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Qual o impacto das ações de combate ao covid na saúde mental?| Colunistas

Qual o impacto das ações de combate ao covid na saúde mental?| Colunistas

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Imagem de perfil de Marianny Albino

A pandemia pelo novo coronavírus assolou o mundo e obrigou o homem contemporâneo a se adaptar. No entanto, qual o impacto das nossas atitudes de combate ao COVID-19 em nossa saúde mental? Hoje responderemos essa pergunta e iremos compreender as implicações das medidas de biossegurança em nosso estilo de vida. Vem comigo!

O panorama do SARS-CoV-2 e a COVID-19

Antes de falar sobre a saúde mental e o impacto do coronavírus na saúde mental nos últimos anos, é necessário entendermos de qual condição fisiopatológica estamos falando.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a COVID-19 é uma doença infectocontagiosa causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, tendo como principais sintomas a febre, tosse seca e fadiga.

Os primeiros casos foram reportados no dia 31 de dezembro de 2019, mas só algumas semanas depois foi possível compreender gradativamente os potenciais de disseminação do vírus. Cerca de um mês depois, a OMS demonstrava a sua preocupação com a doença: instaurou a situação de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional para a doença COVID-19. 

Instaurar o estado de Emergência tem como principal objetivo, aprimorar e direcionar esforços para o combate da doença que poderia se disseminar para os outros continentes e que, por isso, necessitava de todos os esforços governamentais do planeta para que fosse contido. A partir de então, iniciou-se a recomendação dos protocolos de biossegurança de combate à disseminação do vírus, com base nas poucas informações que se tinham conhecimento.

No Brasil, os principais esforços sanitários só foram instaurados após a confirmação de alguns casos, sendo a quarentena implementada só em Março, poucos dias após a confirmação da pandemia pelo novo coronavírus pela OMS. A partir disso, observou-se uma crescente preocupação com uma das nossas principais ferramentas para combater a COVID-19: o distanciamento social.

O distanciamento social e os impactos na saúde mental

A necessidade de contato social não foi estudado nos tempos contemporâneos. Na verdade, é necessário nos remetermos à Grécia para fundamentar um conceito que nos guia para o entendimento dos impactos do isolamento durante a pandemia, o de que o homem é um ser social.

Segundo Aristóteles, o homem é um ser político e social, por isso necessita de outros membros da sua espécie para se manter são e se desenvolver. Essa necessidade de dialogar, sentir e trocar experiências com outros humanos nos torna, segundo o filósofo grego, carentes.  Alguns séculos depois, Marx e Engels, criticam o individualismo imposto pela burguesia, como forma de monopolizar os ganhos obtidos às custas do capitalismo. Para eles, o coletivo é a força motriz de um povo, fundamento que só foi deturpado com base na necessidade burguesa em adquirir lucro.

Trazendo para a lógica da pandemia e da necessidade do isolamento social, conseguimos compreender com maior facilidade os diversos distúrbios e exacerbação de sentimentos normais no cenário pandêmico. 

Naturalmente, os sentimentos de medo, insegurança, ansiedade e tristeza estão associados a quadros de crises. Nesses casos, a nossa saúde mental é fragilizada, seja pela incerteza de informações, a mudança súbita de convenções sociais ou pela necessidade de se readaptar a um novo estilo de vida, que pede de nós o confinamento. Como bem observado na cartilha de Recomendações e orientações em saúde mental e atenção psicossocial na COVID-19, nós, seres humanos, tendemos a recorrer a algo que nos dê segurança, como os protocolos de biossegurança e atitudes que nos forneçam estabilidade em casos de crises, como meditar, ler livros, assistir filmes amenos e ouvir música.

Além da necessidade de se resguardar da infecção, a pandemia nos insere num quadro extremamente doloroso: o de enfrentamento ao luto. Lidar com mortes repentinas e muitas vezes em grandes quantidades, causa exasperação e incredulidade, fazendo com que a forma com que o luto é lidado se transforme em algo ainda maior. O luto patológico sem dúvidas é um dos principais pontos a serem levantados no debate da saúde mental, principalmente considerando as centenas de milhares de mortes causadas apenas no Brasil.

Cuidados da saúde mental

Como forma de reverter esse quadro danoso à saúde mental, o Ministério da Saúde recomenda alguns hábitos, mesmo isolados, que podem contribuir para que a passagem por esse período pandêmico seja mais leve e fácil de encarar. Dentre essas ações, podemos citar: acolher seus próprios sentimentos, especialmente os considerados socialmente como “negativos”, para que não se crie uma repulsa pelos sentimentos mais naturais que podem surgir nesse momento, determinar pausas sistemáticas no trabalho, de forma a diminuir a carga horária e melhorar o contato com outras atividades, sem que haja restrição às tarefas online.

Por fim, é necessário reforçar a importância da atenção a sinais que indiquem sofrimento psicológico, requerendo atendimento psicológico especializado com maior frequência. O diálogo com pessoas de confiança e que fazem parte do ciclo de amizade mais íntimo também é uma ótima ferramenta para driblarmos a pandemia, dentro das atitudes possíveis, e diminuir os danos psicológicos que podem estar acarretados a tantos períodos isolados, imersos à realidade online que nos encontramos.

Autora: Marianny Albino

Instagram: @_maricamz

Referências

MINISTÉRIO DA SAÚDE, Recomendações e orientações em saúde mental e atenção psicossocial na COVID-19. Fiocruz. Brasília, 2020. Disponível em: https://www.fiocruzbrasilia.fiocruz.br/wp-content/uploads/2020/10/livro_saude_mental_covid19_Fiocruz.pdf. Acesso em 22 de Dez.

OPAS, Folha informativa sobre a COVID-19. 2020. Disponível em: https://www.paho.org/pt/covid19. Acesso em 22 de Dez.

PSICANÁLISE CLÍNICA,O homem é um ser social: 3 teorias científicas. Março de 2020. Disponível em: https://www.psicanaliseclinica.com/o-homem-e-um-ser-social/. Acesso em 22 de Dez.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto