Bianca Teodoro

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Colagenoses: Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídio (SAF)

Aposto que o último resumo sobre colagenoses te deixou com um gostinho de quero mais, não é mesmo? E como a Sanar não desaponta nunca, preparamos mais um tema dentro desse assunto que é tão relevante e frequente na prática médica. Hoje vamos falar da Síndrome do Anticorpo Antifosfolipíde (SAF). Ficou curioso? Então, já separa o café que vem muita informação boa por ai. Definição e Epidemiologia A Síndrome do Anticorpo Antifosfolipíde, também conhecida como Síndrome de Hughes (em  homenagem ao seu descritor,  em 1983), é uma doença autoimune que tem como característica principal: EVENTOS TROMBOEMBÓLICOS ARTERIAIS E VENOSOS, levando a abortamentos espontâneos de repetição, em gestantes. Outra característica da doença, é a presença de marcadores sorológicos como: -Anticorpos Anticardiolipina; -Anticoagulante Lúpico; -Anti-Beta2 glicoproteína 1 Lembrando que a presença isolada destes, não fecha diagnóstico! Devemos sempre nos atentar a clínica do paciente. Podendo haver, ainda, a presença de outras manifestações como trombocitopenia e livedo reticular. Classificação Quando a SAF ocorre em associação a outra doença (reumatológica ou não), recebe a classificação de SAF SECUNDÁRIA. Já na presença isolada da SAF, classificamos como SAF PRIMÁRIA. A SAF secundária tem forte associação com Lúpus e é mais frequente no sexo feminino. Há ainda a chamada SAF catastrófica que corre em um pequeno percentual de pacientes, quando a doença se apresenta de forma aguda e com múltiplas tromboses arteriais e venosas e em vasos de pequeno e grande calibre em diversos órgãos (pelo menos três órgãos, para definir a síndrome). Os eventos trombóticos podem ocorrer simultaneamente ou com intervalos de dias. Nesses pacientes a mortalidade é alta e gira ao redor de 50%, mesmo

Colagenoses: Lúpus Eritematoso Sistêmico | Colunistas

Continuando a nossa caminhada do conhecimento no mundo das Colagenoses, hoje vamos entender um pouco mais sobre o Lúpus Eritematoso Sistêmico. Vamos ao trabalho? Definição e Epidemiologia O LES é uma doença autoimune multissistêmica crônica, cuja característica mais marcante, é o desenvolvimento de focos inflamatórios em vários tecidos e órgãos. A doença evolui com períodos de exacerbações e remissões, comprometendo principalmente a pele (dermatite), articulações (artrite), serosas (serosite), glomérulos(glomerulite) e o SNC (cerebrite). A prevalência é maior pelo sexo feminino, principalmente por mulheres jovens, durante a menacme. A doença costuma se manifestar entre 15-45 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade. Existe predomínio na raça negra 3-4 vezes mais frequente que nos brancos. Classificação O LES pode começar de forma aguda (fulminante) ou insidiosa, mas é, por definição, uma doença crônica, remitente e recidivante. Patogênese A patogênese do LES se origina da interação entre fatores genéticos e ambientais. Dentre os fatores ambientais mais importantes, temos a exposição aos raios ultravioleta (que desencadeiam atividade lúpica em 70% dos pacientes). Outros contribuintes prováveis são: hormônios femininos (estrógenos), determinadas drogas (hidralazina, procainamida, isoniazida, fenitoína, clorpromazina, d-penicilamina, metildopa, quinidina, interferon-alfa e agentes anti-TNF), tabagismo, exposição à sílica e, possivelmente, agentes microbiológicos (infecção viral – Epstein Barr). Estudos apontam que o elemento central na fisiopatologia do LES é a existência de “receptores de reconhecimento de padrões moleculares” anômalos (os “TLR” = Toll-Like Receptors). Estes receptores são a base da imunidade “inata”, e estão presentes em diversos tipos celulares (macrófagos, células dendríticas, linfócitos B imaturos, etc.).  Reconhecem “padrões” ou “motivos” moleculares constantes em diversas espécies de micro-organismos e, ao entrarem em

