Ciclos da Medicina

Manobras de Leopold e estática fetal | Colunistas

Manobras de Leopold e estática fetal | Colunistas

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Wesley Vinicius

6 min há 168 dias

Introdução

As manobras de Leopold-Zweifel desenvolvidas em 1884 por Christian Gerhard Leopold, conhecidas apenas por manobras de Leopold, consistem em uma das partes mais importantes do exame físico na obstetrícia. Essas manobras possuem como objetivo determinar a posição do feto no abdome gravídico (estática fetal) através da palpação. Didaticamente essas manobras são divididas em quatro tempos, que durante a prática médica se torna apenas uma manobra contínua.

Primeiro tempo (primeira manobra)

O primeiro tempo da manobra tem como objetivo identificar o polo fetal presente no fundo uterino e assim determinar qual a situação do feto. Para isso, o examinador deve utilizar ambas as mãos encurvadas de forma a comprimir a parede abdominal com as bordas cubitais para delimitar o fundo uterino. É importante que nesse primeiro tempo a palpação seja feita com a face palmar da mão, e não com as polpas digitais. Após delimitar o fundo uterino, deve-se determinar qual a parte do feto que está localizada no fundo uterino. Geralmente a parte fetal a ser palpada é o polo pélvico, identificado por ser mais volumoso, esferoide, de superfície irregular e amolecido. Agora, se for palpado o polo cefálico, a sensação é de um corpo de superfície regular, resistente e endurecido.

A partir dessa manobra, já dá para prever qual é a apresentação fetal, uma vez que essa é a situação. Assim, se for palpado o polo pélvico, a apresentação é cefálica, assim como, se for palpado o polo cefálico, a apresentação será pélvica. Quanto à situação, o feto pode estar em situação longitudinal (vertical), transversal ou córmica, ou oblíqua, em relação ao eixo materno.

Segundo tempo (segunda manobra)

Após o primeiro tempo, o examinador desliza as mãos para o polo inferior do órgão, regiões laterais no abdome, para tentar identificar o dorso fetal de um lado e as pequenas partes ou membros do outro lado. O dorso fetal é sentido como uma superfície resistente, lisa, regular e contínua. Quando o dorso está localizado para trás, os membros fetais são mais perceptíveis, pois estarão em contato mais direto com a parede anterior. Assim, fica perceptível que, se o dorso estiver orientado para a direita, os membros estarão posicionados à esquerda, e vice-versa. Essa manobra tem como objetivo determinar a posição fetal e pode até ajudar a identificar o melhor foco de ausculta dos batimentos cardíacos do feto (dorso).

Terceiro tempo (terceira manobra)

O terceiro tempo possui como objetivo avaliar a mobilidade do polo fetal inferior em relação ao estreito superior da bacia materna, determinando assim a apresentação fetal. Para isso o examinador precisa apreender o polo entre o polegar e o dedo médio da mão direita, realizando movimentos de lateralidade para indicar o grau de penetração da apresentação na bacia. Quando o polo fetal está alto e móvel durante o exame, o polo balança facilmente de um lado para outro. Agora, se o polo estiver mais insinuado, se encontrará fixo.

A apresentação fetal pode ser classificada quanto ao polo inferior em cefálica, quando o polo inferior é o polo cefálico, pélvica, quando o polo inferior é o polo pélvico, e córmica, quando o feto encontra-se em situação transversal.

Fonte: https://medpri.me/upload/texto/texto-aula-759.html

Quarto tempo (quarta manobra)

Por fim, a quarta manobra de Leopold, responsável por determinar a insinuação fetal, é a única manobra realizada com as costas do examinador voltada para a cabeça da paciente. Nesse tempo, o examinador precisa posicionar suas mãos sobre as fossas ilíacas, aprofundando-as na pelve como se estivesse “escavando”, indo em direção ao hipogástrio, à procura do polo fetal inferior. Assim como no primeiro tempo, ao achar o polo inferior, é necessário determinar através das características qual é a parte fetal localizada. O polo cefálico é menor, com uma superfície regular, lisa e endurecida (apresentação cefálica). Já o polo pélvico é maior, com uma superfície irregular e amolecida (apresentação pélvica). Na apresentação córmica, no qual o feto está em situação transversa e, durante o quarto tempo, o polo inferior encontrará vazio.    

Fonte: MONTENEGRO, C. A. B.; FILHO, J. de R. Rezende obstetrícia, 2017

Conclusão

Mesmo depois de tantos anos desde sua primeira descrição, as manobras de Leopold são muito utilizadas devido a sua grande eficácia para garantir informações sobre o feto e ajudar na determinação do próximo passo. Dessa forma, é muito importante o conhecimento dessas manobras para a prática médica.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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REFERÊNCIAS

FREITAS, Fernando et al. Rotinas em Obstetrícia. 6 ed. Porto Alegre. Artmed, 2011.

PORTO, Celmo Celeno. Semiologia médica. 7 ed. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2014.

MONTENEGRO, Carlos Antonio Barbosa; FILHO, Jorge de Rezende. Rezende obstetrícia. 13 ed. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2017.

AUREO, Marcel. Manual prático de habilidades e procedimentos médicos. 1 ed.  Editora Sanar, 2020.

SANARFLIX. Dica de Obstetrícia: manobra de Leopold. SanarMed, 2020. Disponível em: https://www.sanarmed.com/dica-de-obstetricia-manobra-de-leopold-3

OLIVEIRA, Érico Lucas de. Estática fetal – manobras de Leopold – uma breve revisão | Colunistas. SanarMed, 2020. Disponível em:  https://www.sanarmed.com/estatica-fetal-manobras-de-leopold-uma-breve-revisao-colunistas

COSTA, Isabela Laguardia et al. Estática Fetal. Medpri, 2019. Disponível em: https://medpri.me/upload/texto/texto-aula-759.html

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