Coronavírus

Médicos não devem fazer nebulização com cloroquina em pacientes com COVID-19, alerta SPPT

Médicos não devem fazer nebulização com cloroquina em pacientes com COVID-19, alerta SPPT

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A Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT) divulgou nota no dia 25 de março alertando que médicos não devem fazer nebulização com cloroquina em comprimidos triturados para tratar pacientes com COVID-19.

“Uma das práticas que tem se difundido, inclusive com apoio de políticos e formadores de opinião, é a inalação de comprimidos de cloroquina macerados [triturados] e diluídos em soro fisiológico. Essa prática é certamente danosa ao já combalido sistema respiratório do paciente”, diz a entidade.

Além do fato de que não há evidências científicas que atestem a eficácia da cloroquina ou de qualquer outro medicamento para tratar ou prevenir a COVID-19, a SPPT pontua que os comprimidos podem causar danos ao sistema respiratório e a inalação pode contaminar o ambiente com partículas virais.

Consequências de nebulização com cloroquina começam a aparecer

Segundo reportagem do G1, três pacientes morreram depois de receberem nebulização com hidroxicloroquina, substância semelhante á cloroquina, no Rio Grande do Sul. Recentemente, a Associação Médica Brasileira defendeu que ambos os medicamentos sejam banidos do tratamento da doença, além de outros que compõe o chamado ‘kit covid’.

O comunicado da SPPT diz que o comprimido de cloroquina contém talco e outras “substâncias agressoras” em sua composição. O acúmulo desse material nas vias respiratórias causa consequências de longo prazo, como insuficiência respiratória crônica.

“Quando inaladas essas substâncias podem causar broncoespasmo e se depositam no pulmão e vias aéreas causando uma reação inflamatória. Essa inflamação aguda se somando à inflamação pulmonar pela infecção viral tem o potencial de agravar o quadro”, explica a entidade.

A SPPT enfatizou que o uso de comprimidos por via inalatória não é recomendado em tratamento de doença alguma. “Um dos princípios da medicina é o Primum Non Nocere, antes de tudo, não fazer mal ao paciente”, diz a nota. “Deixamos aqui o nosso apelo para que em nenhuma circunstância seja prescrita ou administrada inalação com comprimidos macerados”.

Leia o comunicado completo aqui.

Outras complicações e efeitos adversos

Neste post recente, nós descremos que os médicos do Hospital das Clínicas de Campinas confirmaram o primeiro caso de hepatite medicamentosa relacionada ao uso do “kit covid”. O paciente, que tinha histórico de atleta, está na fila do transplante.

Médicos de diversas especialidades estão relatando o aparecimento de complicações relacionadas ao uso das medicações utilizadas como “tratamento precoce” da COVID-19.

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Os efeitos adversos mais comuns da hidroxicloroquina são disfunção da musculatura ciliar, irritação gastrointestinal, dor de cabeça e prurido. Em relação à ivermectina e o outros antiparasitários, como nitazoxanida, são edema de face e periférico, hipotensão, taquicardia, disbiose, sintomas gastrointestinais, além de hepatites e pancreatites medicamentosas com o uso prolongado dos fármacos em doses altas.

O uso crônico de corticosteroides pode ocasionar distúrbios líquidos e eletrolíticos, musculoesqueléticos e gastrintestinais. Além disso, sintomas dermatológicos como retardo na cicatrização de feridas, adelgaçamento e fragilidade da pele, acne, petéquias e equimoses, eritema, hipersudorese, dermatite alérgica, urticária e edema angioneurótico também são relatados.

O paciente pode apresentar sintomas neurológicos, como pseudo tumor cerebral, e endócrinos, como irregularidades menstruais, síndrome de cushing, ausência secundária da resposta adrenocortical e hipofisária, hiperglicemia e hirsutismo.

Intoxicações por vitaminas como vitamina D e zinco também foram relatadas.