Coronavírus

O enfrentamento do coronavírus na atenção primária: relato de uma experiência brasileira

O enfrentamento do coronavírus na atenção primária: relato de uma experiência brasileira

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Sanar Medicina

5 minhá 175 dias

Foi publicado, no NEJM, relato de experiência da atenção primária oferecida pela comunidade de Morro da Conceição, em Recife. A publicação mostra, em detalhes, como a unidade de saúde modificou sua estrutura e funcionamento para enfrentar o cenário desafiador da pandemia pelo novo coronavírus.

O relato de caso tem o objetivo de evidenciar o papel da equipe de saúde da família no combate à COVID-19, e pretendemos aqui citar alguns dos desafios e soluções.

O desafio de enfrentar a pandemia de coronavírus na atenção primária

Primeiro, vamos falar um pouco do local: Morro da Conceição, uma comunidade da cidade de Recife, capital de Pernambuco. A comunidade é conhecida por possuir múltiplas situações de vulnerabilidade sociais.

A população ali residente, de aproximadamente 10.000 habitantes, encontra exclusivamente no SUS seu acesso aos cuidados de saúde. É uma comunidade carente, com baixa renda econômica e que foi muito afetada com as medidas restritivas e suas consequências econômicas.

Os desafios, portanto, se davam em manter medidas higiênicas e de isolamento adequadas. Para os moradores da comunidade, que enfrentam problemas tão existencialmente significativos como fome, violência e pobreza, a ameaça de um vírus pode ser minimizada aos olhos de quem está acostumado às dificuldades tão sobrepujantes.

O processo adaptativo

O primeiro desafio foi adaptação do espaço físico da Unidade de Saúde, considerada de pequeno tamanho mesmo para condições normais. As salas localizadas próximas da entrada foram designadas salas de rastreio, uma para pacientes sintomáticos, e outra para assintomáticos.

Após, uma nova rotina de cuidados precisou ser implementada. Um fluxo de atendimento, baseado na experiência dos profissionais, e nos protocolos vigentes, foi implementado. Além disso, um novo cenário de trabalho, incluindo Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) para todos da unidade, foi estabelecido.

Para ser capaz de abarcar, de forma segura, os pacientes sintomáticos suspeitos de infecção por COVID-19, era preciso diminuir o número de pessoas dentro da unidade. Para isso, algumas medidas foram tomadas.

Estratégias para diminuir o fluxo de pacientes

Primeiro, algumas atividades da comunidade, como os grupos de prevenção, foram suspensas. Para garantir a continuidade do cuidado, uma pesquisa nos registros médicos foi realizada, com o objetivo de identificar quais consultas marcadas poderiam ser adiadas ou antecipadas.

Ao definir as consultas que não poderiam ser adiadas, a equipe trabalhou para garantir o atendimento da forma segura. Dentre as consultas mantidas estavam os pacientes diabéticos, hipertensos, com tuberculose, hanseníase e câncer.

Para evitar a ida desnecessária aos hospitais, alguns outros serviços também foram mantidos, como pré-natal e atendimento pediátrico.

As visitas domiciliares ficaram restritas para casos específicos, analisados de acordo com a percepção do agente comunitário de saúde (ACS), bem como as condições clínicas e familiares do paciente.

O papel do ACS e da telemedicina

Falando no agente comunitário de saúde, este teve papel central na educação em saúde. O ACS, diariamente, realizava o trabalho de informar nas ruas a necessidade de manter-se em casa. Além disso, reunia informações dos pacientes que necessitavam de consulta ou visita domiciliar.

A telemedicina também teve sua contribuição no cuidado prestado. Os pacientes passaram a ser monitorados através de mensagens e ligações de celular. O número da unidade foi amplamente divulgado, e as pessoas passaram a ter suas demandas atendidas de maneira ágil.

Em cada encontro, explicações sobre a COVID-19 e suas medidas sanitárias necessárias eram explanadas.

Conclusão

A experiência da estratégia adotada pela unidade de saúde para o enfrentamento do coronavírus na atenção primária, foi tão bem sucedida, que se tornou modelo para toda a cidade.

Esta estratégia se deu no âmbito da liderança, conhecimento da comunidade, bem como manutenção e continuidade do cuidado em saúde e vigilância.

A publicação do relato de caso da unidade de saúde de Morro da Conceição coloca em destaque uma experiência bem sucedida, que servirá de exemplo não apenas para outras unidades do país, mas também para o mundo inteiro.

Confira o vídeo:

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