Marina Baeta

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Alterações neurofisiológicas envolvendo acuidade visual reduzida | Colunistas

A acuidade visual (AV) é a capacidade de percepção de objetos e formas, principalmente pela fóvea, sendo determinada pela habilidade de distinguir dois estímulos separados no espaço em contraste com o fundo. Portanto, quanto melhor a AV, melhor a nitidez dos objetos em foco. Trata-se de um dos parâmetros para avaliar o desempenho funcional do sistema visual, além do campo visual.1, 2 A alteração visual pode ser classificada como oftalmológica ou neurológica. Esta última classificação pode denominar tanto a lesão das vias ópticas quanto de motricidade muscular (lesão do nervo ou músculo). Esse artigo visa abordar o sistema visual, algumas causas neurofisiológicas de baixa acuidade visual e os sintomas apresentados pelos pacientes com esse tipo de comprometimento. O Sistema Visual O sistema visual tem início na função receptora e neural da retina, em que a luz alcança a retina atravessando todas as suas camadas até atingir a camada pigmentar. De forma sucinta, a luz provoca a degradação de substâncias químicas nos cones e bastonetes (fotorreceptores), excitando neurônios das camadas subseqüentes, as células bipolares e ganglionares. Os axônios dessas últimas dirigem-se para a papila (ou disco óptico), região desprovida de fotorreceptores e considerada o início do nervo óptico, sendo referenciada como o ponto cego da retina (figura 1A).3,4 Como a retina não é um tecido homogêneo, há certa perda da acuidade visual, exceto pela região central da mácula – a fóvea, na qual as camadas internas são deslocadas lateralmente para mitigar essa perda de acuidade (figura1B).3 A fóvea não se diferencia do restante da retina apenas pela densidade celular mais seletiva, mas também pela presença apenas

O paciente oncológico na pandemia COVID-19 | Colunistas

Também referenciado como SARS-CoV-2, o novo coronavírus COVID-19 tem provado sua alta transmissibilidade desde sua emergência em dezembro de 2019. Até o momento desta publicação, há mais de 3 milhões de pessoas infectadas em mais de 200 países. Pesquisas aventam que 14 a 19% dos pacientes infectados desenvolvem sequelas importantes associadas à síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), choque séptico e falência de múltiplos órgãos, sendo a taxa de mortalidade de 1 a 4% aproximadamente. Dentre a população mais susceptível às sequelas pela infecção por COVID-19, os pacientes oncológicos são especialmente vulneráveis devido à imunossupressão de algumas das patologias e tratamentos, à maior prevalência de comorbidades (hipertensão, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica, doenças cardiovasculares e doenças cerebrovasculares) e, nos casos de neoplasia de pulmão, ao comprometimento pulmonar inerente. Um estudo coorte conduzido em um hospital na cidade de Nova York demonstrou recentemente que pacientes oncológicos têm uma taxa de mortalidade por COVID-19 significativamente maior quando comparados aos pacientes não oncológicos (28% vs 14%, p=8.46 x 10-7). Pacientes com neoplasias hematológicas foram associados a uma taxa de mortalidade ainda maior (37%) quando comparados aos pacientes com tumores sólidos (25%). Ressalta-se que pacientes com neoplasias hematológicas tendem a ser manejados com terapia mielossupressora, e são frequentemente muito imunocomprometidos devido à doença de base. Além desses dados, uma análise recente publicada no British Medical Journal (BMJ) estima que haverá um aumento de 20% de mortes em pacientes com um novo diagnóstico de câncer no próximo ano em decorrência da pandemia do COVID-19. Essas mortes adicionais serão não apenas devido à infecção de pacientes oncológicos pelo coronavírus, como também à custa do diagnóstico e tratamento tardios do câncer, tendo o paciente sua quimioterapia postergada por exemplo. Essa

Por que é tão difícil diagnosticar doenças autonômicas? | Colunistas

A disautonomia é um transtorno provocado por alterações do sistema nervoso autônomo (SNA) envolvendo mais comumente o comprometimento – além da hiperfunção – das atividades vegetativas desse sistema, como a frequência cardíaca (FC), a pressão sanguínea, digestão e controle da temperatura. A disautonomia não é uma doença rara: mais de 70 milhões de pessoas no mundo, independente de idade, gênero ou raça, convivem com o transtorno. Apesar da alta prevalência, a maioria dos pacientes leva anos para receber o diagnóstico, principalmente devido à variabilidade com que a doença se apresenta e à falta de conhecimento dos profissionais da saúde sobre o transtorno. Além dos sintomas não serem tão evidentes, eles podem ser vagos e intermitentes, variando inclusive de intensidade em diferentes dias. Em muitos casos, por ser uma doença de difícil diagnóstico e compreensão, os pacientes são frequentemente julgados por seus sintomas – especialmente no âmbito psiquiátrico – e sentem-se vulneráveis, optando por velar sua condição.  Classificação A doença autonômica pode manifestar-se localmente, como na distrofia simpática reflexa, ou de forma generalizada, envolvendo a insuficiência autonômica pura (também denominada síndrome de Bradbury-Eggleston). O transtorno pode ser classificado também como agudo e reversível, como na síndrome de Guillain-Barré, ou como crônico e progressivo.  A origem da doença também pode ser usada como classificação, ocorrendo como condição primária ou em associação à uma doença neurodegenerativa prévia (secundária), como a doença de Parkinson. Sintomas e Diagnóstico Como mencionado anteriormente, o diagnóstico de uma disautonomia é difícil uma vez que os sintomas variam de acordo com a doença de base (quando há alguma) e em função dos órgãos afetados pelo desequilíbrio simpático/parassimpático. Somado a isso, diferentes sinais do transtorno ainda

