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Diabetes Mellitus tipo 2: Resumo com mapa mental | Ligas

Definição O diabetes mellitus (DM) consiste em um distúrbio metabólico caracterizado por hiperglicemia persistente, decorrente de deficiência na produção de insulina ou na sua ação, ou em ambos. A classificação da doença se baseia na etiologia. O DM2 cursa primariamente com resistência periférica à insulina, que ao longo do tempo se associa à disfunção progressiva das células beta. Trata-se de doença poligênica, com forte contribuição da herança familiar e de fatores ambientais. Epidemiologia O DM é um importante e crescente problema de saúde a nível mundial, que independe do grau de desenvolvimento de cada país. Estima-se que 8,8% da população global com 20 a 79 anos viva com diabetes e que aproximadamente 50% dos diabéticos desconhecem que têm a doença. No Brasil, cerca de 16 milhões de pacientes possuem DM, tornando o 5° país com mais casos. Entre as doenças crônicas não transmissíveis, o DM2 corresponde a aproximadamente 90% de todos os casos de diabetes. Esse cenário acarreta um alto custo social e financeiro ao paciente e ao sistema de saúde, além de prejuízos à qualidade de vida desse indivíduo, uma vez que o DM2 também está associado a complicações como insuficiência renal, amputação de membros inferiores, doenças cardiovasculares, entre outras. Apesar de ser tradicionalmente descrito como próprio da maturidade, com incidência após a quarta década, o DM2 tem sido cada vez mais observado em crianças e jovens. Quanto à magnitude dos custos envolvidos com a DM no Brasil, até 15,3% dos custos hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, no período entre 2008 e 2010, foram atribuídos ao diabetes. De acordo com dados da 9ª edição do Atlas de Diabetes da IDF, 10% da despesa mundial em saúde é direcionado ao

Demência: Resumo e mapa mental | Ligas

Definição A demência é definida como um transtorno cognitivo maior, caracterizado pelo declínio das funções cognitivas que trazem prejuízo ao desempenho das atividades cotidianas. Ocorre uma deterioração adquirida, normalmente de forma insidiosa e progressiva, porém, existem formas raras de instalação aguda ou subaguda. É de grande importante a identificação de quadros reversíveis que estejam causando uma síndrome demencial, como é o caso do delirium, do hipotireoidismo e da depressão. Epidemiologia No Brasil, atualmente, há em torno de 1,2 milhão de pessoas acometidas pela demência. As projeções indicam que em 2050, a nível mundial, haverá cerca de 131 milhões de pessoas afetadas pela doença. A demência apresenta uma baixa prevalência no grupo de indivíduos abaixo de 50 anos. Estima-se que em países em desenvolvimento, como o Brasil, a prevalência dobre a cada 5 anos de aumento de idade, variando de 3% aos 70 anos para 20-35% aos 85 anos. Fisiopatologia Existem diversos tipos de demência, como a causada pela doença de Parkinson, a demência vascular e a demência por Corpos de Lewy, e a fisiopatologia vai depender do tipo de demência abordada. Tais tipos possuem causa multifatorial, mas a idade avançada é o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença, e a baixa escolaridade interfere diretamente nesse processo. Predisposições genéticas também atuam como fator de risco, mas o mecanismo ainda não é bem descrito. Quadro Clínico A demência apresenta um quadro clínico irreversível, em que ocorre comprometimento de ao menos 2 dos seguintes domínios cognitivos: memória, função executiva, habilidades visuais-espaciais, linguagem e comportamento. Na maioria dos casos, a família ou seus cuidadores percebem e relatam mudanças nos hábitos do paciente, como agitação e

Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA): resumo com mapa mental | Ligas

Definição e quadro clínico A Esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença degenerativa em que há o comprometimento gradual de neurônios motores superiores e inferiores, ocasionando a perda progressiva de movimento, força e coordenação muscular. Consequentemente, o paciente encontra cada vez mais dificuldade na execução de tarefas rotineiras, tendo em vista as fasciculações, a hiperreflexia e a paresia presentes no quadro clínico.  Os achados clínicos variam de acordo com a altura nos neurônios que foram acometidos, se foram superiores (NMS) ou inferiores (NMI). A degeneração dos NMS, portanto, causa movimentos lentos e fracos, perda da coordenação motora e tônus espástico, enquanto o acometimento dos NMI leva a câimbras musculares, atrofia muscular e fraqueza. Além disso, a lesão dos neurônios do tronco encefálico, como os do bulbo, leva à labilidade emocional, disfagia e disartria. Fisiopatologia A etiologia da ELA ainda é pouco conhecida, fazendo com que haja um menor entendimento de sua fisiopatologia. Sabe-se que há um comprometimento neuronal de rápida progressão, onde os neurônios motores periféricos começam a se degenerar no corno anterior da medula e no tronco encefálico, impossibilitando os arcos reflexos e contrações voluntárias. Os músculos vão sendo afetados sucessivamente até que haja o comprometimento da musculatura respiratória, ocasionando a morte. Ademais, a ELA não afeta os sentidos (visão, olfato, paladar, audição e tato), nem sequer a competência racional e de pensamento do indivíduo acometido.  Até a metade da clínica da doença os neurônios que inervam os esfíncteres do intestino e da bexiga são poupados, todavia, quando a mesma está avançada, eles acabam também sendo acometidos. Atualmente, considera-se fatores genéticos e exógenos para o processo de destruição neuronal. Primeiramente, mutações em genes como SOD1, FUS, ANG, ALS2, SETX, entre outros, foram

Miopatias Inflamatórias Idiopáticas: Polimiosite e Dermatomiosite | Ligas

As miopatias inflamatórias idiopáticas constituem um grupo de doenças que possuem como característica o desenvolvimento inexplicado de um processo inflamatório não supurativo na musculatura esquelética, que se manifesta clinicamente por fraqueza muscular. São classificadas em Polimiosite (PM), Dermatomiosite (DM), Miosite por Corpos de Inclusão (MCI) e Miopatia Necrosante Imunomediada (MNI). Epidemiologia A DM e PM atingem predominantemente mulheres. Com relação à faixa etária mais acometida, a DM apresenta distribuição bimodal com pico da prevalência na infância (7 aos 15 anos) e na meia‑idade (30 aos 50 anos), enquanto a PM apresenta o pico de prevalência na meia‑idade (50-60 anos). Já a MCI afeta, mais frequentemente, homens acima dos 50 anos. Etiologia  O desenvolvimento da doença é associado a pré-disposição genética (relação com o HLA) e a fatores ambientais, como agentes infecciosos (vírus da influenza, HIV, HTLV1, Toxoplasma gondii, gênero Borrelia e micobactérias), radiação UV e malignidade. Fisiopatologia  A fisiopatologia das miopatias inflamatórias permanece pouco compreendida. Essas desordens têm em comum a atuação do sistema imunológico levando a danos musculares. Na DM, há participação da imunidade humoral com a produção de autoanticorpos e da imunidade celular com infiltrado inflamatório perivascular de linfócitos T CD4. Na PM, as células do sistema imunológico adaptativo invadem as fibras musculares motivadas por antígenos, ocorrendo infiltrado inflamatório endomisial de linfócitos T CD8. A MNI, normalmente, ocorre em associação ao tratamento com estatinas, com formação de autoanticorpos contra o HMGCoA. A suprarregulação dessa enzima no músculo desencadeia a reação imunológica. Na MCI há degeneração de miofibrilas, gerando agregados de proteínas e levando à participação do sistema imunológico. O envolvimento da imunidade na MCI é inegável

Diretriz sobre Mieloma Múltiplo e idade limite para a realização do transplante autólogo de células tronco hematopoéticas | Ligas

A diretriz “Mieloma Múltiplo – Qual a idade limite para a realização de transplante autólogo de células tronco hematopoéticas” foi elaborada em setembro de 2020 pela Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular. Possuindo como objetivo identificar a idade limite para realização do transplante autólogo de células tronco hematopoéticas, definindo os benefícios e danos para as idades analisadas. Sabe-se que no transplante autólogo as células provêm do próprio indivíduo transplantado e aumentam a sobrevida dele, por isso é necessária a realização de diversos estudos aprofundando quais pacientes são elegíveis ao transplante citado. Metodologia Foi realizada uma revisão sistemática, com os seguintes elementos de elegibilidade dos estudos:     1- Pacientes adultos com diagnóstico de Mieloma Múltiplo;     2- Comparação entre grupos: idosos (mínimo de 60 anos) e não idosos (menor que 60 anos);     3- Uso monoterápico de Melfalano (100-280 mg/m) como regime de condicionamento;     4- Sem limite de período;     5- Sem limite de idioma;     6- Texto completo disponível para acesso;     7- Transplante autólogo ou alogênico Tandem foram excluídos. Durante a busca foram recuperados 3.271 e 2.766 trabalhos nas bases Medline e EMBASE respectivamente. Após a eliminação das duplicatas e atendendo aos critérios de elegibilidade foram selecionados 21, dos quais foram excluídos 17, restando 4 estudos para sustentar as recomendações. Os principais motivos de exclusão dos 17 estudos foram: ausência de dados de sobrevida global, livre de progressão, resposta ou toxicidade; ausência de comparação entre idosos e não idosos; séries de casos; revisão sistemática ou não. Tabela 1: Descrição dos estudos incluídos (Fonte: Associação Brasileira

