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Medicina Baseada em Evidências | Colunistas

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Danilo Gustavo Santos

5 min há 529 dias

“Vou negando as aparências, disfarçando as evidências…”

As evidências são na atualidade a ferramenta aliada ao desenvolvimento promissor da saúde em sua totalidade. Pensar através de evidências fundamentadas em pesquisas sólidas faz da caminhada árdua em solos desconhecidos, um prazer inenarrável.

Tudo isso, porque conforme já proferia Oscar Wilde “O homem é um animal racional que sempre perde a razão quando o chamam a agir racionalmente”³.

Pensar de forma racional é nada mais do que saber o que relatar, quando relatar e o porquê relatar. Em 2007 um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) mostrou que menos de 5% das Escolas Médicas naquela época, apresentavam em seu currículo a disciplina de Medicina Baseada em Evidências (MBE)¹.

Nesse ínterim, é provável que inúmeras condutas tomadas por profissionais, formados durante esse período, sejam permeadas por vieses e decisões não racionais, baseadas apenas em um grau de evidência ínfimo que é a prática cotidiana do profissional.

Em contrapartida, não se deve afirmar que o profissionalismo desses esteja afetado por um gargalo no currículo da sua formação há anos atrás, mas pode-se sem dúvidas associar muitos dos fatos relacionados à interpretação e indicação de condutas observados cotidianamente a esse déficit intelectual perpetuado por muitos anos dentro do ambiente acadêmico.

Decorridos onze anos, observa-se que um desenho feito em 2018 pelo Centro Brasileiro de Saúde Baseada em Evidências não esboça um aumento considerável da integração da MBE na grade curricular das inúmeras escolas médicas do país.

Conforme os autores do estudo, menos de 20% das escolas médicas têm conceitos da MBE inseridos em seus currículos². Poucas faculdades têm a disciplina de MBE e essa realidade ainda fomenta a formação inequívoca de profissionais que necessitam estar antenados com as evidências cada vez mais atuais que surgem no campo da medicina.

As interpretações de diversos estudos – revisões sistemáticas, relatos de casos, estudos caso-controle, metanálises e outros – fortalecem a tomada de decisão do médico generalista ou especialista em qualquer situação ao qual ele seja exposto.

Logo, não resta a menor dúvida sobre o impacto da MBE na melhoria da eficiência na área da saúde em todo o mundo².

Continuamente, cada vez mais o paciente se torna informado acerca das doenças que podem se manifestar a partir da queixa principal que ele apresenta ao médico no momento da anamnese.

No momento atual, todos estão expostos a noticiários que relatam as diversas vertentes de terapias ou condutas adequadas para o cenário referente a pandemia do COVID-19.

Sem contar, que as tecnologias somam massivamente a essa decisão do cliente, dentre elas: vídeos de ‘especialistas’, opiniões de profissionais da saúde através de textos instantâneos que passam a engessar o pensamento coletivo acerca de determinada situação enfrentada pelo sujeito principal da interação do processo de adoecimento-cura.    

Desse modo, todas as indagações relatadas pelo paciente e fomentadas sobre a justificativa do mesmo, devem ser respondidas pelo médico, que passa a usar o seu julgamento clínico para a associação de informações coletadas e exames físicos ou complementares à condição associada.

Muitos vieses ou resoluções não racionais podem ocorrer durante o processo de tomada de decisão, uma escolha terapêutica baseada somente no julgamento clínico é certamente influenciada por experiências pessoais prévias e conhecimento adquirido³, respostas essas que são antiquadas.

Concomitantemente, um outro estudo que envolve o litígio na medicina demonstra que no passado a interpretação dos elementos clínicos visto em um determinado caso ou em grupos de pacientes, limitava-se exclusivamente à subjetividade do profissional, envolvendo suas crenças, conjecturas, livros, textos, opiniões de estudiosos, autoridades e especialistas no assunto⁴.

Todavia, nas duas últimas décadas, com a evolução da medicina em velocidade espantosa, estas práticas foram substituídas pela responsabilidade do profissional, que passou a agregar o saber e o agir, se fazendo necessário a construção de métodos objetivos de avaliação.

As tomadas de decisão na prática clínica passaram a seguir um roteiro sistemático, deixando gradativamente a subjetividade metodológica de outrora e adquirindo um status mais próximo da realidade científica⁴.

Por fim, uníssono ao estudo da Sociedade Brasileira de Cardiologia, deve-se recordar que para reduzir a ocorrência de vieses, a estratégia mais simples é os médicos conhecerem os vários vieses possíveis na prática diária.

Outra solução muito importante para evitar vieses e heurísticas é a adesão à medicina baseada em evidências (MBE). Ela oferece informações precisas de várias fontes, sugere as informações mais validadas e identifica aquelas consideradas prejudiciais³.

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