Tumores cerebrais: uma revisão | Colunistas

Tumores cerebrais são comuns na população geral e sua prevalência tem aumentado devido não somente aos avanços no diagnóstico, como também no manejo e sobrevida dos pacientes com esses tumores. Para o Brasil, estimam-se 5.870 casos novos de câncer do sistema nervoso central (cérebro principalmente) em homens e 5.220 em mulheres, para cada ano do triênio 2020-2022. Diante deste cenário, ressalta-se o papel vital dos profissionais da saúde no diagnóstico adequado dos tumores cerebrais e na complexa coordenação do cuidado do paciente. Definição e classificação quanto à origem Tumores cerebrais constituem massas de células anormais, neoplásicas ou não, compreendidas dentro do crânio. Independentemente do sítio primário do qual as células tumorais no cérebro advenham, todos os tumores cerebrais são potencialmente fatais (figura 1). Considerando ainda que o cérebro está confinado ao crânio, não há possibilidade de expansão à medida que a massa tumoral cresce. Por conseguinte, o tumor pode comprimir e deslocar o cérebro, podendo causar edema do tecido e bloqueio da dinâmica do líquido cefalorraquidiano com consequente aumento da pressão intracraniana e herniação do tecido cerebral. Tumores cerebrais primários tem sua origem no cérebro e costumam não metastizar para outras partes do corpo. Esses tumores podem ser benignos ou malignos. Os tumores primários benignos são indolentes com margens bem definidas que raramente se disseminam. Ainda que as células deste tumor não sejam malignas, elas podem configurar um risco de vida a depender da localização, acometendo uma área vital do cérebro. Os tumores primários malignos crescem rapidamente sem regularidade de margem, acometendo regiões cerebrais próximas. Tumores cerebrais secundários, referidos também como metástases intracranianas, têm sua origem em outra localização do corpo. Os tumores primários que comumente originam metástases cerebrais são as

Emergências oncológicas | Colunistas

Ainda que uma pequena porcentagem dos pacientes oncológicos apresente uma complicação emergencial relacionada ao câncer, para alguns, essa complicação pode ser a primeira manifestação da doença. O Instituto Nacional do Câncer estima que em 2020 haverá mais de 625 mil novos casos de câncer no país, justificando a importância do médico no diagnóstico e manejo de tais emergências. Nesse artigo, as emergências serão abordadas de acordo com os sistemas que acometem. 1. Emergências Metabólicas 1.1 Hipercalcemia A presença de hipercalcemia no paciente oncológico representa um fator de mau prognóstico e de menor sobrevida. Essa emergência oncológica responde por 80% dos casos de hipercalcemia, envolvendo principalmente tumores sólidos. A causa mais comum dessa condição é a produção de proteína relacionada ao hormônio da paratireóide (PTHrP) e de paratormônio (PTH) pela célula tumoral, estimulando a atividade de osteoclastos. A hipercalcemia também pode ocorrer devido à destruição óssea (osteólise) por conta de metástases nesse local. Quando severa e de início rápido, a hipercalcemia pode causar disritmias cardíacas, como bradicardia, encurtamento do intervalo QT e até mesmo parada cardíaca. Entretanto, o manejo terapêutico adequado tanto da hipercalcemia quanto do câncer melhora esses desfechos clínicos. 1.2 Síndrome da Lise Tumoral A Síndrome da Lise Tumoral (SLT) é resultante da morte de células neoplásicas, cujo conteúdo intracelular é liberado na circulação. Essa emergência é mais comum após quimioterapia citotóxica e em pacientes com câncer de comportamento agressivo como linfoma de alto grau, leucemias agudas carcinoma de pulmão de pequenas células. Devido ao catabolismo do conteúdo da célula tumoral, o paciente apresenta primeiramente hipercalemia (podendo resultar em arritmias cardíacas fatais), hiperuricemia (com risco de injúria renal aguda), hiperfosfatemia, e subsequente hipocalcemia. A SLT envolve sabidamente convulsões, arritmias e

