Coronavírus

Novo teste sorológico de COVID-19 mede tempo de proteção das vacinas

Novo teste sorológico de COVID-19 mede tempo de proteção das vacinas

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Sanar

5 min há 44 dias

Se depender da Universidade de Toulouse, a imunidade da COVID-19, algo que ainda intriga os cientistas, pode ser desvendada logo. Ela criou um teste sorológico de COVID-19 rápido para avaliar o tempo de proteção das vacinas que combatem o coronavírus.

O método foi desenvolvido pelo cientista francês Etienne Joly, do Instituto de Farmacologia e Biologia Estrutural do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica), da universidade francesa. O achado foi descrito na revista científica Nature Communications, em março deste ano.

A novidade é que o teste é barato e rapidamente acusa a existência de anticorpos contra a COVID-19. Como destacou o Uol, o método permitirá o acesso de populações que vivem em locais afastados dos grandes centros urbanos ou em países sem estruturas laboratoriais sofisticadas.

Como funciona o teste para detectar a imunidade

O pesquisador francês teve ajuda do virologista britânico Alain Townsend, da Universidade de Oxford, no Reino Unido. O teste é baseado na técnica da hemaglutinação, usada pelos cientistas para determinar a tipagem sanguínea há pelo menos cinco décadas.

O material custa apenas 30 centavos de euro (aproximadamente R$ 2) para ser produzido e pode ser realizado facilmente. O único produto utilizado para interpretar a amostra é um reagente líquido formado por proteína recombinante, que foi desenvolvido pelos dois cientistas

Para realizar o teste, basta recolher uma amostra de sangue do paciente com um furo no dedo e depois diluir o material coletado em cones específicos para manejo em laboratório.

O resultado leva cerca de uma hora para sair. Durante esse tempo, os glóbulos vermelhos do material devem decantar no fundo do recipiente utilizado. Depois, é só analisar o formato que se deposita ao fundo.

Os glóbulos vermelhos que não se aglutinaram vão adquirir o formato de uma lágrima. Já os que se aglutinaram formando um círculo vermelho indicarão a presença de anticorpos contra o SARS-CoV-2.

A interpretação dos resultados

Como descreve reportagem do Uol, o método associa um anticorpo que reconhece, na superfície dos glóbulos vermelhos, a molécula glicoforina e a associa ao peptídeo RBD (receptor binding domain), um dos receptores do SARS-CoV-2.

Os receptores RBD estão localizados na superfície da proteína Spike e são fundamentais para que o vírus entre nas células e se reproduza facilmente.

Em contato com o sangue, o reagente inovador desenvolvido pelos cientistas se fixa aos glóbulos vermelhos. Se houver anticorpos na amostra coletada, eles vão se acoplar aos fragmentos dos peptídeos RBD, resultando em aglomeração. Isso indicará se o paciente foi contaminado recentemente ou não.

“A maior parte dos anticorpos neutralizadores do SARS-Cov-2 se conecta a esse peptídeo, o RBD. Por isso nós os escolhemos. Ele é diferente dos outros. Todos temos anticorpos contra o coronavírus e se tivéssemos escolhido um peptídeo que existisse em outros coronavírus, nosso teste não seria preciso”, explicou o pesquisador à RFI Brasil.

Os benefícios do teste rápido

Segundo Joly, os testes sorológicos são fundamentais porque, mesmo após um ano do início da pandemia, os cientistas ainda não sabem qual é a quantidade necessária de anticorpos para que o paciente esteja protegido de uma nova infecção.

“Sabemos que podemos ser contaminados várias vezes pelo SARS-Cov-2. Há muitos casos de pessoas que pegaram o vírus duas vezes ou foram vacinadas e pegaram. A questão é saber se há uma correlação entre o nível de anticorpos e a proteção”, disse.

O cientista destaca ainda que novos estudos são necessários para avaliar sistematicamente a correlação entre a taxa de anticorpos e as infecções, em grande número de pessoas.

Eficácia estimada de 90%

A eficácia do método já foi avaliada no soro sanguíneo de 400 pacientes de hospitais do Reino Unido.

A sensibilidade estimada foi de 90%. A próxima etapa será conseguir a validação do teste pelas autoridades sanitárias de saúde em diferentes países.

A ideia dos dois cientistas é organizar, num futuro próximo, estudos clínicos com grande amostragem de voluntários para comparar o desempenho do novo teste com outros já existentes.

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