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Métodos contraceptivos e uma análise crítica | Colunistas

Métodos contraceptivos e uma análise crítica | Colunistas

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Brunna Gabi

8 minhá 36 dias

Os métodos contraceptivos são formas de prevenir a gestação em mulheres em idade fértil e que possuem vida sexual ativa. São muito importantes para o planejamento familiar e para prevenir gravidez indesejada e as consequências dessa situação que, infelizmente e apesar das opções que serão mostradas ao longo do texto, é muito comum.

Traremos informações sobre os métodos contraceptivos disponíveis para o uso da população, uma visão da eficácia de cada método, critérios de elegibilidade e quais são os disponibilizados pelo SUS.

Estão disponíveis para o uso da população diversos métodos contraceptivos. Eles podem ser definitivos ou reversíveis, dependendo da capacidade da mulher de engravidar ou não após a cessação de seu uso. Além disso, há uma grande variedade de características entre eles: eficácia, segurança e critérios de elegibilidade.

O advento do uso de métodos contraceptivos contribuiu significativamente para a queda da taxa de natalidade e de gestações indesejadas, assim como melhor planejamento familiar. No entanto, apesar de muito difundidos, estes métodos e sua utilização não são de conhecimento pleno por todos, principalmente pela população mais carente e menos escolarizada. Este é um dos principais motivos de ainda se ver um número grande de gravidez não planejada, gravidez na adolescência, abortos e abandono de menores.

Vamos agora, de maneira sucinta, conhecer tais métodos e seus usos.

Métodos contraceptivos existentes

Os métodos contraceptivos são divididos em:

  • Reversíveis: comportamentais, de barreira, dispositivos intrauterinos, hormonais e de emergência;
  • Definitivos ou cirúrgicos: esterilização cirúrgica feminina e esterilização cirúrgica masculina.

Métodos comportamentais: são conhecidos como métodos naturais e que levam em consideração o reconhecimento do período fértil. Compreende a abstenção periódica, em que o casal evita relações sexuais no período fértil feminino, reconhecido pelo tipo de secreção presente no colo do útero. Outro método comportamental é a relação sem que haja ejaculação na vagina, sendo o coito interrompido o mais utilizado.

Métodos de barreira: são obstáculos mecânicos, utilizados pelo homem ou pela mulher, que impedem que o espermatozoide ascenda até o útero. O condom masculino e feminino são muito eficientes também na proteção contra doenças sexualmente transmissíveis. Os espermicidas são substâncias utilizadas na vagina que inviabilizam os espermatozoides de ascenderem no trato genital feminino. O diafragma é uma membrana de silicone côncavo-convexa inserida na vagina, que protege o colo do útero e bloqueia a entrada dos espermatozoides. O capuz cervical também recobre a cérvice.

Dispositivo intrauterino (DIU): é um aparelho inserido dentro do útero que evita a gestação. Os mais utilizados são o DIU de cobre e o hormonal, com progesterona ou levonorgestrel. Provocam reação inflamatória no endométrio, o que interfere na fisiologia normal da migração espermática e sobrevida do óvulo. Além disso, o DIU hormonal interfere diretamente na ovulação.

Métodos hormonais: são métodos que utilizam hormônios (estrógenos e progestágenos) para alterar a fisiologia da ovulação e, assim, impedir a gestação sem restringir a prática de relações sexuais. Esses métodos são: contraceptivos orais combinados monofásicos, contraceptivos orais combinados bifásicos, contraceptivos orais trifásicos e contraceptivos orais só com progestágenos. Além destes, temos os injetáveis mensais e trimestrais, os implantes, os anéis vaginais, o DIU com progestágenos, como citado acima, e os adesivos cutâneos.

Normalmente, o estrogênio utilizado é o etinilestradiol, no entanto há muitas variedades de progestágenos compositores dos métodos, variando muito em efeitos e efeitos adversos.

Métodos de emergência: são métodos utilizados quando há relação sexual desprotegida e deseja-se prevenir uma gestação após o ato. São utilizados hormônios em uma dosagem elevada para atuar de algumas maneiras, como prevenindo a ovulação, com o transporte do embrião para o útero, ou inibindo a implantação no endométrio.

Esterilização cirúrgica feminina e masculina: são métodos definitivos, sendo o da mulher conhecido como ligadura das trompas e do homem como vasectomia. Embora esse método possa ser reversível em alguns casos, há um processo ético envolvido, decorrente principalmente do arrependimento de quem o faz. Por isso, antes que seja realizado, o paciente deve ter alguns critérios a serem obedecidos para autorização da cirurgia, como ter mais que 25 anos e no mínimo 2 filhos.

