Medicina da Família e Comunidade

Novos tratamentos orais para diabetes mellitus | Colunistas

Novos tratamentos orais para diabetes mellitus | Colunistas

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Imagem de perfil de Natália Paniágua Andrade

No dia 01 de outubro de 2021 a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou novas edições de suas Listas Modelos de Medicamentos Essenciais e Pediátricos Essenciais, dentre eles, análogos da insulina e novos medicamentos orais para Diabetes Mellitus.

Visão geral sobre Diabetes Mellitus

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia).

Pode ocorrer devido a defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas, pelas chamadas células beta.

A função principal da insulina é promover a entrada de glicose para as células do organismo de forma que ela possa ser aproveitada para as diversas atividades celulares.

A falta da insulina ou um defeito na sua ação resulta, portanto, em acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia.

Classificação do Diabetes

Sabemos hoje que diversas condições que podem levar ao diabetes, porém a grande maioria dos casos está dividida em dois grupos: Diabetes Tipo 1 e Diabetes Tipo 2.

  • Diabetes Tipo 1 (DM 1) – Essa forma de diabetes é resultado da destruição das células beta pancreáticas por um processo imunológico, ou seja, pela formação de anticorpos pelo próprio organismo contra as células, beta levando a deficiência de insulina. Em geral costuma acometer crianças e adultos jovens, mas pode ser desencadeado em qualquer faixa etária. O quadro clínico mais característico é de um início relativamente rápido (alguns dias até poucos meses) de sintomas como: sede, diurese e fome excessivas, emagrecimento importante, cansaço e fraqueza. 
  • Diabetes Tipo 2 (DM 2) – Nesta forma de diabetes está incluída a grande maioria dos casos (cerca de 90% dos pacientes diabéticos). Nesses pacientes, a insulina é produzida pelas células beta pancreáticas, porém, sua ação está dificultada, caracterizando um quadro de resistência insulínica. Isso vai levar a um aumento da produção de insulina para tentar manter a glicose em níveis normais. Quando isso não é mais possível, surge o diabetes. A instalação do quadro é mais lenta e os sintomas – sede, aumento da diurese, dores nas pernas, alterações visuais e outros – podem demorar vários anos até se apresentarem. Ao contrário do Diabetes Tipo 1, há geralmente associação com aumento de peso e obesidade, acometendo principalmente adultos a partir dos 50 anos. 
  • Além dos dois tipos, há também outros tipos que são bem mais raros e incluem defeitos genéticos da função da célula beta (MODY 1, 2 e 3), defeitos genéticos na ação da insulina, doenças do pâncreas (pancreatite, tumores pancreáticos, hemocromatose), outras doenças endócrinas (Síndrome de Cushing, hipertireoidismo, acromegalia) e uso de certos medicamentos.
  • Um outro tipo importante é a Diabetes Gestacional – Atenção especial deve ser dada ao diabetes diagnosticado durante a gestação. Pode ser transitório ou não e, ao término da gravidez, a paciente deve ser investigada e acompanhada. 

Mapa mental do diabetes mellitus

A imagem abaixo ilustra o contexto:Resumo: Classificação e diagnóstico do Diabetes Mellitus | Ligas - Sanar  Medicina

Figura 1: Mapa mental da classificação do Diabetes Mellitus

https://bityli.com/DUJsMy

Medicamentos orais incluídos na lista da OMS para tratar diabetes

Sabe-se que, a insulina está na Lista de Medicamentos Essenciais da OMS desde sua primeira publicação, em 1977, porém, seu fornecimento limitado e os preços altos em vários países de baixa e média renda são atualmente uma barreira significativa ao tratamento. 

A Lista atualizada inclui os seguintes medicamentos orais:

  • Empagliflozina: é indicado para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2 (DM2) para melhorar o controle glicêmico em conjunto com dieta e exercícios.
  • Canagliflozina: Indicado em monoterapia ou terapia combinada como um adjuvante à dieta e ao exercício para melhorar o controle glicêmico em adultos com diabetes mellitus tipo 2.
  • Dapagliflozina:  Está indicada em associação à metformina e/ou a outros antidiabéticos e age principalmente diminuindo a reabsorção renal de glicose, consequentemente aumentando a excreção urinária, favorecendo a redução da glicemia independentemente da secreção endógena ou da ação da insulina.

Tais medicamentos administrados demonstraram oferecer vários benefícios, incluindo um menor risco de morte, insuficiência renal e eventos cardiovasculares. 

Como os inibidores de SGLT2 ainda são patenteados e de alto preço, sua inclusão na Lista vem com a recomendação de que a OMS trabalhe com o Banco de Patentes de Medicamentos para promover o acesso por meio de acordos de licenciamento em potencial com os detentores de patentes para permitir a fabricação e fornecimento de genéricos em preços baixos e países de renda média.

Conclusão

De modo geral, a fala do Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, engloba os aspectos sociais para além dos novos medicamentos orais:

“A diabetes está aumentando globalmente e aumentando mais rapidamente nos países de baixa e média renda, muitas pessoas que precisam de insulina enfrentam dificuldades financeiras para acessá-la ou ficam sem ela e perdem a vida. Incluir análogos de insulina na Lista de Medicamentos Essenciais, juntamente com esforços para garantir acesso a todos os produtos de insulina e expandir o uso de biossimilares é um passo vital para garantir que todos que precisam deste produto que salva vidas possam acessá-lo.”

Autora: Natália Paniágua de Andrade

Instagram: @natipaniagua_

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Referências

OMS prioriza acesso a tratamentos para diabetes e câncer em novas Listas de Medicamentos Essenciais. https://www.paho.org/pt/noticias/1-10-2021-oms-prioriza-acesso-tratamentos-para-diabetes-e-cancer-em-novas-listas

O que é diabetes? https://www.endocrino.org.br/o-que-e-diabetes/

Agência Nacional de Vigilância Sanitária. https://www.gov.br/anvisa/pt-brDapagliflozina para o tratamento de diabetes mellitus tipo 2 no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS, quando indicar e como ter acesso? http://telessaude.ba.gov.br/dapagliflozina-para-o-tratamento-de-diabetes-mellitus-tipo-2-no-ambito-do-sistema-unico-de-saude-sus-quando-indicar-e-como-ter-acesso/