Annelise Oliveira

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Venezuela e COVID19: O que realmente ocorre? | Colunistas

Ao pesquisar sobre os números da pandemia de COVID-19 na Venezuela, os primeiros artigos que a ferramenta de pesquisa retorna são comparações quase que surreais sobre como o Brasil deixou a desejar em comparação ao seu vizinho. Num esforço de desmerecer a política brasileira, que também deixou a desejar, e dar louros a política venezuelana. Lembrando que a Venezuela foi o último país da América do Sul a ter casos de COVID-19. Pacaraima versus Bolívar: Um retrato das suas nações? Agosto de 2020 foi um respiro quando se fala de pandemia. Esperava-se que com a baixa de casos e o desafogamento das UTIs o Brasil estivesse vendo a luz no fim do túnel. Mas o que ocorreu foi apenas uma lâmpada incandescente, débil e enganosa antes de vários outros picos de problemas. Mas a essa época as comparações de Pacaraima, cidade de Roraima que faz fronteira com a Venezuela.  Na época de um desses artigos (agosto de 2020) a cidade contava com 7% de contaminados, contra 0,0011% de contaminados no estado de Bolívar, região da Venezuela que faz fronteira com o Brasil. E isso é associado a rápida resposta à pandemia por parte do presidente venezuelano Nicolás Maduro.  Mas esses números são confiáveis? Sabidamente a Venezuela vem enfrentando crises das mais variadas esferas há bastante tempo. A política ditatorial aliada a falta de dados confiáveis faz com que esse panorama descrito como resultado de ações efetivas contra o vírus da COVID-19 seja, no mínimo, questionável. O país passa por falta de testes confiáveis e transparência de informações quase ausente com a perseguição de quaisquer agentes que tentem relatar a questão. A crise

Um resumo sobre a espironolactona | Colunistas

A espironolactona é um fármaco com atividade diurética amplamente utilizado na prática médica. E entender bem a farmacologia e as indicações desse medicamento são essenciais na prática médica! História da Espironolactona Após a descoberta da atividade natriurética da progesterona não demorou muito para que fosse elaborado um composto sintético com atividade anti-mineralocorticóide a partir desse hormônio. Em 1961 foi patenteada essa substância sintetizada quatro anos antes que ganhou o nome de espironolactona. Essa droga ganhou o mercado no ano de 1959 e ao longo do seu uso efeitos colaterais como ação antiandrogênica e ginecomastia foram detectados. Esses efeitos fizeram com que esse medicamento logo fosse sugerido para tratamento de hirsutismo em mulheres e anti-androgênios para mulheres transsexuais. Em 2016 essa droga já ocupava a posição 66 entre as drogas mais prescritas nos Estados Unidos da América. Farmacologia da Espironolactona Características Químicas A espironolactona é um antagonista do receptor de mineralocorticóide, proveniente da progesterona. Ela é produzida pela substituição de alguns grupamentos da progesterona cuja consequência é aumento da biodisponibilidade e da potência quando usada oralmente (características que a progesterona não possui). Além disso, a espironolactona tem grande atividade antiandrogênica e baixa atividade progestagênica como características que a separam do seu composto originário. Farmacocinética da Espironolactona Figura 1- Estrutura química da Espironolactona ​​por Ayacop – PubChem, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1524277 A principal característica da Espironolactona é sua atividade anti-mineralocorticóide, mas ela também carreia consigo atividade antiandrogênica moderada, fraca inibição da esteroidogênese. Esse medicamento na verdade é uma pró-droga, que é metabolizada em agentes ativos Efeitos anti-mineralocorticóides Sua ação anti-mineralocorticóide se dá pela ligação ao receptor de mineralocorticóide e bloqueio deste.

Resumo sobre a classificação TASC II | Colunistas

Em medicina a classificação de doenças faz um papel essencial no manejo das mais diversas afecções com as quais o médico se depara. Não seria diferente na cirurgia vascular. Existem várias classificações das diversas doenças vasculares, neste texto será abordada a classificação TASC II (Transatlantic Consensus Document on Management of Peripheral Arterial Disease) que auxilia no diagnóstico e tratamento de pacientes com Doença Arterial Periférica. Mas antes, o que é a Doença Arterial Periférica? Essa afecção vascular é representada pela diminuição de calibre de artérias do corpo que pode culminar em eventos obstrutivos. É mais comum em pessoas acima dos 55 anos e tem por característica ser assintomático na maioria dos afetados. A causa principal dessa doença é a aterosclerose, portanto a DAP é uma doença de caráter degenerativo, o que explica a prevalência em idades avançadas.  Existe uma série de fatores de risco que podem culminar em DAP: DislipidemiaDoença arterial coronarianaHipertensão arterial sistêmicaDoença renal crônica dialíticaDoença cerebrovascularObesidadeProteína C Reativa aumentadaEstados de hiperviscosidade e de hipercoagulabilidade sanguíneaHiperhomocisteinemiaIdade avançadaTabagismoSedentarismoHistória familiar de DAPGênero Masculino Sintomas e sinais da DAP Os sintomas e sinais da DAP estão relacionados a diminuição do fluxo sanguíneo consequente à progressiva estenose das artérias. Os membros inferiores são os locais mais afetados do corpo, mas virtualmente todas as artérias periféricas estão disponíveis para a ocorrência da DAP. O principal sintoma do paciente com DAP é a claudicação intermitente, em que o paciente passa a mancar depois de caminhar alguma distância por insuficiência arterial do membro acometido. Esse sintoma tem por característica melhora com repouso. É como se fosse uma “angina” de membro inferior. Associada à claudicação intermitente o paciente pode ainda apresentar os seguintes sintomas:

Vacina AstraZeneca e o raro distúrbio de coagulação | Colunistas

Coagulação O ano de 2021 começou com uma grande virada na realidade da pandemia, a chegada das vacinas foi comemorada. A cada aprovação emergencial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a população via mais esperanças na melhora da situação. Mas com o avanço da vacinação contra a COVID-19 e a utilização em massa das diversas vacinas disponíveis no mercado, um novo receio tomou a mente da população: a vacina da AstraZeneca causa trombose? Um misto de desinformação, pânico midiático e medo tomou os brasileiros que receberam a vacina. Mas toda essa comoção tem uma fundamentação científica? A Vacina AstraZeneca Produzida a partir de vetor viral não replicante, a Vacina da AstraZeneca obteve a aprovação de uso emergencial da ANVISA em 12 de março de 2021. Ela atinge sua eficácia máxima após duas doses que devem ser aplicadas com um intervalo de 8 a 12 semanas. Essa vacina apresenta eficácia geral de cerca de 70% com as duas doses aplicadas. Foi desenvolvida em um consórcio entre a universidade Oxford e a farmacêutica AstraZeneca. No Brasil, essa vacina está sendo produzida pela Fiocruz com ingrediente farmacêutico (IFA) proveniente da China e tecnologia importada da Inglaterra. Efeitos adversos A vacina desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca apresenta, assim como suas concorrentes, uma série de efeitos colaterais. Os mais frequentes atingem 1 em cada 10 vacinados, são: Dor no local da aplicação;Mal-estar geral;Fadiga;Febre;Cefaleia;Náusea;Dor articular;Dor muscular. Uma em cada 100 pessoas que receberem a vacina podem apresentar: Sonolência;Tontura;Inapetência;Dor abdominal;Aumento de linfonodos;Sudorese;Prurido;Rash cutâneo. E por fim, apenas 1 a cada 10.000 pessoas pode desenvolver a tão temida trombose com trombocitopenia. Uma porcentagem muito pequena, mas