Diretriz sobre Diagnóstico, Prevenção e Tratamento de Complicações Tromboembólicas na COVID-19 | Ligas

A Diretriz sobre Diagnóstico, Prevenção e Tratamento de Complicações Tromboembólicas na COVID-19, foi elaborada em junho de 2020 pela Associação Brasileira de Hematologia e Terapia Celular (ABHH), Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia e pelo Comitê de Trombose e Hemostasia da ABHH. O projeto de diretriz visa combinar informações na área da saúde para padronizar as condutas, auxiliar no raciocínio clínico e na tomada de decisões dos médicos frente à COVID-19. Métodos Foi feita uma revisão de literatura e discussão de evidências disponíveis a respeito da associação entre coagulopatia, trombose e COVID-19 por um painel de especialistas com 15 membros da SBTH e do Comitê de Hemostasia da ABHH. O banco de dados usado foi o MEDLINE. As pesquisas utilizaram os termos MESH relacionados à exposição (ou seja, coronavírus 2019, SARS-COV-2, COVID-19, sepse, SARS), intervenções (ou seja, anticoagulante, antiagregante, testes) e desfechos (ou seja, hemostasia, coagulação, tromboembolismo venoso, embolia e trombose). Estudos clínicos, particularmente relatos de casos, séries de casos, relatos de resultados terapêuticos, coortes prospectivas e casos-controle, foram selecionados para esta revisão. Não foi possível organizar um guia formal, baseado em evidências sobre os assuntos, diante da falta de ensaios clínicos robustos sobre prevenção e tratamento do tromboembolismo venoso e pelo fato da literatura médica estar em rápida evolução. As informações contidas neste documento são internacionais e foram adotadas no contexto do Brasil. Papel da coagulação intravascular disseminada na COVID 19 A evolução da sepse e a resposta aos patógenos envolvem a ativação de múltiplos sistemas entre os quais a imunidade inata e a hemostasia. Há evidências de que ambos sistemas contribuem para a erradicação de patógenos, facilitando o acesso e a função microbicida dos fagócitos. No entanto, o desequilíbrio ou a

Caso Clínico: Tuberculose | Ligas

LCSM, masculino, 45 anos, é admitido por interno de medicina no serviço de emergência do hospital universitário devido à tosse persistente por mais de 3 semanas, sendo o que mais o incomodava, associada à emagrecimento (5 Kg nas últimas semanas) e febre vespertina. Relata ter feito tratamento com antibiótico prévio, mas não teve melhora. Nega comorbidades, alergias e cirurgias prévias. É fumante de um maço de cigarro por dia desde os seus 25 anos, mas nega uso de drogas ilícitas. Relata que não sabe da saúde dos pais e que seu único irmão é saudável, não apresentando nenhum sintoma como os dele. Mora com irmão em casa de alvenaria com um quarto e um banheiro, sem nenhuma janela, e tem várias parcerias sexuais. Ao exame: encontra- se emagrecido, em regular estado geral, lúcido e orientado no tempo no espaço, corado, hidratado, anictérico e acianótico. Sinais vitais: TAX: 37,9 °C; SatO2: 97 %; FC: 104 bpm; FR: 22 irpm; PA: 100 x 60 mmHg MSE sentado. Em exame do aparelho respiratório apenas o murmúrio vesicular encontrava-se diminuído no ápice do hemitórax esquerdo. O restante do exame físico estava em padrão de normalidade. O interno supervisionado pelo residente de plantão solicitou um raio-x de tórax, que demonstrou uma cavitação no lobo superior do pulmão esquerdo. Após imagem, o paciente fez o teste rápido para tuberculose, que veio positivo porém com detecção de resistência à Rifampicina. Pergunta-se: a) Qual o próximo passo a ser feito diante do supracitado no caso? O Ministério da Saúde recomenda, através de fluxograma no último manual de recomendações para tratamento de tuberculose (2019), que após TRM-TB positivo com resistência à Rifampicina se faça outro teste rápido mais cultura e teste de

