Coronavírus

Médicos recomendam check-up pós-COVID para detectar e tratar sequelas

Médicos recomendam check-up pós-COVID para detectar e tratar sequelas

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Sanar

4 min há 176 dias

Uma reportagem da Folha de S.Paulo traz uma informação importante para quem teve COVID-19: médicos de diversas especialidades estão alertando para a necessidade de um check-up pós-COVID completo depois da infecção pelo novo coronavírus.

Isso porque a COVID-19 é uma doença sistêmica, que desencadeia processos inflamatórios por diversos órgãos do corpo. Mesmo após o vírus deixar o organismo, podem permanecer sequelas espalhadas por regiões como coração, pulmão e cérebro por meses, e até em pessoas que tiveram a forma mais leve da doença. 

Os cientistas estimam que apenas entre 10 e 20% dos pacientes relatam recuperação completa nos primeiros meses depois da doença. Cerca de metade dos infectados relatam sequelas posteriores, como fadiga incomum, dores de cabeça e no peito, alteração na memória e perda do olfato (anosmia). 

Check-up pós-COVID completo e integral

Se você não sabe a quem recorrer, a orientação é procurar primeiro por um clínico geral ou médico da família, profissionais que conseguem fazer uma avaliação global e, se for o caso, encaminhar o paciente para as especialidades necessárias. 

“Assim, o paciente recebe orientações sobre os cuidados que deve ter e sabe se precisará fazer algum exame para confirmar a existência das sequelas e conhecer a extensão delas”, disse à Folha o pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Gustavo Faibischew Prado. 

Outras especialidades médicas são indicadas para sintomas específicos. A avaliação de um pneumologista, por exemplo, vai apontar a necessidade ou não de exames mais detalhados, como tomografia do tórax, ecocardiograma pulmonar e prova de função pulmonar.

“A tomografia, por exemplo, mostra se há sinais de fibrose no pulmão e mostram a presença de doenças das vias aéreas, que podem ser a causa de tosse prolongada ou cansaço”, disse Prado.

O pneumologista reforça que o ideal é um acompanhamento integral. “Especialmente o cansaço e a falta de ar podem ter mais de uma causa em mais de um órgão. Doenças respiratórias e cardiovasculares também podem ter causas variadas, e a COVID-19 traz repercussão para os sistemas cardíacos e respiratórios. A avaliação, nesses casos, nunca pode ser simplista”, observa.

Cérebro e coração pedem atenção especial

No coração, arritmias e insuficiência cardíaca inexistentes antes da COVID-19 podem surgir após a infecção. Por isso, os cardiologistas recomendam avaliação médica mesmo se a pessoa teve um quadro leve da doença, e em especial para pacientes que têm sequelas como fadiga, cansaço ou palpitação.

O cardiologista ouvido pela reportagem da Folha, Fernando Bacal, explica que como sequelas podem existir sem serem notadas, é fundamental que pacientes que tiveram a infecção moderada ou grave busquem um parecer médico mesmo se estiverem sem sintomas no pós-recuperação.

O alerta vale ainda mais para os praticantes de exercícios físicos, já que eles expõem o coração a um maior esforço. “Consequências mais graves, como morte súbita, infarto, disfunção ou insuficiência cardíaca são pouco frequentes, mas devem ser detectadas”, disse o especialista.

A médica Clarissa Lin Yasuda, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), lidera uma pesquisa para identificar a persistência de manifestações neurológicas após a COVID- 19 por meio de um questionário que pode ser respondido pela internet.

De acordo com os dados das 4.500 pessoas que já responderam a pesquisa, apenas 13,5% afirmam ter recuperação completa da doença após dois meses de COVID-19. Já 34% afirmam ter sonolência diurna e dores de cabeça dois meses após a doença, e 40% relatam alteração de memória.

A pesquisadora se diz preocupada com a quantidade de pessoas que a procura para relatar algum sintoma neurológico. “Isso é assustador, especialmente porque 90% desses respondentes não chegaram a ser hospitalizados com a doença, tiveram casos leves”.  

Para Prado, falar em paciente curado não é algo binário, ou seja, ou o paciente está doente ou está curado. Muitas vezes, a recuperação não será imediata e nem completa.

“Podemos enfrentar a situação de termos um enorme contingente de pacientes que não se recupera plenamente ou rapidamente, e o sistema de saúde deve estar preparado para isso”, completa o pneumologista.

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