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O uso da imunoterapia baseada em mrna e a vacina curevac |Colunistas

O uso da imunoterapia baseada em mrna e a vacina curevac |Colunistas

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Priscila Araújo

6 min há 60 dias

   No presente texto serão abordados os diversos impasses associados a vacinas com tecnologia baseada em mRNA, em especial a vacina CureVac, desenvolvida pelo laboratório CureVac na Alemanha, trazendo, de maneira clara e eficaz, explicações sobre como ela age no organismo no que se refere a infecção pelo SARS-CoV-2, especificando como o uso de RNA pode ser associado à produção de proteínas desejadas para determinada pesquisa, o que vem revolucionando a produção de imunizantes atualmente, por suas vantagens em relação a outras tecnologias de produção.

Imunoterapia com mRNA

    Inicialmente é pertinente discorrer sobre o processo terapêutico baseado no uso do RNA mensageiro sintético, o qual se baseia na produção de proteínas ativas, usando como referência o mRNA natural, sofrendo ação dos mesmos mecanismos de regulação. Esse material sintético deve obedecer exigências de estrutura para que ocorra uma produção efetiva, são elas: extremidade 5’, sequência poli A, codão de iniciação com uma região 5’ e outra 3’ e uma estrutura de leitura aberta para a codificação da proteína desejada.

 

Vacinas produzidas com RNAm

   As vacinas de mRNA são produzidas com base na seleção de neo-antígenos para a indução de uma resposta de células T, sendo essa produção dividida em dois modelos: uma utiliza o mRNA encapsulado, injetado diretamente, e a outra é composta por células dendríticas tratadas com mRNA fora do organismo, sofrendo impulsos elétricos posteriormente (electroporação). A primeira, por ser injetada diretamente, está exposta a várias barreiras celulares, enzimáticas e teciduais, como empecilhos na assimilação de mRNA nas células alvo e a degradação de RNA pelas RNases, o que dificulta seu uso direto, por isso essas vacinas geralmente são administradas por meio da transferência de células dendríticas, como já foi exposto anteriormente, sendo essa, uma técnica que exige bastante despesas.

   Assim, diante de impasses, várias pesquisas e modificações foram realizadas para qualificar as vacinas com essa tecnologia, como o aumento da eficácia da tradução do mRNA sintético, facilitando a ligação ribossomal, o aumento da expressão de proteínas in vivo e in vitro, elevação de sua capacidade estimuladora do sistema imune, além da adição de regiões codificantes de replicases virais, a qual aumenta consideravelmente a eficácia da vacina. Tais modificações podem se diferenciar em conformidade com o tipo de vacina a ser desenvolvido, sendo as mais frequentes: adição de uma sequência poliA na extremidade 3’, a inclusão de uma sequência CAP na extremidade 5’; elevação do conteúdo de Guanina- Citosina na estrutura de leitura aberta ORF. Dessa maneira, depois de várias descobertas e investigações, as vacinas de RNA estão sendo qualificadas para o uso na imunoterapia.

CureVac

   A CureVac utiliza a tecnologia de RNActive®, a qual possui como base o uso de RNA mensageiro, esse é complexado com protamina, e após injetado no organismo passará pelo reconhecimento realizado com receptores do tipo Toll-like, ativando as células apresentadoras de antígenos, gerando uma cascata de ativação de células TCD4+, pelo MHC de classe II, e de células TCD8+, pelo MHC de classe I. Essa tecnologia mostrou ser segura e capaz de induzir respostas imunes de maneira equilibrada, possuindo algumas vantagens como o não uso de vetores virais, evitando a integração genômica, maior velocidade de sua produção em comparação com outros medicamentos e vacinas e um grande potencial para a elaboração de vacinas multivalentes com grande número de antígenos, entre outras.

  No que se refere a vacina da CureVac para a COVID-19, o RNA mensageiro codifica a proteína spike, a qual facilita a entrada do vírus nas células do organismo por meio de sua ligação com o receptor ACE2, assim, essa produção de proteínas ativa o sistema imune, por meio do reconhecimento imunológico, para que ocorra a produção de anticorpos específicos que sejam eficazes em uma [MOU1] infecção esporádica pelo antígeno em questão. Ademais, a vacina produzida pela CureVac para o Sars-Cov-2 possui um armazenamento menos complexos em comparação com outros imunizantes atuais, necessitando de uma temperatura de -5°C e permanecendo inalterada fora da geladeira por até 24 horas.

Conclusão

   Dessa forma, observa-se que apesar de vários desafios associados ao uso do mRNA no desenvolvimento de vacinas para a imunoterapia, com as devidas pesquisas e avanços nessa técnica, algumas vacinas, como a CureVac e outras, foram produzidas e apresentam certo grau de eficácia contra patógenos como o coronavírus, auxiliando cada vez mais no processo de imunização da população e avanços tecnológicos de imunoterapia.

  Assim, entende-se a necessidade de estudos científicos e testes laboratoriais no desenvolvimento de novas tecnologias que auxiliem no combate a novas pandemias que possam vir a surgir, sendo de grande importância enfatizar as vantagens apresentadas pelo uso do RNA mensageiro para a produção de vacinas de maneira mais rápida, facilitando o controle mais eficaz tanto de patologias de caráter pandêmico, como o novo coronavírus, quando de outros patógenos que possam atingir tamanha progressão mundial.

  Por fim, é importante pontuar que apesar dos avanços nas pesquisas é sempre crucial que os desenvolvimentos e modificações perpetuem para a qualificação cada vez maior de imunizantes.

Autora: Priscila Maria Rodrigues Araújo

Instagram: @priscila_mariap

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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REFERÊNCIAS

BATTAGLIA, Rafael. CureVac: nova vacina alemã pode acelerar imunização contra a Covid-19. [S. l.], 6 maio 2021. Disponível em: https://super.abril.com.br/saude/curevac-nova-vacina-alema-pode-acelerar-imunizacao-contra-a-covid-19/. Acesso em: 3 jul. 2021.

ZAGALO, Daniela Mariana Marques. VACINAS DE RNA – Nova abordagem da Medicina Personalizada na Imunoterapia no Cancro. [S. l.], 2017. Disponível em: https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/83728/1/Daniela%20Zagalo%20Relat%c3%b3rio%20Final%20.pdf. Acesso em: 3 jul. 2021.

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