Coronavírus

O Tocilizumabe no tratamento para COVID-19 é eficaz?

O Tocilizumabe no tratamento para COVID-19 é eficaz?

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Sanar Medicina

4 minhá 26 dias

Os estudos que utilizaram o Tocilizumabe, um anticorpo monoclonal inibidor do receptor de Interleucina 6 (IL-6), no tratamento para a COVID-19 mostraram resultados controversos até o presente momento.

Estes estudos foram do tipo open-label ou série de casos não randomizados. Recentemente, um artigo de ensaio clínico randomizado com o anticorpo foi publicado e ajuda a lançar luz sobre a questão.

Por que bloquear a Interleucina 6 com o Tocilizumabe?

Primeiro, discutamos o racional por trás da utilização do Tocilizumabe no tratamento da COVID-19. Como já afirmamos, trata-se de um anticorpo monoclonal contra o receptor da IL-6.

Mas, qual seria a justificava de bloquear este receptor? Bem, as evidências que se acumularam desde o início da pandemia mostram que a manifestação grave da COVID-19 tem como característica o estado hiperinflamatório, causando a chamada tempestade de citocinas.

Os marcadores inflamatórios anormalmente aumentados nessa fase incluem a IL-6, bem como os níveis de ferritina e proteína C reativa (PCR).

Estudos já demonstraram, inclusive, que altas concentrações da IL-6 estão associadas à níveis mais altos de viremia, tempo mais prolongado de clearence viral, progressão para ventilação mecânica e morte.

Portanto, estes achados levaram os pesquisadores a hipotetizar que o bloqueio do receptor da IL-6 poderia romper com a cascata inflamatória, e promover melhora do estado inflamatório, consequentemente, amenizando a doença.

Como o estudo foi realizado

O estudo foi realizado em sete hospitais de Boston, EUA. Consistiu em ensaio clínico randomizado, duplo cego, controlado por placebo, com pacientes que tiveram infecção pelo SARS-CoV-2 confirmada.

Os pacientes incluídos deveriam ter estado hiperinflamatório presente, além de pelo menos dois dos seguintes critérios: febre (T > 38°), infiltrado pulmonar, ou necessidade de O2 suplementar para manter SatO2 > 92%.

Os pacientes foram então alocados numa proporção 2:1, para receber tratamento padrão, adicionado de única dose do Tocilizumabe ou placebo. A dose do Tocilizumabe utilizada foi de 8mg/kg.

O desfecho primário de eficácia avaliado foi intubação ou morte. Os desfechos secundários foram piora clínica e descontinuação da suplementação com oxigênio.

Resultados do uso do Tocilizumabe na COVID-19

Um total de 243 pacientes foram inscritos no estudo, destes, 141 (58%) eram homens. A mediana da idade foi de 59,8 anos (variando de 21,7 a 85,4 anos), 45% dos pacientes eram hispânicos ou latinos.

Seguem os principais resultados do estudo:

  • O hazard ratio para intubação ou morte no grupo Tocilizumabe comparado ao grupo placebo foi de 0,83% ( Intervalo de confiança [IC] de 95%, 0,38 a 1.81; P = 0.64).
  • O hazard ratio para piora clínica foi de 1,11 (IC 95%, 0,59 a 2,10; P = 0.73).
  • O tempo mediano de descontinuação de O2 suplementar foi de 5,0 dias no grupo Tocilizumabe (IC 95%, 3,8 a 7,6), comparado a 4,9 dias (IC 95%, 3,8 a 7,8) no grupo placebo (P = 0.69).

Conclusão sobre o ensaio clínico com Tocilizumabe na COVID-19

A hipótese da utilização do Tocilizumabe para o tratamento da COVID-19, em pacientes com doença moderada (necessidade de suplementação de oxigênio mas não de ventilação mecânica), era bloquear a cascata inflamatória, impedindo progressão da doença.

Os achados do estudo, porém, indicaram que o uso do anticorpo monoclonal bloqueador do recepetor de IL-6 não exerceu efeito nos desfechos analisados, ou seja, no risco de intubação ou morte, na piora clínica, ou no tempo de descontinuação do O2 suplementar.

Devido aos largos intervalos de confiança, porém, não é possível descartar completamente o benefício ou risco do uso do Tocilizumabe, afirmam os autores do estudo. Mais pesquisas poderão esclarecer definitivamente o papel do anticorpo monoclonal para o tratamento da COVID-19.

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