Colagenoses: síndrome de sjogren | Colunistas

Se você também é um admirador da área da Reumatologia e tem curiosidade em saber um pouco mais sobre as doenças classificadas dentro do grupo das colagenoses, vem comigo que temos uma grandiosa caminhada pela frente. Nosso primeiro passo será adquirir um pouco mais de conhecimento sobre a Síndrome de Sjogren. Vamos ao trabalho? Definição A Síndrome de Sjögren (SS) é uma doença autoimune crônica, caracterizada por infiltração linfocítica das glândulas exócrinas, especialmente as salivares e lacrimais. O achado mais característico da doença é a “síndrome seca”, que resulta da destruição glandular progressiva e menor produção de saliva e lágrimas. Classificação A SS pode ser classificada em primária e secundária. Vamos entender qual a diferença entre elas? Na primária, temos a doença ocorrendo de forma isolada e sua principal complicação é o Linfoma Não Hodgkin. Já na secundária, vamos ter a associação com outras doenças autoimunes, principalmente a Artrite Reumatoide (AR). Há ainda outra classificação que leva em consideração o sítio acometido. Desse modo, temos a forma glandular (quando a doença e suas manifestações se limitam às glândulas exócrinas) e a forma extraglandular (quando as manifestações ocorrem “fora” das glândulas, ou seja, quando acomete outros sítios). Na extraglandular podemos destacar o acometimento renal como sendo o mais comum podendo resultar em nefrite intersticial linfocitária (forma mais comum) glomerulonefrite por imunocomplexos (forma mais rara). Patogênese Podemos considerar 2 principais mecanismos como forma de destruição tecidual, quando nos referimos a Síndrome de Sjogren. O primeiro deles é a Infiltração linfocitária, resultando em “síndrome seca”. Temos ainda a deposição de imunocomplexos, resultando em vasculite e/ou glomerulonefrite.

Doenças Neurológicas: Cefaleias | Colunistas

No assunto de hoje vamos aprender um pouco mais sobre as cefaleias. Conhecidas popularmente como “dores de cabeça”, as cefaleias são divididas de acordo com o padrão álgico, duração, região craniana afetada e etiologia (secundárias). Ficou curioso para saber mais? Então, continue a leitura e aprofunde o conhecimento sobre o tema. Definição A cefaleia é uma dor de acometimento cefálico, sendo o sintoma neurológico mais comum no cotidiano das Unidades de Saúde, tanto no âmbito dos serviços de urgências ou emergências hospitalares como nas unidades que integram a Atenção Básica. Podemos classificá-la como primária, quando é a patologia em si, ou como secundária, quando representa um sintoma de outra patologia estrutural. São consideradas um problema de saúde  pública, uma vez que são desordens debilitantes e que, por vezes, impossibilitam ações rotineiras, o que causa grande prejuízo pessoal e social. Classificação As cefaleias crônicas podem ser classificadas em primárias e secundárias. Dentre as principais cefaleias primárias, podemos destacar: Cefaleia Tensional;Enxaqueca (migrânea);Cefaleia em Salvas. Já nas cefaleias secundárias, destacam-se: Cefaleia da Hipertensão Intracraniana;Cefaleia da Arterite Temporal. Epidemiologia da Cefaleia Segundo um estudo apresentado pela International Association for the Study of Pain,  50% da população geral tem cefaleia durante um determinado ano e mais de 90% refere história de cefaleia durante a vida. Portanto, é de extrema importância o conhecimento acerca da epidemiologia para auxiliar a conduta correta na prática clínica. A prevalência de migrânea nas crianças e nos adolescentes é de 7,7%.A cefaleia do tipo tensional é mais comum que a migrânea, com prevalência ao longo da vida de aproximadamente 52%.3% da população geral tem cefaleia crônica,

Drogas vasoativas | Colunistas

Quer entender um pouco mais sobre o tema? Então, não perde tempo e confere esse resumo completinho que a Sanar disponibilizou para você. Sem mais enrolação, bora aprender?! Introdução Também conhecidas como aminas simpaticomiméticas, as drogas vasoativas são fármacos de extrema importância, principalmente, no manejo de quadros clínicos com indicação de tratamento em Unidades de Terapia Intensiva, devido a sua relação com alterações hemodinâmicas intensas e rápidas. Uma das condições mais frequentes nas UTI’s é o Choque, quadro que necessita de suporte hemodinâmico precoce e adequado com a finalidade de evitar piora e perpetuação das disfunções orgânicas, e é aí que as drogas vasoativas entram em ação. Definição O que é uma Droga Vasoativa (DVAs)? O termo droga vasoativa é atribuído às substâncias que apresentam efeitos vasculares periféricos,  pulmonares  ou  cardíacos,  sejam  eles  diretos ou indiretos, atuando em pequenas doses e com respostas dose dependente de efeito rápido e curto, por meio de receptores (adrenérgicos) localizados no endotélio vascular. Mecanismos de Ação e Receptores Adrenérgicos Para entendermos o mecanismo de ação de uma droga vasoativa, precisamos de alguns conceitos. Um deles é o “princípio da não exclusividade”. Mas como assim? É isso mesmo, uma droga vasoativa não vai ativar apenas um receptor, mas vários receptores adrenérgicos e em diferentes intensidades. Outro conceito importante é o dose-dependente, ou seja, a mesma droga vasoativa pode ter efeitos diferentes dependendo de sua doses. Desse modo, as ações das aminas simpaticomiméticas são determinadas pelas suas ligações às três classes principais de receptores: Receptores AlfaReceptores BetaReceptores Dopa Esses receptores, que são