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Medicina de estilo de vida e seu impacto na saúde | Colunistas

     Quantas vezes, ao ler sobre o tratamento de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, síndrome metabólica e tantas outras doenças, nos deparamos com o termo “mudança do estilo de vida”?

     Sejamos sinceros: é nesse momento da leitura do artigo ou livro texto que a gente para, reduz o termo para “MEV”, faz um “anham” mentalmente, pula todo o parágrafo e segue lendo a terapia medicamentosa sem se atentar aos detalhes do tópico anterior. E é aí que, enquanto médicos, começamos a errar.

     Aquele parágrafo que pulamos contém a essência do que se conhece por Medicina do Estilo de Vida – a ciência que reconhece o ser humano como um indivíduo que tem a sua saúde diretamente influenciada por seus hábitos e sua interação com o meio em que vive. A abordagem científica deste braço da medicina se baseia em 6 pilares: nutrição, atividade física, qualidade do sono, controle do consumo de tóxicos, manejo do stress e relacionamento interpessoal, e propõe, através de uma abordagem multidisciplinar, o empoderamento do paciente enquanto promotor de sua própria saúde e bem-estar.

     Está começando a entender agora a importância daquele “simples MEV”?

     Torna-se cada vez mais claro o impacto que os hábitos de vida impõem sobre o binômio saúde-doença a cada novo artigo que elenca múltiplas abordagens terapêuticas publicado nas grandes revistas, e é justamente esse o foco da Medicina do Estilo de Vida. Não é preciso nem ressaltar a importância do fortalecimento do vínculo entre médico e paciente para que antigos hábitos sejam modificados, não concordam?

     Devo porém, fazer uma ressalva: colocar na nossa prática médica diária o estímulo a mudanças no estilo de vida não nos obriga a negligenciar a terapêutica medicamentosa! Muito pelo contrário! Tanto nós, quanto os pacientes, devemos entender que a mudança de hábitos confere qualidade de vida e muitas vezes torna possível a reversão de algumas patologias. No entanto, nem sempre a cura é possível, e os medicamentos, então, entram paralelamente a mudança do estilo de vida como coadjuvantes no tratamento do paciente.

     Então, amigos, agora que vocês já entenderam a importância do estímulo a manutenção de bons hábitos, vamos combinar de ler com mais carinho os parágrafos dedicados a MEV, ok?

     Até a próxima!

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