Anatomia de órgãos e sistemas

Nervo vago | Colunistas

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Joel Alves

8 minhá 34 dias

O nervo vago, também conhecido por nervo pneumogástrico, é  o que percorre do cérebro até o abdômen, e, ao longo do seu trajeto, dá origem a vários ramos que inervam diversos órgãos cervicais, torácicos e abdominais.

O nervo vago possui algumas funções, como reflexo da tosse, deglutição e vômito, controle da contração cardíaca, movimentos respiratórios, coordenação dos movimentos do esôfago e intestino, além de realizar o aumento da secreção gástrica.

Neuroanatomia

O nervo vago é o décimo dos doze nervos cranianos,  contendo fibras eferentes motoras e parassimpáticas, e fibras aferentes sensitivas.

É o maior nervo craniano e tem origem na parte de trás do bulbo raquidiano, uma estrutura cerebral que liga o cérebro com a medula espinal, e sai do crânio por uma abertura chamada de forame jugular, descendo pelo pescoço e tórax até terminar no estômago e, durante o trajeto do nervo vago, este inerva a faringe, laringe, coração e outros órgãos, sendo através dele que o cérebro percebe como estão esses órgãos e regulariza diversas de suas funções.

A palavra aferente significa em direção ao centro, como de uma área periférica de um membro para o sistema nervoso central. A palavra eferente é o oposto de aferente, significando para longe do centro e em direção à periferia: quando o estímulo é levado do cérebro para uma área periférica.

Imagem 1: Origem do nervo vago
fonte: https://www.tuasaude.com/nervo-vago

Via parassimpática eferente:

O núcleo dorsal do vago está situado atrás do trígono do nervo vago, e contribui com as fibras parassimpáticas e aferentes viscerais. As fibras parassimpáticas se fundem com as fibras motoras dentro do nervo vago e formam sinapses no gânglio superior, também conhecido como gânglio jugular do nervo vago. Conforme as fibras pós-ganglionares deixam o gânglio jugular e continuam para constituir sinapse com o gânglio inferior, também conhecido como gânglio nodoso do nervo vago, o feixe nervoso deixa o crânio através do forame jugular, juntamente com o nervo glossofaríngeo (nervo craniano IX) e o nervo acessório (nervo craniano XI). Desse ponto em diante (o gânglio nodoso do nervo vago), as fibras eferentes divergem.

Via motora eferente:

  • As fibras motoras continuam cursando dentro do ramo faríngeo do nervo vago, formando parte do plexo faríngeo e dando ramos para a inervação dos músculos constritores superior e médio da faringe, o músculo levantador do véu palatino, o músculo salpingofaríngeo, o músculo palatoglosso, o músculo palatofaríngeo e o músculo estilofaríngeo.
  • Um ramo adicional, conhecido como nervo laríngeo superior, possui curso pós-ganglionar e é responsável pela inervação dos músculos constritores inferiores da faringe, bem como a inervação motora do músculo cricotireóideo, através de um ramo interno (fibras sensitivas e parassimpáticas) e um ramo externo (fibras motoras para o músculo cricotireóideo).

Via aferente:

A via das fibras aferentes sensitivas do nervo vago é a seguinte:

  • O tronco vagal anterior recebe os ramos do trato gastrointestinal inferior, que inclui os ramos gástricos anteriores, o ramo hepático, o ramo celíaco, os gânglios celíaco e mesentérico superior, e o plexo celíaco, o plexo hepático, o ramo pilórico e os ramos intestinais que formam um plexo próprio através de várias anastomoses, antes de continuar subindo, passando pelo estômago em direção ao plexo esofágico;
  • Os plexos pulmonar, cardíaco e esofágico se fundem, formando no nervo vago principal ao nível do arco aórtico;
  • O nervo laríngeo recorrente se origina do nervo vago e cursa por baixo do arco aórtico, e segue a traqueia para inervar a laringe;
  • No mesmo nível que o nervo laríngeo recorrente, um pequeno ramo deixa o feixe logo acima do nível do arco aórtico, conhecido como ramo cardíaco torácico, e termina na borda superior do coração, entre as veias pulmonares e logo abaixo do arco aórtico;
  • Um segundo ramo que deixa o feixe nervoso principal um pouco acima (ao nível da bifurcação da artéria carótida em seus ramos interno e externo), passa lateralmente à artéria carótida e termina na mesma área que o ramo cardíaco torácico. Esse nervo é conhecido como ramo cardíaco cervical inferior;
  • O ramo cardíaco cervical superior se divide do nervo vago principal ao nível das vértebras cervicais, e desce separadamente e medialmente à artéria carótida, antes de inervar o coração, realizando sinapses no mesmo lugar que o ramo cardíaco torácico;
  • As fibras continuam superiormente dentro do feixe nervoso principal do nervo vago e formam sinapses com o gânglio nodoso do nervo vago, também conhecido como gânglio inferior. Aqui, tanto as fibras aferentes quanto as eferentes de todos os tipos, se separam, e seguem o mesmo trajeto em direção ao cérebro ou na direção oposta;
  • Algumas das fibras que se unem ao feixe nervoso aferente também vêm do trato gastrointestinal superior, notadamente o ramo faríngeo, que emite fibras sensitivas para a parte inferior da faringe, e emite ainda ramos para o plexo faríngeo e um ramo comunicante para o seio carotídeo;
  • O outro ramo é o do nervo laríngeo superior, que emite fibras sensitivas para a laringe superior;
  • Conforme as fibras pós-ganglionares deixam o gânglio nodoso, elas entram no crânio através do forame jugular, e formam sinapse com o gânglio jugular, ou gânglio superior;
  • Do gânglio jugular, fibras vagais são emitidas para o nervo auricular e o nervo meníngeo;
  • As fibras, finalmente, formam sinapses no trato solitário (fibras vasoaferentes) ou no núcleo do trato espinhal (fibras somatoaferentes), e no tronco encefálico.
Imagem 2: Distribuição das fibras no nervo vago
fonte: http://trishakti.com.br/tag/nervo-vago/

Estimulação vagal

A estimulação vagal envolve a implantação de um dispositivo estimulador sob a pele da parede torácica, onde um fio do dispositivo é enrolado em torno do nervo vago esquerdo, no pescoço. Impulsos elétricos regulares e leves são transmitidos ao cérebro através do nervo vago. Sua estimulação é utilizada como tratamento para certos tipos de epilepsia e depressão resistentes ao tratamento medicamentoso.

Sem exatidão de como ocorre essa estimulação, acredita-se que o tratamento altere o humor e o controle das convulsões, alterando a liberação de noradrenalina e, consequentemente, elevando os níveis do neurotransmissor inibitório GABA, ou inibindo a atividade cortical.

Tipos de lesões no nervo vago

Os sintomas de uma lesão ao longo do nervo vago dependem de onde a lesão está localizada.

  • Lesões unilaterais do ramo laríngeo recorrente do nervo vago podem resultar em paralisia das cordas vocais na posição paramediana, resultando em voz rouca e ofegante;
  • Lesões laríngeas recorrentes bilaterais podem resultar em paralisia bilateral das cordas vocais, causando assim, voz do tipo sussurro, podendo levar à morte devido a obstrução da traqueia pelas cordas vocais;
  • Lesões unilaterais do nervo laríngeo superior geralmente não resultam em disfonia, no entanto, lesões bilaterais podem restringir o controle da amplitude vocal.

Conclusão

Diante disso, conclui-se que o nervo vago é um ramo do sistema parassimpático. Ele faz parte de um circuito que liga o pescoço, o coração, os pulmões e o abdômen, ao cérebro. Ele atua como mensageiro para ativar os vários impulsos de redução da frequência cardíaca, mobilidade gastrointestinal, inflamação e sensibilidade, especialmente na pele ou nos músculos.

Nesse interím, a otimização da função do nervo vago pode torná-lo mais saudável, mais feliz e mais capaz de lidar com o estresse. E o melhor de tudo: há um número surpreendente de maneiras de estimular o nervo vago. A estimulação dele pode ser feita por meio de ioga, massagem, meditação, respiração profunda e músicas suaves e relaxantes, práticas que podem ajudar a estimular o sistema nervoso parassimpático, promovendo todos os benefícios do relaxamento para a saúde.

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Referências:

Anatomia – https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-vago

Vias – https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-vago

Estimulação vagal – https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-vago

Lesões – https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/nervo-vago

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