Transplante de células-tronco hematopoiéticas | Colunistas

O primeiro transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) foi realizado em 1957 como nova forma de tratamento oncológico. Desde então, o procedimento evoluiu bastante a ponto de atualmente serem feitos mais de 50 mil TCTHs por ano no mundo, tanto para doenças malignas como benignas. Esse artigo aborda conceitos importantes do procedimento que são essenciais para a prática clínica diária. Como funciona o TCTH? O objetivo principal do TCTH é a cura de doenças malignas ou hematológicas, onde primeiramente o paciente – nesse caso, o receptor- é submetido à quimioterapia ou radioterapia, ou ambos (regime de condicionamento). Esse processo provoca a morte das células da medula óssea e do sistema imune, doentes ou não. Após uma análise diligente de compatibilidade entre doador e receptor, este último recebe do primeiro células-tronco e células do sistema imune saudáveis. Ressalta-se a importância da compatibilidade não ser total, pois havendo células doentes residuais no receptor, o enxerto erradicará esse remanescente pelo efeito enxerto versus tumor. Tipos de TCTH O TCTH é classificado pela origem do enxerto e pela relação entre doador e receptor. As células-tronco podem ser obtidas através do sangue periférico, medula óssea ou unidades de cordão umbilical. O TCTH pode ser ou autólogo, em que as células são provenientes do próprio receptor, ou alogênico, no qual o enxerto é obtido de outro indivíduo ou de unidades de cordão umbilical (Figura 1). Diferenças quanto à fonte do enxerto As células-tronco costumavam ser obtidas diretamente da medula óssea do doador na sala de cirurgia. Com a introdução do fator estimulante de colônia de granulócitos, essas células-tronco passaram a ser obtidas mais comumente através do sangue periférico tanto para transplante autólogo quanto alogênico. Após a administração

10 Problemas de saúde comuns na Síndrome de Down | Colunistas

A síndrome de Down (SD) é uma das principais causas de deficiência intelectual, sendo a incidência influenciada pela idade materna e distribuída em uma proporção de 1:319 a 1:1000 nascidos vivos. A SD tem alta complexidade genética e variabilidade fenotípica, sendo a causa mais comum a presença de uma cópia extra do cromossomo 21 (cariótipo: 47, XX ou XY, + 21). Outras causas incluem translocação Robertsoniana (2-4% dos casos, cariótipo: 46, XX ou XY, -14, +t(14,21)) e mosaicismo (1-2% dos casos). Fetos trissômicos possuem risco elevado de abortamento e pessoas com SD têm maior incidência de desenvolver uma miríade de desordens médicas. Os recentes avanços na medicina e suporte social aumentaram a expectativa de vida dessa população, sendo a idade média de 55 anos em um país desenvolvido. Os aspectos clínicos da doença serão abordados a seguir. 1.   Características dismórficas 1.1. Cabeça e Pescoço Fissura palpebral oblíqua, dobra epicântica e braquicefalia são características quase que universais na SD (figura 1). Outros aspectos estão presentes em 47 a 82% dos pacientes, como perfil facial e ponte do nariz achatados, orelhas displásicas, dobradas, e com baixa implantação, manchas de Brushfield, boca aberta, língua protruída e fissurada, pescoço curto, excesso de pele na nuca, palato estreito e  dentes anormais. Um importante aspecto devido à hiperflexibilidade articular é a instabilidade atlantoaxial com possível subluxação da espinha cervical. 1.2. Extremidades Mãos pequenas e amplas, quinto dedo levemente curvado com hipoplasia da falange média, prega palmar transversal única (figura 2), espaço aumentado entre primeiro e segundo dedos do pé (chamado a diferença da sandália) e hiperflexibilidade articular. 1.3. Características neonatais Abaixo a lista das 10 características mais comuns de SD

Aplicações da Medicina Biônica | Colunistas

The revolutions in biotech and infotech will give us control of the world inside us, and will enable us to engineer and manufacture life. Yuval Noah Harari A Medicina Biônica é um campo de atuação e pesquisa médicas promissor envolvendo a intersecção da medicina com a engenharia biomecânica. A principal base dessa nova tecnologia está em como os nervos respondem a estímulos elétricos, tencionando a substituição ou o aprimoramento de estruturas anatômicas e processos fisiológicos através de recursos eletrônicos e mecânicos. Fonte: http://www.bionicsinstitute.org/ Evidências de sucesso de modelos biônicos na medicina envolvem principalmente o manejo de desordens neurológicas, como o uso de estimuladores da medula espinhal para dor neuropática crônica, implantes cocleares para surdez e estimulação cerebral profunda tanto para doença de Parkinson quanto para tremor essencial. Aplicações ainda em estudo também já ganharam notoriedade, permitindo, por exemplo, que pacientes com lesão grave da medula espinhal possam agarrar objetos e controlar membros artificiais. Algumas das mais recentes tecnologias e projetos promitentes envolvendo o desenvolvimento de um “corpo biônico” serão abordadas a seguir. Membros biônicos O sistema nervoso central (SNC) baseia-se na propriocepção para controlar e corrigir os movimentos do corpo, influenciando no tônus muscular, equilíbrio postural, execução motora e coordenação, cinestesia, reflexos musculares e estabilidade articular. Em um indivíduo com o membro amputado, as vias aferentes responsáveis por essas habilidades estão comprometidas e, mesmo depois da perda do membro, os nervos remanescentes mantêm-se ativos, transmitindo impulsos que outrora seriam direcionados ao membro ausente. As próteses mecânicas garantem somente certo movimento a esses pacientes, uma vez que, por valerem-se apenas da propulsão muscular, carecem de mecanismos de propriocepção e, por conseguinte, do