Ciclos da Medicina

Minha experiência no Internato em Atenção Secundária à Saúde | Colunistas

Minha experiência no Internato em Atenção Secundária à Saúde | Colunistas

Compartilhar

Thays Davanço

6 minhá 47 dias

Muitas especialidades médicas, contato com diversos especialistas e diversas formas diferentes de atendimentos e cuidado, hoje eu trago para você um pouco da minha experiência no internato em atenção secundária à saúde.

A atenção secundária é formada por serviços especializados, em nível ambulatorial e, em alguns casos, hospitalar. Caracteriza-se por ser de média complexidade, com médicos especializados, serviços de apoio diagnóstico e terapêutico e atendimento de urgência e emergência (ERDMANN et al, 2013), sendo muito importante para ter o contato com o seguimento dos pacientes.

Quando estamos na atenção primária, encaminhamos os pacientes para as especialidades, e eles seguem para as consultas com os especialistas na secundária, por esse motivo, um encaminhamento bem escrito, com detalhes sobre a condição do paciente é tão importante.

Oportunidade de conhecer outras especialidades

Além disso, é um ótimo momento para conhecer especialidades pouco vistas nos anos anteriores da faculdade e, quem sabe, se interessar por alguma delas, pois, na nossa formação, quanto mais contatos melhor. Não é incomum mudar de ideia sobre a especialidade nos dois últimos anos e, muitas vezes, você ainda nem escolheu uma especialidade. Em geral, é no internato que decidimos de verdade o que vamos escolher de residência.

Muitas coisas são boas e valem a pena o destaque, como exemplos, o contato com as inúmeras especialidades diferentes, os encaminhamentos, as várias formas de atendimentos diferentes que vemos, algumas mais direcionadas e outras mais abrangentes, casos onde podemos realizar o atendimento completo e, em certas ocasiões, precisamos acompanhar o especialista. Cada dia você tem uma experiência diferente com o estágio.

Aprendemos como abordar muitas queixas e, de todas essas partes, a minha preferida: vemos como as coisas podem ter ligação entre si, como, por exemplo, um sangramento gastrointestinal ou uma anemia causar um infarto agudo; doenças não diagnosticadas ou com diagnóstico incorreto sendo encaminhadas para algum ambulatório de uma outra especialidade não relacionada; ou mesmo em uma avaliação de exames para realizar uma cirurgia encontrar um tumor em outro órgão não relacionado com a queixa. Para mim, as melhores partes são essas!

Tudo na vida tem coisas ruins, e na atenção secundária não é diferente. Na minha experiência, o que mais me chamou atenção pelo lado ruim foi a carência de profissionais da rede pública que atendem no SUS (e acredito que isso aconteça em muitos lugares do país). O SUS é um sistema muito eficiente e importante para toda a população, mas ainda precisa de muitas melhorias e possui, infelizmente, certas deficiências e limitações.

O aumento da cobertura e do funcionamento das Estratégias de Saúde da Família fez com que a demanda por profissionais especializados aumentasse para garantir o atendimento integral dos usuários e, em muitos locais, o investimento na atenção secundária não aumentou na mesma proporção que na primária, causando essa diferença de cobertura (BENDER et al, 2010).

E, com isso, há uma longa fila de pacientes encaminhados esperando. Muitas vezes, esses pacientes levam anos para uma consulta e nem sempre sabem o motivo de terem sido encaminhados, os encaminhamentos nem sempre possuem todos os detalhes necessários para compreender o caso, e os próprios pacientes não se lembram o motivo de terem sido encaminhados, o que dificulta muito, podendo até atrasar o tratamento.

Dicas que vão te ajudar a aproveitar o máximo do internato

Esse internato abrange muitas especialidades e é uma oportunidade muito boa para conhecer casos interessantes, relacionar especialidades e doenças e aprimorar o raciocínio clínico com discussões de casos vistos. Discutir o que foi visto e procurar artigos e informações confiáveis sobre as doenças  vai te ajudar muito a adquirir conhecimentos novos e a identificar quando se deparar com essas doenças, ou com diagnósticos diferenciais delas em sua prática médica. Algumas coisas podem ajudar você nesse estágio tão amplo:

  • Tente estudar antes os temas gerais da especialidade do dia/da semana, isso vai te ajudar muito durante sua anamnese, a entender a discussão e correlacionar com outras especialidades. Se tiver dúvidas, anote-as e não tenha medo de perguntar aos preceptores.
  • Você irá observar muitos colegas médicos diferentes e ver formas de abordagens, fique atento, todas as experiências são válidas, algumas irão aprimorar sua forma de realizar anamneses e exames físicos. Você pode (e deve) adicionar a sua maneira de atender coisas que você goste de outros colegas e se conhecer melhor, pensando como você quer ser quando se formar, o que quer e o que não quer fazer durante uma consulta, e sempre temos algo a aprender, como melhorar nossa forma de agir ou de examinar!
  • Discuta os casos vistos com seus preceptores! Aproveite o momento para aprender e tirar suas dúvidas, não tenha medo ou vergonha de fazer perguntas, pois é assim que melhoramos, e  tudo bem não saber tudo! Uma boa forma de fixar o conhecimento é discutir os casos com os colegas de classe também, dessa forma você aprende com eles e eles também aprendem com você, pois sabemos que a experiência de cada um é diferente, ainda que no mesmo estágio, e ouvir as experiências do outro também é uma forma ótima para obter conhecimento.
  • Aproveite o máximo possível desse estágio! Você não irá se tornar especialista de todas as áreas, mas esse estágio te dará uma oportunidade de se tornar um médico melhor, independente da especialidade, um profissional com uma noção mais aprofundada do seu paciente como um todo e do que ele precisa! Muitas vezes, encaminhamos um paciente sem necessidade, atrasando um tratamento que poderíamos fazer, ou até encaminhamos corretamente, porém já poderíamos ter pedido alguns exames ou realizado o início de um tratamento até a consulta com o especialista.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

Gostou do artigo? Quer ter o seu artigo no Sanarmed também? Clique no botão abaixo e participe

REFERÊNCIAS UTILIZADAS:

BENDER, A. da S.; MOLINA, L. R.; MELLO, A. L. S. F. de. Absenteímo na atenção secundária e suas implicações na atenção básica. Espaço para Saúde, [S. l.], v. 11, n. 2, p. 56-65, 2011. DOI: 10.22421/15177130-2010v11n2p56. Disponível em: http://espacoparasaude.fpp.edu.br/index.php/espacosaude/article/view/436. Acesso em: 7 mar. 2021.

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.