Medicina e Tecnologia

Medicina do Futuro: como desenvolver aplicativos de mHealth e mLearning na área de Saúde | Colunistas

Medicina do Futuro: como desenvolver aplicativos de mHealth e mLearning na área de Saúde | Colunistas

Compartilhar

Luciana Ferreira Xavier

6 min há 301 dias

As novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) revolucionaram a forma como interagimos com o mundo, sobretudo após a era digital e a popularização dos dispositivos móveis. Assim, no atual paradigma da hiperconectividade global, os aplicativos (apps) para smartphones e tablets são ferramentas essenciais para instrumentalizar a Saúde Móvel (“Mobile Health” ou mHealth) e a Aprendizagem Móvel (“Mobile Learning” ou mLearning). Tendo em vista que a criação de apps com conteúdo direcionado para a Saúde é um mercado em constante expansão e que muitos desses softwares são criados sem a participação de profissionais dessa área, você conhece as etapas básicas para desenvolver aplicativos de mHealth e mLearning para médicos?

O que são mHealth e mLearning?

A Saúde Móvel – ou mHealth – surgiu com advento dos dispositivos móveis e é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a oferta de serviços médicos e/ou de Saúde Pública por meio de telefones celulares, sensores ou outros equipamentos diretamente conectados ao usuário (OLIVEIRA; SANTOS, 2018). É válido ressalvar que você não deve confundir o conceito de mHealth com o de Telemedicina. Essa última consiste no exercício da medicina à distância, no qual você, como médico, e seu paciente comunicam-se por chamada de vídeo (tal como no Skype). Portanto, o mHealth abrange um conjunto mais diversificado de práticas, realizadas por meio de app ou de plataformas, que vão desde o agendamento de consultas via Wathsapp até mesmo a realização de procedimentos (um exemplo disso é a aferição de marcações para implantes de lentes intraoculares pelo app “Eye Axis Check”).

Dentro do panorama da “ubiquidade” da informação, ou seja, da onipresença das TICs, a Aprendizagem Móvel, ou mLearning, é a aplicação dos dispositivos móveis à área de Educação (MARÇAL; ANDRADE; RIOS, 2005). Nesse contexto, os apps para tablets e smartphones são usados por profissionais médicos, em escala global, para fins educativos, tais como treinamento de habilidades (conforme realizado pelo “QuizOrtopedia”, um app para Residentes em Ortopedia e Traumatologia), bem como para estudo (a exemplo do App SanarFlix, voltado para a formação médica, com videoaulas e materiais para estudantes de Medicina). Somando-se a essas ferramentas de mLearning, os jogos educativos digitais (ou “serious games”) também representam um recurso valioso de aprendizagem profissional ao associarem a interatividade e a ludicidade ao conteúdo informativo, podendo ser desenvolvidos, inclusive, para o uso como simuladores direcionados à educação médica (MACHADO et al, 2011).

Como desenvolver aplicativos para área médica?

Primeiramente, é importante destacar uma séria crítica em relação aos apps voltados para a Saúde que consiste na frequente ausência de especialistas dessa área durante a realização das várias etapas de desenvolvimento dos aplicativos. Nesse sentido, quando há a efetiva participação de profissionais médicos auxiliando a equipe de programação, obtêm-se um maior refinamento teórico e, por conseguinte, uma maior confiabilidade no produto desenvolvido (CHINN et al, 2013). Logo, você pode participar do mercado de criação de softwares médicos fornecendo a esses produtos o suporte científico necessário.

Entretanto, você sabe como um app é desenvolvido? As etapas de criação de um aplicativo podem ser sintetizadas no seguinte fluxo: Pesquisa e Conceituação, Ideação e Prototipagem e, por fim, Execução e Complementação (TEIXEIRA; GONÇALVES; MARITAN, 2016). Além dessas fases, recomenda-se que seja feito também um teste de usabilidade – que consiste na avaliação de como o produto criado pode ser usado com efetividade, eficiência e satisfação pelos usuários. Esse teste pode ser executado por meio de diversos métodos, como questionários, inquéritos e experiências controladas de uso, dentre outros (MARTINS, 2013).

1.     Pesquisa e Conceituação

A primeira etapa do desenvolvimento de um app consiste na pesquisa da temática a ser abordada e na definição do público alvo dele. Em seguida, procede-se com a criação da conceituação artística (ou seja, o design ou projeto gráfico). É preciso destacar que a sua participação como médico é essencial nessa fase inicial de escolha do tema, a fim de respaldar com maior rigor o conteúdo técnico presente no software.

2.     Ideação e Prototipagem

Nessa fase, é definida a ideação dos roteiros, ou seja, as sequências de telas (ou interfaces) que compõem o menu e demais abas do app. Além disso, é feita a prototipagem, na qual a equipe técnica de programação desenvolve um modelo inicial do software para que seja feita a primeira análise dele. Aqui, mais uma vez, é fundamental que você, médico, acompanhe a ideação do menu e a criação do protótipo, com o intuito de verificar se a linguagem e os conceitos utilizados estão coerentes com a abordagem técnica esperada e com o público alvo do app.

3. Execução e Complementação

Essa etapa é a mais técnica em relação às Ciências da Computação, na qual a equipe de programação executa a versão do app que deverá seguir para os testes de usabilidade com usuários. Esses testes geralmente são feitos com um grupo amostral pequeno, composto por representantes do público alvo. A primeira fase do teste de usabilidade é a demonstração de uso. Em seguida, são feitas as avaliações da efetividade, eficiência e satisfação do usuário, em geral por meio de questionários.  O parâmetro de efetividade está relacionado à capacidade do usuário de executar tarefas dentro do app (como selecionar abas, fechar janelas, retornar ao menu inicial, dentre outras possíveis). A avaliação da eficiência corresponde à navegabilidade do app. O quesito satisfação equivale aos aspectos de facilidade do uso e de interesse do usuário em usar o app novamente (NIELSEN; LIRANGER, 2007).

Concluídas essas etapas, o seu aplicativo estará pronto para ser lançado nas plataformas móveis (as principais são iOS e Android).

Então, agora você já conhece as etapas básicas para iniciar o desenvolvimento do seu próprio aplicativo de mHealth ou de mLearning. Em caso de dúvidas, procure uma equipe de criação de softwares especializados para área médica. Não fique de fora desse mercado. Lembre-se de que a Saúde e a Aprendizagem Móveis, apesar de serem parte da Medicina do Futuro, já são uma realidade onipresente no seu cotidiano.

Luciana Ferreira Xavier

Graduanda em Medicina (Universidade Federal do Ceará)

Instagram: @lucianafx.med

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.