Júlia Mendonça

Medicina

Estudo medicina em São José do Rio Preto e meu sonho é ser neurocirurgiã. Quero contribuir com informações úteis e confiáveis sobre saúde e bem estar. Fundadora do studygram @med.facilitada Temas que mais escreve para a Sanar: Neuro e Covid.

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Diferenças entre os sintomas da Covid-19 e Influenza | Colunistas

Tem sido complicado saber diferenciar doenças causadas por vírus respiratórios com sintomas tão parecidos: covid-19, H1N1, e agora o H3N2! É essencial saber diagnosticá-las corretamente para saber a conduta ideal para cada tratamento, por isso, existe a necessidade de exames laboratoriais para indicar o melhor tratamento. Um dos exames mais comuns é o RT-PCR, uma técnica em que se identifica o material genético do microorganismo. Então, o RT-PCR não só diagnostica a Covid-19, mas também é usado para o diagnóstico de influenza A e todos os outros vírus! Bom, vamos por partes: A mais temida de todas: Covid-19 A COVID-19 é uma doença causada pelo novo coronavírus, denominado SARS-CoV-2, que apresenta um espectro clínico que varia de infecções assintomáticas a quadros graves. Cerca de 80% dos pacientes com COVID-19 podem ser assintomáticos ou apresentar sintomas leves (como febre, tosse, cansaço) e, aproximadamente, 20% dos casos detectados requerem atendimento hospitalar por apresentarem dificuldade para respirar e dor no peito. O histórico de onde essa pessoa esteve nos últimos 15 dias antes dos sintomas aparecerem também é importante para o diagnóstico. Sobre o vírus Influenza É uma infecção viral aguda que afeta o sistema respiratório. Tem alta transmissão entre os indivíduos, podendo facilmente causar epidemias sazonais, e até levar ao óbito! A hospitalização e morte ocorrem principalmente entre os grupos de alto risco. É causada pelos vírus A, B, C e D. O vírus A está associado a epidemias e pandemias, tem comportamento sazonal e apresenta aumento no número de casos entre as estações climáticas mais frias. Ex: H1N1 e H3N2.O vírus B assemelha-se ao vírus A, porém não tem

Doenças relacionadas aos hábitos de vida: colesterol alto | Colunistas

Introdução O processo de saúde-doença já foi muito questionado ao longo do tempo, apresentando, muitas vezes, uma determinação social e histórica. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece o termo “saúde” como um estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença. Da mesma forma, “doença” não é mais entendida apenas pela fisiopatologia, pois quem estabelece seu grau, estado e intensidade são os valores e sentimentos expressos pela pessoa adoecida. Portanto, seu conceito é tão subjetivo quanto o de saúde. É impossível falar de saúde (e tudo que ela implica) sem mencionar de estilo de vida. Mas afinal, o que seria isso?  Basicamente, são comportamentos adotados por um indivíduo que impactam, positivo ou negativamente, na sua saúde. Então se você pratica ou não atividade física, se você controla ou não seu peso corporal, quais são seus hábitos alimentares (Você faz sua própria comida? Consome muito fast food, fritura, açúcar?): tudo isso pode contribuir para o desenvolvimento de doenças, ou para uma velhice cheia de saúde.  A grande problemática é que está ficando cada vez mais comum (só olhar à sua volta) desenvolvermos comportamentos destrutivos, como estilo de vida sedentário, hábitos alimentares inadequados (poucas frutas, muita gordura), tabagismo, consumo de drogas ilícitas, bebidas alcóolicas, obesidade e comportamentos sexuais de risco.  É claro que existem doenças que surgem independente do nosso estilo de vida (doenças congênitas, sindrômicas, hereditárias…), mas pasmem, a grande maioria pode ser EVITÁVEL se você apenas melhorar seus hábitos de vida. Vamos falar um pouco de uma doença cada vez mais frequente na população relacionado ao estilo de vida, que é o colesterol alto? Hipercolesterolemia (Colesterol alto no sangue) A primeira coisa

