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Lúpus: aspectos clínicos e diagnósticos | Colunistas

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Lúpus eritematoso sistêmico tem uma predileção por mulheres em idade reprodutiva que geralmente é marcada por recidivas e remissões. Dentre os sintomas: Erupção fotossensível, poliartrite, serosite e fadiga são comuns durante a acentuação da doença que também pode ser acompanhada por hipocomplementenemia. Além disso, as causas mais importantes de morbidade são a doença renal e o acometimento do SNC. Para seu diagnóstico existem fatores específicos porém pouco sensíveis como os autoanticorpos anti-dsDNA e anti-Sm.

Achados Clínicos e Diagnósticos

Sinais e Sintomas:

Constitucionais: febre (baixa quando há serosite), fadiga e alterações do peso.

Mucocutâneas: 80-90% dos pacientes manifestam.

QUADRO 1. Critérios de classificação do LES revisados em 1982 e atualizados em 1997 pelo American College of Rheumatology.

Manifestação da LES nos órgãos:

  • Cavidade oral: eritema, petéquias ou úlceras
  • Pele: erupção malar, LESC, lúpus discóide, lesões bolhosas, paniculite, púrpura palpável, eritema periungueal, livedo reticular, Raynaud e lúpus pernio.
  • Linfonodo: linfadenopatia cervical e axilar
  • articulações: poliartrite inflamatória simétrica, geralmente não erosiva, artropatia verossímil a de jaccoud mas reversível.
  • Coração: pericardite, miocardite, endocardite de libman sacks, anomalias condutivas, aterosclerose prematura.
  • pulmões: pleurite, pneumonite, hemorragia alveolar difusa, hipertensão pulmonar
  • TGI: peritonite, hepatite, pancreatite, vasculite mesentérica, pseudo obstrução intestinal
  • Rins: glomerulonefrite, nefrite intersticial, nefropatia causada pelo anticorpo antifosfolipídio. 
  • Sangue: leucopenia, anemia, trombocitopenia, trombose arterial/venosa
  • Neuropsiquiátricas: convulsões, cefaléia, mielopatia, neuropatia periférica.
QUADRO 2. Classificação das síndromes neuropsiquiátricas do LES de acordo com o American College of Rheumatology

Achados Laboratoriais

  • Hematológicos: anemia  de  doença  crônica  (causa mais  comum),  anemia  hemolítica  autoimune  (AHAI-nível sérico alto de bilirrubina não conjugada, desidrogenase láctica alta, contagem aumentada de reticulócitos e haptoglobina sérica reduzida),  anemia hemolítica microangiopática (AHMA – presença de esquizócitos no esfregaço de sangue periférico deve levar à consideração da possibilidade de púrpura trombocitopênica trombótica), hemorragia, insuficiência renal, aplasia eritrocitária pura e anemia aplásica.
  • Exames bioquímicos: hiperpotassemia pela acidose tubular na nefrite lupica. CrS pode estar elevada.
  • Função hepática: 60% dos pacientes sendo uma manifestação pelo uso farmacológico ligado ao tratamento: AINES, metotrexato e azatioprina que podem causar hepatotoxicidade. corticoides podem causar esteatose hepática.
  • Enzimas musculares: creatinocinase pode estar elevada nos pacientes com miosite associada ao LES.
  • Reagentes de fase aguda: VHS pode estar elevado

Exames especiais:

  • Autoanticorpos: método padronizado para detectar FAN é imunofluorescência indireta utilizando um substrato de linhagem de células tumorais humanas (linhagem celular HEp-2). Mais recentemente têm sido usados os enzimaimunoensaios (Elisa) contendo uma mistura de antígenos nucleares.
QUADRO 3.  Autoanticorpos e seu significado clínico no LES

Complemento: Na acentuação do LES, há hipocomplementenemia causada pela ativação e pelo consumo de complemento, resultando em níveis baixos de C4, C3 e CH50.

Outras maneiras de encontrar achados seria na Biópsia cutanea, e exames de imagem como o RX de tórax para derrames pleurais, por exemplo. Ecocardiografia para lesões valvares.

Critérios Diagnósticos

O paciente deve ter quatro dos 11 critérios (QUADRO 1) para que possa ser classificado como portador de LES e, mesmo assim, depois da exclusão das outras possibilidades diagnósticas plausíveis. Entretanto, é importante enfatizar que esses critérios de classificação  foram  elaborados  na  tentativa  de  padronizar ainclusão dos pacientes em estudos clínicos e nem sempre ajuda a solucionar todos os casos difíceis. 

Referências

HOCHBERG, M. C. et. al.; Reumatologia; 6.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. P. 983-1067.

IMBODEN, J. B.; HELLMANN, D. B.; STONE, J. H.; CURRENT reumatologia: diagnóstico e tratamento. 3. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.

Autora: Letícia Bucinsky Orengo – @let.orengo

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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