Anatomia de órgãos e sistemas

O QUE TODO MÉDICO DEVE SABER SOBRE CEFALEIA | Colunistas

O QUE TODO MÉDICO DEVE SABER SOBRE CEFALEIA | Colunistas

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Samanttha Cristina

6 minhá 71 dias

Existem diversos tipos e causas para a dor de cabeça, sejam dores sem fisiopatologia clara, que são as cefaleias primárias, sejam dores com explicações já claras, de como se transformam em uma cefaleia secundária.

Adiante veremos os mais prevalentes tipos de cefaleia e as mais perigosas à saúde.

Antes de tudo, destacaremos sinais a serem percebidos e levados em consideração em qualquer tipo de queixa de cefaleia.

Grau de dor ao longo do tempo. A cefaleia súbita, ou seja, a que atinge seu pico de intensidade nos primeiros minutos da dor, é considerada como um fator agravante muito sério e preocupante, indicador de possível hemorragia subaracnóidea e também outras comorbidades. O ‘ideal’ é a cefaleia ser gradual, piorando ao longo do tempo.

Comorbidades e medicações. Tabagismo, imunossupressão, uso de anticoncepcionais e hipertensão arterial sistêmica são os mais preocupantes fatores em alguém com dores de cabeça, pois agravam o risco de haver algo mais sério.

Duração. Devemos perguntar a qualquer paciente a duração de sua cefaleia pois é um critério diagnóstico, e o mesmo acontece com os fatores intensidade, localização (holocraniana ou hemicraniana, orbital, frontal, parietal ou occipital), sintomas associados (como fotofobia, fonofobia, náuseas, osmofobia, febre, escotomas) e fatores de melhora e piora (como posição, esforço e atividade física).

Sinais de alarme. Esses sinais são claros indicativos de que devemos solicitar exames e não abandonar o paciente até que a causa da cefaleia seja descoberta.

Início súbito, sendo muito característico de HSA (hemorragia subaracnoidea). Se o paciente relatar que é a pior dor de cabeça da vida dele, a imunossupressão deve ganhar atenção especial aos olhos do (a) médico (a). Início após os 50 anos de idade, febre, déficit neurológico focal, mudança do padrão habitual de cefaleia, piora ao decúbito ou desperta do paciente são indicativos de hipertensão intracraniana, também podendo ser desencadeada por esforço físico.

Qualquer um desses sinais de alarme são designações para fazer tomografia computadorizada do paciente e ainda, se nada for constatado, uma punção liquórica, para serem completamente descartadas pequenas hemorragias.

Cefaleias primárias

Essa classe de cefaleia não possui fisiopatologia clara e, portanto, quase sempre não há fatores que causam essa dor.

Cefaleia do tipo tensão

A mais comum, podendo ser crônica, se enfrentada mais de 15 (quinze) vezes por mês, episódica, frequente até 14 (quatorze) vezes por mês, ou infrequente, se manifestada uma vez ao mês.

Comumente caracterizada por uma faixa de tênis apertando a cabeça holocranialmente, de intensidade leve ou moderada, como uma dor provocada por aperto na nuca.

Pode ser precipitada por estresse e movimentos. Apresenta ausência ou episódios de náusea, porém, quando acontece, não é severa, assim como foto e fonofobias.

Seu tratamento consiste em analgésicos ou antiinflamatórios não esteroidais (AINEs), lembrando sempre do limite de nove vezes ao mês ou duas vezes por dia dos AINEs.

A profilaxia em pacientes frequentes ou crônicos consiste em amitriptilina, que é um antidepressivo com contraindicações para insuficiência cardíaca e hepática.

Outras cefaleias primárias

Da tosse. Início súbito, de duração até 30 (trinta) minutos e dor bilateral. Sempre investigar se não há possibilidade de ser secundária, como a causada por tumor, ou que a pressão intracraniana não esteja elevada. Essa cefaleia responde bem à indometacina.

Do exercício. Com duração de 5 (cinco) minutos à 48 (quarenta e oito) horas, holocranial e pulsátil. Importante também investigar hemorragia subaracnoidea ou aneurisma. Tratamento através de indometacina.

Hípnica (do sono). Uma cefaleia mais comum em idosos, em que se acorda no meio da noite e dura entre 15 (quinze) minutos e 3 (três) horas. Relatada como uma dor em peso, 20% dos pacientes relata como intensa e 66% como bilateral. Geralmente melhora com café.

Vale ressaltar que duas cefaleias podem ocorrer simultaneamente.

Enxaqueca

Uma das cefaleias mais famosas, também conhecida como migrânea, é a enxaqueca. Atinge 12% da população, sendo mais prevalente entre indivíduos de 30 (trinta) e 39 (trinta e nove) anos.

Características diagnósticas. Intensidade moderada a grave, pulsante, unilateral, piora com atividade física habitual, tendo duração de 4 (quatro) a 72 (setenta e duas) horas; em crianças, pode durar de 2 (duas) a 72 (setenta e duas) horas, com crises de náusea ou vômito, fotofobia, fonofobia, hipersensibilidade, osmofobia, e melhora após vomitar ou dormir.

A maioria das pessoas possui gatilhos como período menstrual, estresse elevado, jejum, odores, etc., e a famosa aura, que são os sintomas precedentes da enxaqueca.

Aura. Dura de 5 (cinco) minutos a 1 (uma) hora, e é gradual. Há diversos tipos de aura, sendo mais comuns as visuais, quando a visão central escurece ou enxerga-se pequenos pontos; as sensoriais manifestam queimação ou formigamento em hemicorpo ou face; da linguagem, quando há troca de palavras; motoras, como hemiplegia; e a sem dor, somente aura sem a enxaqueca em si.

Quando acaba-se uma enxaqueca, movimentos bruscos da cabeça geram dor no local novamente.

O tratamento se inicia quando a enxaqueca começa e há evidências de que uma única e elevada dose medicamentosa mostra-se mais eficaz.

As classes dos triptanos e dos opioides podem oferecer grande ajuda ao tratamento abortivo, porém devem ser evitadas ao máximo já que possuem grande taxa de vício. Podem ser usados AINEs, analgésicos e ergotaminas, no caso de vômitos.

Para profilaxia da enxaqueca, se manifestada por mais de 2 (duas) vezes ao mês, fármacos comumente usados são propanolol, topiramato, com alta taxa de sucesso, gabapentina, amitriptilina, duloxetina e venlafaxina.

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Referências

  • NITRINI, R.; BACHESCHI, L. A. A neurologia que todo médico deve saber. 3° edição. São Paulo: Atheneu, 2015.
  • ROWLAND, L. P. Merritt: tratado de neurologia. 12° edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
  • SISTEMA, U. D. O. Atendimento de pacientes com cefaleia na urgência/emergência, 2017.
  • SPECIALI, J. G. et al. Protocolo nacional para diagnóstico e manejo das cefaleias nas unidades de urgência do Brasil. p.11, 2018.
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