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Mecanismo de ação e eficácia das vacinas para Covid-19 utilizadas no Brasil | Colunistas

Mecanismo de ação e eficácia das vacinas para Covid-19 utilizadas no Brasil | Colunistas

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Imagem de perfil de Paula Vaccarezza

Em meio ao grande volume de dúvidas da população acerca da eficácia das vacinas em uso no País para proteção contra a infecção por Covid-19, estar informado é essencial para o esclarecimento dos questionamentos de seus pacientes. Para tanto, o passo básico consiste em conhecer o mecanismo de ação e a eficácia desses agentes imunobiológicos. Neste artigo você conhecerá esses dados sobre as três vacinas mais utilizadas para a vacinação da população brasileira: CoronaVac, AstraZeneca e Pfizer. 

Estrutura e patogenia da infecção por SARS-Cov-2

Inicialmente, é importante abordar a estrutura e a patogenia da infecção pelo coronavírus. A estrutura do vírus SARS-CoV-2 é composta de RNA de fita simples com uma coroa solar, estrutura que deu origem ao seu nome coronavírus. A sua estrutura externa contém proteínas, sendo a proteína viral de superfície chamada Spike (proteína S) essencial para o mecanismo de ação do vírus, pois a entrada do patógeno no meio intracelular acontece a partir do processo de endocitose com o auxílio da proteína S localizada na sua estrutura externa. As vacinas fabricadas para COVID-19 estão associadas à indução de anticorpos contra a proteína Spike (MOREIRA et al, 2020; OLIVEIRA et al, 2021).

Após a entrada do SARS-CoV-2 pelas vias áreas, o vírus adere à mucosa do epitélio respiratório, a partir do reconhecimento e da ligação da proteína S ao receptor tecidual, que é a enzima conversora de angiotensina 2 (ECA-2). O tropismo por essas células está relacionado aos sintomas respiratórios característicos da infecção. Após o reconhecimento, ocorre o processo de fusão do envelope do vírus à membrana plasmática das células (principalmente nos pneumócitos tipo 1 e 2, devido a maior presença de ECA-2) seguido da liberação do RNA viral e o início da produção proteica que levará à replicação do patógeno. Por fim, ocorre sua saída da célula hospedeira por brotamento (BRITO et al, 2020).

Mecanismo de ação e eficácia da vacina Coronavac

A Coronavac, a vacina do Instituto Butantã, utiliza a tecnologia de vírus inativado, na qual cepas inativadas do SARS-CoV-2 produzem uma resposta imunológica no indivíduo (OLIVEIRA et al, 2021). Essa é a técnica tradicional de produção de vacinas virais (LIMA, 2021).

Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Coronavac apresentou alta efetividade para a população entre 18 e 59 anos (de 89% a 95% e de 85% a 91% para óbitos e hospitalizações, respectivamente). Para pacientes com idade entre 60 e 69 anos, a proteção contra formas graves da doença foi em média de 81% (alcançando 64% em maiores de 80 anos).

Mecanismo de ação e eficácia da vacina da AstraZeneca

Essa vacina foi desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca em parceria com a universidade de Oxford. A tecnologia empregada para a produção desse imunobiológico é o uso do chamado vetor viral. Nesse mecanismo, um vírus geneticamente modificado, neste caso um adenovírus não replicante de chimpanzé é utilizado como vetor viral. Assim, o conteúdo genético do vírus do símio é removido e substituído pelo material genético do coronavírus (OLIVEIRA, 2021). Essa vacina induz robusta resposta imune, incluindo resposta celular após a aplicação de duas doses (LIMA et al, 2021).

De acordo com o boletim da Fiocruz, o resultado quanto à proteção contra formas graves da doença (ou seja, internação) foi de 97% com a AstraZeneca. A queda da efetividade também acompanhou o aumento da faixa etária. No grupo de pessoas entre 60 e 69 anos a proteção contra infecção foi de 89%, chegando a 82% nos indivíduos acima de 80 anos. 

Mecanismo de ação e eficácia da vacina da Pfizer

O imunizante da farmacêutica Pfizer em parceria com o laboratório BioNTech se baseia na tecnologia de RNA mensageiro, ou mRNA. A molécula de RNA mensageiro sintético dá as instruções ao organismo para a produção de proteínas de superfície do vírus (SILVEIRA et al, 2020).

Conforme boletim da Fiocruz, as análises para a população adulta com até 59 anos que recebeu a Pfizer demostraram que a proteção se manteve acima de 96%. A proteção contra óbito e internação por Covid-19 neste grupo foi de 99%. Os pesquisadores da fundação destacam que a vacina da Pfizer foi administrada na população mais jovem em um momento epidêmico com menor circulação do vírus, o que pode ter favorecido os dados de efetividade da vacina. 

Conclusão

Vacinar-se é fundamental tanto para a proteção individual como para a coletiva. Além das vacinas, fazer a higiene das mãos, manter o uso de máscaras, evitar aglomerações e realizar o isolamento em caso de suspeita ou de confirmação da infecção também são medidas complementares essenciais para a diminuição da transmissão do coronavírus. Quanto a eficácia das vacinas mais utilizadas pela população brasileira, a proteção contra formas graves da doença (internação) foi de 97% com AstraZeneca, 89% com Coronavac e 98% com Pfizer. Mais dados sobre a eficácia das vacinas podem ser consultados no boletim informativo da Fiocruz (você encontra o endereço eletrônico a seguir).

Agora que você, profissional médico, já conhece o mecanismo de ação das vacinas e a eficácia delas, estará mais seguro para esclarecer as dúvidas de seus pacientes sobre a imunização e proteção contra Covid-19. Por fim, não custa reforçar: vacinas salvam vidas.

Links úteis 

Anvisa: https://www.gov.br/anvisa/pt-br

Instituto Butantã: https://butantan.gov.br/

Boletim Fiocruz: https://vigivac.fiocruz.br/pdfs/Relatorio%20Efetividade9dez2021.pdf

Referências

BRITO, S.B.P. et al. Mecanismos imunopatológicos envolvidos na infecção por SARS-CoV-2. J Bras Patol Med Lab. 2020; 56: 1-10.

LIMA, E.J.F et al. Vacinas para COVID-19 – o estado da arte. Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 21 (Supl. 1): S21-S27, fev., 2021.

MOREIRA, A.M. et al. Mecanismo de ação das vacinas utilizadas para a covid-19 atualmente como uso emergencial no brasil. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação. São Paulo, v.7.n.11. nov. 2021.

OLIVEIRA, A.M. et al. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação. São Paulo, v.7.n.11. nov. 2021.

SILVEIRA, M.M. et al. DNA vaccines against COVID-19: Perspectives and challenges. Life Sciences 267 (2021). 

Autora: Luciana Ferreira Xavier

Acadêmica de Medicina da Universidade Federal do CearáInstagram: @lucianafx.med

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O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.