Karollyne Morais

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Permanência Estudantil e Maternidade | Colunistas

Permanência estudantil constitui qualquer tipo de auxílio ao aluno que proporcione as condições mínimas necessárias para a conclusão do curso. O conceito é abrangente e não inclui apenas auxílio financeiro, mas diz respeito aos aspectos pedagógicos, econômicos, psicológicos e socioculturais. Dentro de universidades públicas é possível encontrar uma pluralidade de situações de vida que facilitam ou dificultam a permanência do estudante dentro do curso. Existem estudantes ricos, pobres, brasileiros, estrangeiros, que trabalham, que cuidam de outras pessoas da família, que vieram de outros estados, de todos os gêneros e idades. Cada uma dessas condições compreende necessidades e vulnerabilidades próprias, que podem atrapalhar e interferir na qualidade da formação acadêmica e até mesmo impedir que esse aluno chegue à formatura. Uma universidade idealmente igualitária está atenta a essas questões e dispõe de ferramentas e estratégias para ofertar suporte aos alunos dentro de suas necessidades nas diversas condições de vida. Isso requer recursos financeiros, pessoal qualificado, espaços que atendam a essas necessidades, leis que orientem e regulem o acesso, acolhimento e escuta ativa através das iniciativas dos alunos e professores. Uma universidade verdadeiramente acessível e de portas abertas. Infelizmente, não é essa a realidade de muitas universidades e faculdades (públicas e particulares) Brasil afora. Milhares de estudantes enfrentam inúmeras dificuldades que se tornam um empecilho à sua formação e não encontram na universidade esse espaço de acolhimento, escuta e apoio. Expressivamente, os números de estudantes em situações de vulnerabilidade social são preocupantes, em especial os que são estudantes de universidades públicas ou são bolsistas em faculdades particulares (como PROUNI e FIES, por exemplo). Há relatos de estudantes em graves situações de pobreza e até fome. As condições alarmantes em que muitos universitários vivem incluem muitas outras necessidades como locomoção, acessibilidade, falta de

Medicina depois dos 30 | Colunistas

Fazer um curso superior é considerado um grande desafio mesmo quando você faz isso por volta dos 18 anos, com apoio dos pais e todos os conhecimentos do ensino médio fresquinhos na cabeça. Imagine, agora, esse desafio sendo enfrentado em meio a inúmeras responsabilidades como trabalho, casamento, filhos. Existem muitas pessoas que decidiram enfrentar esse cenário e provavelmente você conhece alguém assim (ou é essa pessoa). Um número crescente de profissionais já formados e estáveis em suas carreiras, depois dos 30 anos de idade, estão voltando a estudar para realizar seus sonhos pessoais e eles têm se tornado cada vez mais presentes nas turmas dos cursos de medicina. Inúmeras razões afastaram essas pessoas desse objetivo quando eram mais jovens, como a falta de recursos para investir em um cursinho, a necessidade de trabalhar e ter estabilidade financeira, o desejo de ter um emprego público, filhos e outros projetos. Ou, simplesmente, essas pessoas amadureceram pessoal e profissionalmente e se descobriram como futuros médicos. Todos eles têm em comum o desejo de exercer a medicina. Muitas pessoas que desejam transformar esse sonho em realidade enfrentam, antes mesmo da faculdade, um processo muito delicado que é a transição de carreira. Entre a decisão de mudar de profissão e a matrícula no curso de medicina, existe um período de incertezas, fragilidades e questionamentos. Nesse período de planejamento, cursinhos pré-vestibulares, preparação e mudança de rota, esses profissionais enfrentam muitas vezes a solidão e precisam estar firmes em seus propósitos para conseguir seguir em frente mesmo diante das dificuldades. Abandonar anos de uma profissão, amigos, negócios, ouvir o julgamento das pessoas e experienciar a sensação de retrocesso podem ser fatores limitantes que mantêm muitos desses profissionais presos às suas antigas formações, mesmo que elas não lhes proporcionem realização plena.