Desenvolvimento normal da mama e anomalias: politelia e polimastia | Colunistas

A glândula mamária é um órgão par situado na parede anterior do tórax, apoiada sobre o músculo peitoral maior; se estende da segunda à sexta costela no plano vertical (ou longitudinal) e do esterno à linha axilar anterior no plano horizontal (ou transversal). A mama feminina é composta por lobos (formado por vários lóbulos, onde há glândulas produtoras de leite), pelo ducto lactífero (pequenos tubos que transportam o leite dos lóbulos até o seio lactífero), seio lactífero (uma dilatação do ducto que conduz o leite materno à papila mamária) e por estroma (tecido adiposo e tecido conjuntivo que envolve os ductos e lobos, além de vasos sanguíneos e vasos linfáticos).  Embriologia  Os primeiros sinais de desenvolvimento mamário aparecem em torno da 5ª semana de vida intrauterina.  No início da 6ª semana, ocorre a migração de células epidérmicas para o interior do mesênquima subjacente, produzindo as chamadas cristas lácteas ou linhas de leite. Estas linhas de leite localizam-se bilateralmente na parede ventro-lateral do corpo do embrião, estendendo-se da região axilar até a região inguinal. Cristas lácteas. Fonte: USP Ao final da 6ª semana, as extremidades destas linhas começam a regredir, restando apenas um par na região peitoral, ao nível da 4ªcostela.  As células do ectoderma primitivo proliferam e penetram mais profundamente no mesênquima subjacente, formando estruturas que darão origem às glândulas e ductos mamários.  Nervos periféricos e vasos sanguíneos e linfáticos crescem no interior do mesênquima frouxo. Ao final da 8ª semana, a embriogênese está completa.  A partir do 4º mês, ocorre proliferação das células epiteliais, que progressivamente vão se alongando até o 6º mês de vida intrauterina. 

Semiologia genicológica: anamnese e exame físico | Colunistas

Quando falamos em semiologia ginecológica, estamos nos referindo ao estudo dos sinais e sintomas das modificações funcionais e das doenças mamárias e do aparelho genital feminino.  A consulta ginecológica praticada por médicos da atenção primária à saúde ou ginecologistas deve abordar todas as necessidades da mulher, incluindo o planejamento familiar, pré-natal, parto e puerpério, clínica ginecológica, prevenção às doenças sexualmente transmissíveis, câncer de colo de útero e de mama e climatério.  Na anamnese (primeira consulta) são coletados: dados de identificação,queixa principal,história da doença atual, antecedentes mórbidos pessoais e familiares, antecedentes ginecológicos, sexuais e obstétricos (G: gesta, P: partos – cesária ou normal, A: abortos – gravidez ectópica entra aqui também), medicamentos em uso (todos, até psiquiátricos), hábitos de vida,revisão de sistemas (alterações da frequência urinária, da diurese, do jato e da percepção de sintomas associados; sintomas intestinais: evacuação, dor, sangramento. Varizes: presentes ou não, tratamentos de trombose, edemas…).  Nos acompanhamentos subsequentes orienta-se o uso de forma mais simplificada pelo método “SOAP”, que consiste no acrônimo de subjetivo, objetivo, avaliação e plano.  O exame físico geral aborda: peso, altura, cálculo do índice de massa corporal (IMC), pressão arterial, circunferência abdominal, exame abdominal e de membros inferiores, assim como outra abordagem mais minuciosa se necessário.  O exame físico ginecológico compreende o exame das mamas, da genitália externa, da genitália interna.  Para um adequado exame físico geral e ginecológico deve-se levar em conta que haja:  →privacidade para a paciente,  →o local deve ser adequado, iluminado e climatizado, → o material a ser utilizado deve estar disponível no momento do exame.  A paciente tem o direito de requisitar um acompanhante no momento do

