATOIDE

A AR é bastante variável quanto à apresentação clínica, à gravidade e ao prognóstico. Mais tipicamente apresenta-se como doença poliarticular simétrica de pequenas e grandes articulações com início gradual, caráter crônico e destrutivo. No entanto, alguns pacientes podem apresentar início agudo com comprometimento articular intermitente ou migratório ou com doença monoarticular. Os sintomas iniciais podem comprometer as atividades diárias do paciente

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS ARTICULARES E PERIARTICULARES

AR clássica; Reumatismo palindrômico; Monoartrite;

MANIFESTAÇÕES EXTRA ARTICULARES

Ocorrem em cerca de 40% dos pacientes em algum momento da evolução da doença. Os fatores de risco para o desenvolvimento de manifestações extra-articular são: presença de FR ou anti-CCP positivo e gene HLA-DRB1, tabagismo e incapacidade precoce. O envolvimento extra-articular na AR é um marcador de gravidade da doença e está associado ao aumento da morbidade global e da mortalidade precoce.

DIAGNÓSTICO DE ARTRITE REUMATOIDE

O diagnóstico da AR é feito por meio da associação de manifestações clínicas e os exames complementares (laboratoriais ou radiográficos).

EXAMES LABORATORIAIS PARA DIAGNÓSTICO DE ARTRITE REUMATOIDE

As provas de atividades inflamatórias como velocidade de hemossedimentação (VHS) e a proteína C reativa (PCR), são os marcadores mais utilizados para avaliar o grau de atividade da AR, embora sejam desprovidas de especificidade.

TRATAMENTO DE ARTRITE REUMATOIDE

O tratamento da AR inclui: educação do paciente e de sua família, fisioterapia, apoio psicossocial, terapia ocupacional, terapia medicamentosa e abordagens cirúrgicas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE ARTRITE REUMATOIDE

Quando o paciente entra em remissão sustentada, por mais de 6-12 meses (baseando-se nos índices compostos de atividade de doença), pode-se tentar a retirada gradual das medicações inciando pelos AINE, seguido de glicocorticoides, depois DMCD biológico, mantendo o uso de DMCD sintético. Se houver piora da atividade da doença, deve-se reiniciar o esquema terapêutico anterior e seguir as recomendações de dose inicial e de ajuste de doses e troca de medicamentos indicadas no Protocolo.

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