Rafaelly Castro

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Caso clínico – Esquizofrenia se manifesta após episódio traumático e associada ao abuso de álcool | Colunistas

A esquizofrenia é uma desordem psiquiátrica crônica de bastante recorrência nos serviços de psiquiatria e que se caracteriza por episódios de psicose com alterações sensoperceptivas, como alucinações, desordem nos pensamentos e no julgamento da realidade, alteração nas emoções, afeto, cognição e comportamentos, sendo esses intercalados por períodos de abrandamento. Pesquisas atuais mostram que a prevalência média mundial é de, aproximadamente, 1% da população, sendo a esquizofrenia a 10ª causa mais comum de incapacidade em adultos jovens em todo o mundo.1 Sua incidência ocorre normalmente do final da adolescência até em torno dos 30 anos, sendo raros as manifestações antes da adolescência. Além disso, há discreta predominância no sexo masculino. A doença foi descrita já no século XIX por Benedict Morel (1809-1873), mas, a princípio, foi entendida como um quadro de demência precoce, já que era manifestada em adultos jovens e adolescentes. No final desse século, Emil Kraepelin, considerado o pai da psiquiatria moderna, diferenciou a então denominada “demência precoce” de outro quadro psicótico também comum nos adultos jovens, o Transtorno Bipolar, que diferente da “demência precoce”, não apresentava comprometimento cognitivo. E, somente no início do século XX, o psiquiatra Eugen Bleuer renomeou o quadro como esquizofrenia (“cisão da mente”).2 Com isso, o presente relato visa descrever um caso clínico relevante de um paciente com esquizofrenia manifestada após episódio traumático, associado ao abuso de álcool acompanhado pelo Centro de Apoio Psicossocial – Adulto de Votorantim – SP. Caso clínico Trata – se do paciente F.J.V., sexo masculino, 31 anos, branco, solteiro, natural e procedente de Votorantim – SP, ensino médio completo e curso técnico em informática, desempregado atualmente, mas já atuou em linha de produção de empresa de bebidas gaseificadas e em manutenção.

Doença de Pott – tuberculose óssea com apresentação em coluna vertebral em paciente idoso (caso clínico) | Colunistas

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada pela Mycobacteria tuberculosis com elevada prevalência mundial, sendo aproximadamente um terço da população mundial infectada pelo agente, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, apenas 5 a 10% dos infectados desenvolveram a doença ao longo da vida, estando intimamente relacionada a episódios de imunodeficiência ou reinfecção. Em território nacional, apresenta-se como uma doença endêmica estabilizada e de notificação compulsória, de acordo com o Ministério da Saúde. A tuberculose óssea é uma manifestação extrapulmonar da Mycobacteria tuberculosis incomum, apresenta aproximadamente 3% de todas as infecções e foi descrita por Percival Pott pela primeira vez no século XVIII. A instalação do agente no tecido ósseo se dá por disseminação linfo-hematogênica após a infecção pulmonar primária, e os principais sítios acometidos são a coluna vertebral – também denominada doença de Pott –, com praticamente 50% de todos os casos, as articulações coxofemorais e do joelho e as diáfises ósseas. Com isso, o objetivo deste relato é descrever o caso clínico de um paciente idoso acompanhado pelo ambulatório de geriatria do Conjunto Hospitalar de Sorocaba que apresentou quadro de tuberculose óssea com difícil diagnóstico. O caso apresenta relevância já que a manifestação óssea da tuberculose não tem grande incidência. Caso clínico Trata-se do paciente L. F. S., masculino, branco, 67 anos, natural de Recife (PE), precedente e residente em Sorocaba (SP), ensino fundamental incompleto e técnico em instalações hidráulicas. Paciente chegou no ambulatório de Geriatria do Conjunto Hospitalar de Sorocaba para consulta com queixas iniciais de dor nas costas, joelho e braço direito, acompanhadas de febre que se iniciaram há 3 anos. Durante levantamento da história clínica, notou-se queixa recorrente de artralgia em membros inferiores e na

Caso clínico: doença de Bowen pigmentada em vulva | Colunistas

A doença de Bowen foi descrita por John Bowen, em 1912 (1), como uma patologia pré-cancerosa, caracterizada pela displasia do epitélio e presença de queratinócitos atípicos com maturação desordenada, porém com membranas basais integras, afastando-se, assim, do diagnóstico de carcinoma epidermóide invasivo. A etiologia tem sido relacionada a diferentes agentes, dentre eles o Papilomavírus Humano, principalmente o subtipo HPV-16. Atualmente, a doença de Bowen tem sido relacionada ao carcinoma de células escamosas in situ ou o carcinoma intraepitelial, e sua incidência é maior em pessoas acima de 60 anos e caucasianos (2), como na paciente do caso relatado. Caso clínico Paciente M.A.C.S., sexo feminino, 86 anos, branca, viúva, natural e residente em Sorocaba-SP, ensino fundamental incompleto e atuou como funcionária doméstica. Seus antecedentes pessoais são: 10 partos normais, hipertensão arterial sistêmica, osteoporose, hipotireoidismo, ex-tabagista e duas cirurgias ginecológicas prévias (vulvectomia há 5 anos para ressecção de carcinoma espinocelular e reabordagem há 4 anos devido a recidiva da lesão). Acompanhada no ambulatório de patologias do trato genital inferior do Conjunto Hospitalar de Sorocaba há 3 anos, com queixas iniciais de prurido vulvar e presença de “mancha” (sic) em grande lábio esquerdo há 3 meses. Ao exame físico, lesão hipercrômica de aproximadamente 1,5 cm em grande lábio esquerdo, plana, de limites definidos, indolor. Sem outras alterações. À época foi solicitado biópsia da lesão, que apresentou desarranjo estrutural dos queratinócitos basais e parabasais, com polimorfismo, células disqueratócicas e apoptóticas solitárias, fechando diagnóstico para doença de Bowen. Como conduta, optou-se pela condução expectante com nova avaliação em 6 meses e uso de propionato de clobetasol tópico duas vezes por semana para tratamento do prurido. Nos últimos três anos, paciente manteve lesão vulvar hipercrômica com formato e tamanho