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O paciente oncológico na pandemia COVID-19 | Colunistas

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Também referenciado como SARS-CoV-2, o novo coronavírus COVID-19 tem provado sua alta transmissibilidade desde sua emergência em dezembro de 2019. Até o momento desta publicação, há mais de 3 milhões de pessoas infectadas em mais de 200 países. Pesquisas aventam que 14 a 19% dos pacientes infectados desenvolvem sequelas importantes associadas à síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), choque séptico e falência de múltiplos órgãos, sendo a taxa de mortalidade de 1 a 4% aproximadamente.

Dentre a população mais susceptível às sequelas pela infecção por COVID-19, os pacientes oncológicos são especialmente vulneráveis devido à imunossupressão de algumas das patologias e tratamentos, à maior prevalência de comorbidades (hipertensão, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica, doenças cardiovasculares e doenças cerebrovasculares) e, nos casos de neoplasia de pulmão, ao comprometimento pulmonar inerente.

Um estudo coorte conduzido em um hospital na cidade de Nova York demonstrou recentemente que pacientes oncológicos têm uma taxa de mortalidade por COVID-19 significativamente maior quando comparados aos pacientes não oncológicos (28% vs 14%, p=8.46 x 10-7).

Pacientes com neoplasias hematológicas foram associados a uma taxa de mortalidade ainda maior (37%) quando comparados aos pacientes com tumores sólidos (25%). Ressalta-se que pacientes com neoplasias hematológicas tendem a ser manejados com terapia mielossupressora, e são frequentemente muito imunocomprometidos devido à doença de base.

Além desses dados, uma análise recente publicada no British Medical Journal (BMJ) estima que haverá um aumento de 20% de mortes em pacientes com um novo diagnóstico de câncer no próximo ano em decorrência da pandemia do COVID-19. Essas mortes adicionais serão não apenas devido à infecção de pacientes oncológicos pelo coronavírus, como também à custa do diagnóstico e tratamento tardios do câncer, tendo o paciente sua quimioterapia postergada por exemplo.

Essa recente análise é síncrona com o alerta do National Health Service do Reino Unido, incentivando que pacientes com sintomas de câncer procurem os serviços de saúde para diagnóstico e checagem – o alerta é resposta a uma enquete mostrando que aproximadamente metade das pessoas hesitaria em procurar ajuda durante a pandemia do coronavírus.

Os pesquisadores do estudo publicado no BMJ evidenciam uma queda de 76% nos encaminhamentos de emergência de pacientes com suspeita de câncer em 8 hospitais do Reino Unido, além de 60% de redução das sessões de quimioterapia desde o início da pandemia.

Dessa forma, é salutar reconhecer que pacientes oncológicos e com múltiplas comorbidades são um grupo particularmente vulnerável e de alto risco durante a atual pandemia do COVID-19. Ressalta-se que o diagnóstico precoce do câncer é indubitavelmente essencial para uma melhor taxa de cura e ignorar os potenciais problemas ressaltados pelas pesquisas recentes implica em sérias consequências agora e no futuro.

Autora: Marina Baeta, Estudante de Medicina

Instagram: @mmbaeta

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