Coronavírus

O que o novo ministro da Saúde pensa sobre a Covid-19

O que o novo ministro da Saúde pensa sobre a Covid-19

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Sanar Saúde

7 minhá 391 dias

O Ministério da Saúde tem um novo chefe desde 16 de abril. Na data, Jair Bolsonaro anunciou a nomeação do médico oncologista Nelson Teich no lugar de Luiz Henrique Mandetta, exonerado após conflitos públicos com o presidente.

Em seu primeiro pronunciamento, Nelson Luiz Sperle Teich prometeu uma gestão técnica e científica, sem qualquer “definição brusca” na estratégia de enfrentamento ao novo coronavírus. Na avaliação do médico, o fundamental hoje é ter mais informações sobre o que acontece com as pessoas a cada ação tomada pelo poder público.

“Quanto menos informação se tem, mais é discutido na emoção. Discutir saúde e economia é ruim, elas não competem entre si”, disse ele.

Mas o que será que o novo ministro da Saúde pensa sobre o novo coronavírus?

Quem é Nelson Teich

Antes de detalharmos a visão do novo ministro Nelson Teich sobre o coronavírus, é preciso conhecer sua história. Isso ajuda a entender sua construção de pensamento, principalmente no que diz respeito à preocupação do ministro com a economia.

Nascido no Rio de Janeiro, Nelson Teich se formou médico pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro e se especializou em oncologia no Instituto Nacional de Câncer (Inca). O ministro é doutor em Ciências da Saúde – Economia da Saúde pela Universidade de York, no Reino Unido. Também é sócio da Teich Health Care, empresa de consultoria de serviços médicos.

Teich também atuou como consultor informal na campanha eleitoral de Jair Bolsonaro, em 2018, e chegou a ser cotado para ministro da Saúde. Foi preterido por Mandetta, mas atuou como assessor de Denizar Vianna, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do ministério, entre setembro de 2019 e janeiro de 2020.

O ministro tem experiência na área de testes. Foi sócio do MDI Instituto de Educação e Pesquisa, empresa de pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências sociais, humanas, físicas e naturais e treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial.

Teich fundou o COI Instituto de Gestão, Educação e Pesquisa. A organização sem fins lucrativos realizava pesquisas clínicas, projetos e programas de treinamento e educação em áreas do cuidado ao câncer. Teich também é um dos fundadores do Medinsight – Decisões em Saúde, empresa de pesquisa e consultoria em economia da saúde.


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O que Nelson Teich pensa sobre a Covid-19

O pensamento do novo ministro da Saúde, Nelson Teich, sobre o coronavírus foi exposto em alguns artigos publicados em seu perfil no LinkedIn. O médico até resume em alguns pilares:

  • Entender que o momento é de incertezas, fruto da história natural da doença e de sua evolução. Consequentemente, os gestores são obrigados a revisar quase que diariamente as escolhas, políticas e ações previamente definidas;
  • É preciso estruturar os sistemas de saúde público e privado para que sejam capazes de oferecer os cuidados necessários à população. Para isso, é preciso reduzir o volume de entrada simultânea de pacientes no Sistema de Saúde e ampliar a capacidade de atendimento. Teich defende programas de telemedicina para auxiliar no diagnóstico e tratamento;
  • Definir estratégia que estruture e coordene a retomada de atividades normais do dia a dia e da economia;
  • Estimular programas e pesquisas para avaliar as melhores estratégias de diagnóstico, prevenção, tratamento e monitoramento da Covid-19
  • Criar programas de Informação e Inteligência para consolidar todas as informações e permitir melhor compreensão da doença e definição de políticas e ações adequadas;
  • Considerar a realidade de cada estado ou região para que as ações sejam implementadas na sequência ideal, em diferentes regiões do país. Isso evita a compra de insumos e equipamentos simultaneamente, o que diminui o custo financeiro e risco de escassez de recursos.

Outros tópicos, mais polêmicos devido ao posicionamento do presidente da República, também são abordados pelo novo ministro em seus artigos.

Saúde x Economia

O ministro Nelson Teich é contra a polarização de saúde e economia, por ver os dois setores como complementares e sinérgicos. Para ele, não deve existir a dicotomia pessoas x dinheiro, pacientes x empresas, bem x mal. No entanto, Teich pondera que a condução da situação tem sido “perfeita”.

“Pacientes e sociedade foram priorizados e medidas voltadas para o controle da doença foram tomadas. Essa escolha levou a riscos econômicos e sociais, que foram tratados com medidas desenhadas para resolver possíveis desdobramentos negativos de ações na saúde”, escreve o ministro.

Teich considera também que é preciso tomar como importante a questão da economia. Em sua análise, uma crise impacta na capacidade de acesso a cuidados adequados em saúde e a itens básicos do dia a dia. Isso porque se torna cada vez mais difícil sair de casa, enfrentar saques e violência urbana e ter acesso a cuidado de saúde individualizado e de qualidade.

Distanciamento social

Para Nelson Teich, o isolamento horizontal é a melhor estratégia no momento, já que faltam informações detalhadas sobre comportamento e letalidade da Covid-19. Além disso, o Sistema de Saúde não é capaz de absorver a demanda de pacientes que pode surgir. Outra vantagem da estratégia é dar tempo para entender melhor a doença e implementar medidas que permitam a retomada econômica do país.

Por outro lado, o isolamento vertical, na qual apenas um grupo é submetido ao isolamento, tem fragilidades e não seria uma solução efetiva. Assim como especialistas, Teich observa que pessoas assintomáticas e fora do grupo de risco podem transmitir o coronavírus para pessoas de alto risco que ficaram isoladas. O isolamento vertical é a aposta do presidente Jair Bolsonaro.

No geral, o ministro defende o isolamento de maneira personalizada, como aquele adotado pela Coreia do Sul. Teich pondera que essa estratégia demandaria conhecimento maior sobre a extensão da doença e capacidade de rastrear pessoas infectadas e seus contatos.

A estratégia, basicamente, seria testagem em massa e rastreamento e monitoramento. O novo ministro da Saúde sugere que as operadoras de telefonia celular auxiliem nessa função. Antes, no entanto, é preciso que sejam definidas e aceitas regras claras de proteção de dados pessoais.


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