Eficácia dos métodos

Os métodos contraceptivos variam muito em opções e também em eficácia. Existem aqueles que oferecem menor risco de a mulher engravidar com seu uso e os que protegem menos contra a gestação.

Esses valores variam também com a forma de uso. Alguns métodos dão margem para uso incorreto e falho, o que diminui bastante sua eficácia. Um exemplo são as pílulas anticoncepcionais. Variações no horário, esquecimentos ou uso concomitante com antibióticos interferem na ação contraceptiva, aumentando os riscos de gestação indesejada.

Na tabela abaixo, é mostrada a porcentagem de mulheres que tiveram gravidez indesejada, com o uso do método, com o uso perfeito e com o uso típico, ou seja, com possíveis falhas.

Critérios de elegibilidade

Além de todos os dados trazidos a respeito dos métodos contraceptivos, tem-se mais um item a ser observado antes de sua prescrição, que são os critérios de elegibilidade. Nem todos eles podem ser prescritos para todos. Alguns podem causar efeitos adversos importantes que devem ser levados em conta no momento da conduta.

Abaixo será apresentada uma tabela com alguns critérios importantes para exemplificar.

Há também a roda de elegibilidade dos métodos contraceptivos, da Organização Mundial de Saúde, que elenca os principais métodos e seus critérios de uso para cada situação específica. Link abaixo:

https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/173585/9789248549250-por.pdf?ua=1

Quais são os métodos disponibilizados pelo SUS

Levando em conta a realidade econômica e social brasileira, considera-se que os métodos mais utilizados são aqueles disponibilizados pelo SUS. São eles: preservativo masculino e feminino, pílula combinada, anticoncepcional injetável mensal e trimestral, dispositivo intrauterino de cobre, diafragma, anticoncepção de emergência e minipílula.

Um ponto crítico é que, apesar de esses métodos serem disponibilizados, na teoria, pelo SUS, muitas vezes estão em falta nas Estratégias de Saúde da Família para distribuição para a população. Além disso, há também falta de conhecimento das pessoas de seus direitos de obterem esses métodos. Muitas pessoas nem conhecem os menos falados, como o diafragma.

Nesse sentido, nota-se a importância de mais investimentos em divulgação e educação sexual para jovens e adultos, com o intuito de difundir mais para todos as maneiras de se prevenir gestações não planejadas e estabelecer um melhor planejamento familiar.

Conclusão

Tivemos conhecimento, de maneira breve, dos principais métodos contraceptivos, seus usos e indicações, a eficácia de cada um e quais estão disponíveis na rede pública. Podemos concluir, portanto, que são muitas as maneiras de se prevenir uma gravidez, com métodos de adesão relativamente simples e, alguns deles, gratuitos. No entanto, sua prescrição deve ser cautelosa e individualizada, levando em consideração as peculiaridades de cada paciente.

Infelizmente, apesar de todos estes recursos, ainda há pessoas que não têm acesso ou não têm conhecimento adequado sobre eles. Situações como esta devem ser revertidas, evitando, assim, muitas situações desagradáveis, como aborto, abandono, depressão, pobreza extrema e gravidez precoce. Sabemos que dar amplo acesso aos métodos contraceptivos é de extrema importância e simples execução. É uma questão de redirecionamento nos investimentos em saúde.

Autora: Brunna Pereira

Instagram: @academica.cm

Referências

  1. CZEZACKI, Aline. Conheça os métodos contraceptivos oferecidos pelo SUS. Disponível em: http://www.blog.saude.gov.br/index.php/materias-especiais/51645-saiba-mais-sobre-os-metodos-contraceptivos-oferecidos-pelo-sus. Acesso em: 09 nov. 2020.
  2. WHO. Roda com os critérios médicos de elegibilidade para o uso dos métodos anticoncepcionais. Disponível em: http://www.blog.saude.gov.br/index.php/materias-especiais/51645-saiba-mais-sobre-os-metodos-contraceptivos-oferecidos-pelo-sus. Acesso em: 09 nov. 2020.
  3. FEBRASGO. Manual de anticoncepção. Disponível em: https://central3.to.gov.br/arquivo/494569/. Acesso em: 09 nov. 2020.
  4. FEBRASGO. Manual de anticoncepção da FEBRASGO. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4232752/mod_resource/content/1/Femina-v37n9_Editorial.pdf. Acesso em: 09 nov. 2020.
  5. Critérios médicos de elegibilidade para uso Métodos anticoncepcionais. Disponível em: https://www.saudedireta.com.br/docsupload/1340375131Portuguese-AppendixD.pdf. Acesso em: 09 nov. 2020.

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