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Nova variante do coronavírus é investigada em Belo Horizonte

Nova variante do coronavírus é investigada em Belo Horizonte

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Sanar

5 minhá 6 dias

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) identificaram um conjunto de 18 mutações do SARS-CoV-2 que podem indicar a existência de uma nova variante do coronavírus circulando em Belo Horizonte (MG).

Os pesquisadores ainda precisam reunir mais informações para confirmar se as mutações descobertas de fato constituem uma nova variante e se ela é ou não mais transmissível e letal.

Até agora, são cinco as variantes reconhecidas e classificadas como preocupantes pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Compõe a lista a P.1, detectada pela primeira vez em Manaus (AM), a B.1.1.7, detectada inicialmente no Reino Unido, a B.1.351, identificada na África do Sul, e duas originadas nos Estados Unidos, B.1.427 e B.1.429.

Apesar da necessidade de mais informações, os pesquisadores da UFMG afirmam que os resultados da pesquisa exigem urgência de esforços de vigilância genômica na região metropolitana de BH, assim como em todo o estado de Minas Gerais.

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O que já se sabe sobre a possível nova variante do coronavírus

O estudo foi realizado a partir de amostras clínicas coletadas na região metropolitana de Belo Horizonte, que foram usadas para o sequenciamento de 85 genomas de SARS-Cov-2 entre outubro de 2020 e março de 2021.

Os pesquisadores encontraram dois novos genomas em um conjunto de 18 mutações desconhecidas, o que, segundo eles, “caracteriza possível nova cepa”. Porém, os genomas são de amostras não relacionadas e distantes geograficamente uma da outra.

“Não existem evidências de ligação epidemiológica entre ambas, como parentesco ou proximidade geográfica entre os infectados, o que reforça a plausibilidade de circulação dessa nova possível variante”, explica o professor Renato Santana, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG, que participou do estudo.

Posições preocupantes sobre nova variante do coronavírus

Além disso, as mutações encontradas estão nas posições E484 e a N501, que são consideradas críticas porque aparecem justamente no gene que codifica a proteína da espícula do vírus (proteína S). Ela é utilizada pelo vírus para invadir nossas células e é associada tanto a transmissibilidade quanto ao chamado escape imunológico (possibilidade de reinfecção).

Nesse post explicamos em detalhes como o SARS-CoV-2 invade as células do nosso organismo.

Outras mutações nessas mesmas posições, a E484K e a N501Y, estão presentes em variantes já consideradas preocupantes, como a P.1 (Manaus) e a B.1.1.7 (Reino Unido). Os cientistas lembraram que a N501Y foi recentemente associada a um aumento de aproximadamente 60% no risco de mortalidade em indivíduos infectados no Reino Unido.

O estudo da UFMG ainda não passou por revisão por pares e nem foi publicado em periódico científico, o que, segundo os cientistas, deve acontecem nos próximos dias.

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Mutações são comuns e originam variantes do coronavírus

Como lembra reportagem do G1, durante uma pandemia é comum que o vírus circulante sofra mutações conforme for transmitido de pessoa para pessoa. No entanto, elas só são preocupantes quando alteram índices de transmissibilidade e mortalidade, o que, felizmente, não acontece com frequência.  

O problema é que para evitar que aparecem versões mais perigosas do vírus, é preciso uma ação coordenada com estratégias que barre a circulação do vírus, além de um programa de vacinação robusto e eficiente.

O Brasil está aquém disso, como alertou o biólogo e divulgador científico Atila Iamarino em postagem recente em seu Twitter: “Enquanto o plano de ação federal for promover o contágio, o que coloca vulneráveis, curados e vacinados em contato com o coronavírus, teremos variantes sendo geradas. Evolução é implacável e estamos selecionando vírus mais transmissíveis e que reinfectam”.

Veja sobre a relação entre vacinas e variantes:

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