Caso Clínico: Endocardite Infecciosa | Ligas

Homem de 27 anos dá entrada em emergência com história de duas semanas de febre, tosse produtiva e dor torácica pleurítica. Tem apresentado calafrios de forma intermitente e sudorese noturna. Apresenta diminuição do apetite e perda ponderal de 3 kg. Nega contato com pessoas doentes. O paciente tem percebido ocasionalmente sangue ao urinar. Não usa medicamentos e nega antecedentes médicos. Faz uso diário de heroína injetável, fuma tabaco e maconha, mas não ingere bebida alcoólica. Está desempregado e não fez viagem recente. Ao exame físico, o paciente encontrava-se emagrecido e com aparência de doente. Temperatura axilar de 38,5 °C, FC = 115 bpm e PA = 92 x 65 mmHg. As mucosas estavam secas, a dentição em mal estado e estava anictérico. Ausculta repiratória apresentava roncos na região apical direita e base pulmonar à esquerda. Apresentava jugulares túrgidas a 45°. O ritmo cardíaco era regular e taquicárdico, bulhas normofonéticas e um sopro holossistólico intenso, no bordo inferior do esterno à esquerda. Abdome indolor com peristalse presente. Sua pele revelava lesões maculares eritematosas esparsas e indolores na palma da mão direita e marcas de agulha em ambos os braços. No exame laboratorial apresentava leucocitose (19000 cel/mm3 com 78 % de segmentados e 11 % de bastões). Exame radiológico do tórax revelava imagens esparsas em forma de cunha no lobo superior direito e lobo inferior esquerdo. O ECG apresentava taquicardia sinusal com intervalo PR normal. Pergunta-se: a) Quais os dados do caso supracitado levariam a pensar em Endocardite Infecciosa? Adultos jovens e usuários de drogas ilícitas IV são um importante grupo de risco para EI. Os sintomas iniciais incluem perda ponderal, febre, calafrios e sudorese associados. Comprometimentos renais, como glomerulonefrite, também estão entre os principais

Resumo sobre Endocardite Infecciosa | Ligas

A endocardite infecciosa (EI) é uma doença grave, potencialmente fatal, que consiste no acometimento das valvas cardíacas e do endocárdio mural por agentes infecciosos, mais comumente bactérias. A colonização ou invasão dessas estruturas por microrganismos pode levar à formação de vegetações, coágulos de plaquetas e fibrina infectados, contendo ainda leucócitos e hemácias, e à destruição dos tecidos cardíacos subjacentes. A EI é classificada com base na sua manifestação clínica como aguda ou subaguda, refletindo a etiologia, gravidade e ritmo da doença. Epidemiologia A incidência de EI varia de um país para outro, sendo estimada em aproximadamente 3-10 episódios por 100.000 pessoas ao ano. O número de casos notificados muda drasticamente com a idade. A doença afeta em maior proporção idosos entre 70 e 80 anos como resultado de procedimentos associados a cuidados de saúde, tanto em pacientes sem patologias valvares prévias quanto em pacientes com valvas protéticas. Adultos jovens usuários de drogas IV ou portadores de doenças valvares, sendo a cardíaca reumática a mais comum em países em desenvolvimento, também são considerados grupo de risco. Apesar de acometer mais pacientes do sexo masculino, pacientes do sexo feminino têm pior prognóstico. Os fatores epidemiológicos também estão relacionados ao agente causal. Um aumento na taxa de EI estafilocócica foi observado devido ao crescente número de casos de hemodiálise crônica, diabetes mellitus, uso de drogas IV e inserção de dispositivos intravasculares, sendo estes fatores associados ao desenvolvimento de endocardite por Staphylococcus aureus. Infecções fúngicas são responsáveis por menos de 5% dos casos enquanto estreptococos do grupo viridans, junto com S. aureus, são responsáveis por 50% a 70% das infecções em válvulas cardíacas. Quanto à mortalidade, vale salientar que mesmo com o advento de