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Neurocirurgia funcional: Do que se trata? | Colunistas

A neurocirurgia, como já é do conhecimento de muitos, abarca o tratamento cirúrgico de doenças que envolvem o sistema nervoso, tanto central quanto periférico. Devido ao seu campo de atuação, está se desenvolvendo para uma especialidade eminentemente microcirúrgica, dada a complexidade e a precisão necessárias nos procedimentos, que visam melhorar a saúde do paciente em uma área muito sensível e específica do corpo, de modo que milímetros  fazem diferença entre curar o paciente e deixá-lo com alguma sequela.

Como qualquer especialidade cirúrgica, a neurocirurgia possui subespecialidades. Ou seja, após os cinco anos de residência em neurocirurgia, o neurocirurgião geral poderá prestar um novo concurso para se especializar em determinado setor dessa área de atuação. Apesar disso, não existe um consenso muito estabelecido sobre validações de subespecialidades neurocirúrgicas, de modo que essa segunda especialização se dá muito pelo médico que, após completá-la, passa a atuar eminentemente nessa área.

Dentro desse espectro de subespecialidades, temos a neurocirurgia funcional. Mas, afinal, o que é neurocirurgia funcional? Como o próprio nome diz, a neurocirurgia funcional atua no tratamento de diversas doenças que causam distúrbios quanto a determinadas funções do sistema nervoso. Desse modo, as doenças e condições tratadas são aquelas nas quais o sistema nervoso está envolvido de alguma maneira, podendo ser: dor crônica, distúrbios de movimentos, distúrbios neuropsiquiátricos, epilepsias, entre outros, nas quais tratamentos conservadores e convencionais não são eficazes ou a condição do paciente é demasiadamente severa e requer uma intervenção cirúrgica.

Por meio dos avanços tecnológicos alcançados, procedimentos muito complexos e invasivos para tratar doenças nesse âmbito, hoje, podem ser tratados por vias mais pontuais e mais seguras graças à neurocirurgia funcional, de modo a restabelecer as funções neurológicas do paciente, contribuindo para a sua qualidade de vida.

Dentro das estratégias utilizadas pela neurocirurgia funcional, encontram-se: estimulação elétrica e química, eletrodos, infusão de analgésicos na coluna e radiofrequência. A seguir, serão elucidadas as principais áreas de atuação da neurocirurgia funcional, bem como os tratamentos utilizados para cada uma.

Dor crônica

É de conhecimento geral que dores crônicas, a depender de sua intensidade e natureza, podem beirar o insuportável para pacientes. Em decorrência disso, a neurocirurgia funcional atua intervindo na rede neural de transmissão da dor, não necessariamente em sua causa. Tendo em vista os seus conhecimentos em neurofisiologia, tente relembrar como se faz a transmissão da dor no sistema nervoso central e no periférico. A partir disso, temos que possíveis intervenções neurocirúrgicas para tais casos são:

  • Ablação da substância gelatinosa (não lembra o que é a substância gelatinosa? Dá uma olhadinha em suas anotações de anatomia da medula espinhal);
  • Rizotomias: retirada de raízes nervosas sensitivas, de modo a impedir a transmissão da dor para o sistema nervoso central.

Distúrbios do movimento

Muitas doenças neurodegenerativas cursam com distúrbios do movimento, nos quais o paciente acometido realiza movimentos involuntários de modo repetido, podendo atrapalhar significativamente a sua vida. Um bom exemplo disso é a Doença de Parkinson, na qual os tremores de repouso e os demais danos motores complicam muito a sua condição e qualidade de vida.

FIGURA 1

Para atenuar esse problema, utiliza-se um procedimento chamado estimulação cerebral profunda, do inglês DBS (Deep Brain Stimulation). Nessa cirurgia, utilizam-se eletrodos em regiões do cérebro ligadas à patologia do paciente, como tálamo ou núcleos da base. O procedimento é feito com um aparelho estereotáxico (figura 1), que é utilizado para atingir regiões extremamente precisas utilizando coordenadas e com o paciente acordado para que as funções sejam testadas durante a cirurgia, de modo que ajustes possam ser feitos.

FIGURA 2

Para os fãs de Grey’s Anatomy, é dado um exemplo de neurocirurgia funcional para tratamento de Parkinson no episódio 6 da temporada 1 (figura 2 ). Para quem quiser ver um pouco mais, podem assistir a esse vídeo sobre o tratamento da Doença de Parkinson via DBS da Monte Sinais Health System:

Epilepsias

A epilepsia é uma doença causada pelo disparo descoordenado de grupos de neurônios que podem acometer regiões vizinhas e até o outro hemisfério cerebral, causando os ataques epilépticos, que podem ser desde pequenas alterações comportamentais até os quadros tônico-clônicos.

Nos casos refratários à medicação, com alta severidade, existem cirurgias que podem eliminar a causa das convulsões e ataques quando esses são bem identificados, podendo ser regiões do lobo temporal, tumores, entre outros. Nos casos dos tumores, pode ser feita a ressecção desses, enquanto nos casos em que o centro de origem é o lobo temporal, podem ser realizadas as conhecidas amígdalo-hipocampectomias, hipocampectomias ou amigdalotomias.

Existem casos mais brandos que podem ser tratados com neuromodulação, via DBS também. Abaixo, segue um link para um vídeo de uma amígdalo-hipocampectomia. A neurocirurgia funcional pode atuar ainda em outras áreas, como transtornos psiquiátricos, lesões cerebrais e outros mais, sendo os anteriormente citados os principais.


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