Covid-19 pode alterar padrão de funcionamento do cérebro | Colunistas

O   novo   coronavírus (Sars-Cov-2) é categorizado como um vírus de ácido ribonucleico, da família Coronaviridae.  A sobrevivência desse patógeno zoonótico depende de um hospedeiro humano, eé conhecido, principalmente, por suas manifestações respiratórias e gastrointestinais, como febre, dispneia, diarreia, tosse e fadiga.  Essa enfermidade, entretanto, exibe uma gama enorme de sintomas, que oscilam desde sintomas leves até complicações, tendo como exemplo a síndrome respiratória aguda grave, pneumonia, lesões cardíacas e renais, sepse, coagulações intravasculares, distúrbios metabólicos e acometimentos neurológicos. Nota: A infecção pelo vírus SARS-CoV-2 pode estar associada a complicações neurológicas relacionadas tanto ao sistema nervoso central quanto ao periférico. Sintomas neurológicos comuns  Sintomas neurológicos gravesCefaleia (dor de cabeça);   Síncope (desmaio);   Quadros de perda motora;   Anosmia (diminuição ou perda do olfato);   Ageusia (diminuição ou perda do paladar)  Acidente vascular encefálico (AVE);   Encefalite viral;   Encefalopatia necrosante hemorrágica aguda;   Síndrome de Guillain Barré  Fonte: tabela feita pela própria autora   Essa quantidade de sintomas e sequelas neurológicas causadas por essa doença acontece devido o processo de replicação viral do Sars-Cov-2, no qual há relatos de grande afinidade e replicação nas células neuronais. Como isso acontece? Em diversos estudos atuais, cientistas relataram a descoberta de que o Sars-Cov-2 não precisa esperar a células invadidas se romperem para se espalhar pelo corpo. Ele também pode usar outros meios, um mecanismo conhecido como viral surfing, permitindo que o vírus se espalhe com eficiência, além de se proteger melhor do sistema imunológico. Esse mecanismo é conhecido no vírus do herpes, mas era inédito em coronavírus. Outro dado interessante é que o vírus SARS-CoV-2 é capaz de infectar e de se replicar no interior de linfócitos, podendo levar

Resfriado, síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave (srag): classificação de risco e manejo do paciente | Colunistas

Conceito e sintomatologia Você sabe diferenciar um simples resfriado de uma gripe? E gripe de SRAG? Parece simples, mas muitos estudantes de medicina ficam em dúvida na hora de fazer sua hipótese diagnóstica, ainda mais em crianças. Então, antes de falar sobre manejo de paciente, veja a tabela abaixo com os agentes etiológicos e quadro clínico das respectivas doenças:  Local de infecçãoAgente etiológicoQuadro ClínicoTransmissãoResfriadoTrato respiratório superior (nariz e garganta)    Quase que exclusivamente causada por vírus, sendo os mais frequentes os rinovírus, coronavírus, vírus respiratório sincicial (VRS), parainfluenza, influenza, coxsackie e adenovírusQuadro respiratório alto, sintomas sistêmicos leves. Rinorreia e obstrução nasal, irritação na garganta.Por meio de gotículas produzidas pela tosse ou espirro, ou pelo contato de mãos contaminadasGripeTrato respiratório superiorVírus InfluenzaFebre alta, calafrios, dor de garganta, cefaleia, coriza nasal, tosse e/ou espirros, fraqueza, mialgia, e por vezes, diarreiaDe pessoa para pessoa através de gotículas (tosse/espirro) ou contato direto com objetos contaminados recentemente por secreções nasofaríngeasFonte: tabela de propria autoria   Podemos observar que a diferença entre as três doenças se faz por meio dos sintomas apresentados pelo paciente. Em caso de resfriado, vimos que são de pouca ou nenhuma gravidade, e também o mais frequente, de alta sazonalidade (maior ocorrência no inverno) e autolimitado (não existe um tratamento específico, apenas sintomático). Seus primeiros sinais costumam ser prurido nasal ou irritação na garganta, os quais são seguidos após algumas horas por espirros e secreções nasais. A congestão nasal também é comum nos resfriados, porém, ao contrário da gripe, a maioria dos adultos e crianças não apresenta febre ou apenas febre baixa. Na gripe, porém, a doença pode se apresentar desde uma forma subclínica até uma doença complicada em crianças, afetando múltiplos órgãos – além

Sistema somatossensorial: tudo que você precisa saber! | Colunistas

Fonte: www.shutterstock.com Palavra chave: sistema somatossensorial; cérebro; sensibilidade; sentidos Conceito Somestesia é uma palavra que vem do latim soma (corpo) e aesthesia (sensibilidade). É a capacidade que os seres humanos e animais têm de receber informações do meio externo e interno. Chamamos de vias aferentes ou sensitivas as fibras que conduzem os estímulos (ambientais ou internos) ao cérebro, e por meio de receptores especializados em transformar esse estímulo sensorial em potencial de ação. Fonte: SILVERTHORN (2010) Dessa forma, podemos definir sistema somestésico como uma cadeia sequencial de neurônios, fibras nervosas e sinapses que traduzem, codificam e modificam as informações provenientes do corpo. Sistema somatossensorial x sentidos especiais: qual a diferença? O sistema somatossensorial é o responsável pelas experiências sensoriais detectadas nos órgãos sensoriais que não pertencem ao sentido especial. Enquanto os receptores sensoriais dos sentidos especiais (visão, audição, gustação, olfato e equilíbrio) estão restritos à cabeça, os do sentido somático geral estão espalhados pelo corpo todo. A sensibilidade somática é constituída de: tato; temperatura; nocicepção (dor e prurido) e propriocepção. O sistema somestésico subdivide-se em: Sistema exteroceptivo;Sistema proprioceptivo;Sistema interoceptivo. OBS: Nem todas as informações se tornam conscientes, produzindo percepção; algumas são utilizadas inconscientemente para coordenação da motricidade e do funcionamento dos órgãos internos. Enquanto as vias conscientes (cerebrais) mostram conexões formadas por três neurônios, nas vias inconscientes (cerebelares) temos dois neurônios. Consideramos no estudo das vias conscientes: Neurônio I – geralmente localizado fora do sistema nervoso central, em um gânglio sensitivo do tipo pseudounipolar, onde sua bifurcação em “T” apresenta um prolongamento central que penetra no SNC pela raiz dorsal de um

Articulações do esqueleto apendicular superior: cintura escapular | Colunistas

Imagem: depositphotos Palavras-chave: membro superior; cintura escapular; esqueleto apendicular. Definição O esqueleto humano pode ser dividido em esqueleto axial, composto, no total, por 80 ossos distribuídos entre crânio, coluna vertebral, esterno e costelas; e esqueleto apendicular, este com 126 ossos distribuídos entre membros superiores, membros inferiores, cintura pélvica e cintura escapular. A cintura escapular é composta de duas clavículas e duas escápulas ligadas entre si por ligamentos. Trata-se de uma estrutura que sofreu adaptações à bipedia dos hominídeos, o qual as escápulas não estão mais conectadas entre si. Clavículas – Fonte: DepositphotosEscápulas – Fonte: Depositphotos Importância anatômica e funcional A cintura escapular, junto com suas articulações e músculos trabalhando sincronicamente, terá papel primordial na transferência de força para a coluna vertebral e na grande amplitude de movimentos do membro superior. Vale ressaltar que justamente por seu grande grau de mobilidade existente, também pode se apresentar como um dos complexos articulares mais instáveis, muito suscetível a lesões. É a cintura escapular que permite deslocar um segmento móvel (úmero) em seu ponto fixo (escápula), se deslocando no corpo. Músculos anteriores São aqueles que auxiliam na movimentação do cíngulo do membro superior: Músculo SubclávioMúsculo Peitoral MenorMúsculo Serratil Anterior Na tabela abaixo você pode acompanhar as características principais de cada tipo de músculo:  LocalizaçãoFormatoInserção ProximalInserção DistalFunçãoMúsculo SubclávioInferiormente à clavícula; posição quase horizontal quando o braço está em posição anatômica.Músculo pequeno e redondo.Junção da costela I e sua cartilagem costal.Face inferior do terço médio da clavícula.-Garantir alguma proteção para os vasos subclávios e o tronco superior do plexo braquial se houver fratura de clavícula;