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Obesidade como fator agravante da covid-19 | Colunistas

Obesidade como fator agravante da covid-19 | Colunistas

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Milena Abra

6 min há 14 dias

Em 30 de Dezembro de 2019, foram relatados casos de uma Síndrome Gripal Aguda Severa, por Wuhan, com rápida disseminação e características até então desconhecidas, a qual posteriormente foi denominada como SARS-COV-2 ou COVID-19. Com características desconhecidas e rápida propagação foi decretada uma pandemia e assim emergência da saúde, com isso, a mundo viveu a quarentena.

Esta doença é caracterizada pela transmissão através de gotículas, contato direto e indireto, As manifestações clínicas variam de infecção assintomática ou leve a formas graves de doença com risco de vida. Dentre os sintomáticos foram observados quadros de febre, tosse e dispneia, entre dois a quatorze dias após a exposição ao mesmo.

A COVID-19 atinge principalmente o trato respiratório superior e inferior, provando desde sintomas leves a sintomas graves como a falta de ar severa e atingir outros órgãos.

Especialistas afirmaram que doenças crônicas não transmissíveis como Hipertensão Arterial, Diabetes e Obesidade podem favorecer o agravamento do caso, este último com estudos mostrando desfechos graves.

A obesidade, por ser o acúmulo de gordura e fisiologicamente poder ocasionar a diminuição das vias aéreas e assim a queda do fluxo de ar, com isso, quando infectados pelo vírus, ao cair o consumo de oxigênio, vão ter o potencial respiratório afetado drasticamente, e com o excesso de tecido adiposo podem ser pacientes bem difíceis de serem intubados.

Na imagem abaixo podemos fazer uma simples conta sobre o índice de massa corporal (IMC), o qual é o método mais utilizado para se avaliar sobrepeso/obesidade, além disso, vale ressaltar, a importância da circunferência abdominal, a qual em homens é usado como referência até 102cm e mulheres até 88cm.

Estudos mostraram que pacientes infectados e obesos necessitam de um atendimento diferenciado, visto que, apresentam um agravamento no quadro, atrelado a isso, estes pacientes tendem a ter uma imunidade mais baixa. A inflamação sistêmica de ambas as doenças, assim como a perturbação tecidual procedente da invasão celular pelo SARS-CoV-2 gerada pelo seu receptor na membrana celular, são críticos para o pior parecer da COVID-19 em pacientes obesos.

Vale lembrar que, em 2009, o sobrepeso já foi colocado como fator de agravamento para Síndrome Gripal – H1N1, é importante lembrar que estes indivíduos tem uma resposta menor a antivirais e vacinas. Além disso, o excesso de tecido adiposo, pode agir como um reservatório para o adenovírus.

Uma pesquisa realizada por Peng (2020), mostrou que pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) acima do ideal foram registrados com mais frequência em casos críticos como decorrência do COVID-19, do que os pacientes com IMC normal. Atualmente, também se sabe que, o risco tromboembólico é maior em indivíduos obesos.


Pesquisas trazem que indivíduos com alta quantidade de gordura corporal possuem desregulação das respostas mielóides e linfóides no tecido adiposo com desregulação associada dos perfis de citocinas, além disso, alta abundância de tecido adiposo estende a presença do vírus no organismo.

Obesidade infantil e a COVID-19

Infelizmente, atrelado a quarentena, a obesidade infantil sofreu um aumento, e apesar das crianças terem uma morbimortalidade baixa, não são isentas, com isso, algumas crianças podem apresentar a forma grave da doença e o excesso de peso é um fator agravante, além disso, o sobrepeso infantil é um problema de saúde pública mundial, e pesquisar sobre essa relação é de extrema relevância.

O excesso de peso pode acarretar em disfunção metabólica e um estado inflamatório, o qual altera o funcionamento do sistema imunológico, além do seu caráter inflamatório ter relação com o aumento da incidência de doenças respiratórias crônicas como, por exemplo, a asma. Estudos mostraram que as crianças internadas nas UTIs pediátricas para tratamento da COVID-19, a obesidade infantil é uma característica notável.

Obesidade e quarentena

Apesar do foco atual ser combater o vírus SARS-COV-2, não podemos negar que tal pandemia irá deixar problemas futuros, os quais ainda se estudam sobre.

Com o fechamento das escolas e a necessidade de distanciamento social, além do fechamento por um período elevado de academias e parques, levando ao confinamento, estudos alertam sobre o disparo da obesidade tanto adulta quanto infantil, já que, houve um aumento do sedentarismo atrelado ao aumento de alimentos industrializados, semelhante ao aumento que se tem em período de férias.

Atrelado a isso, houve um aumento em doenças emocionais, como a ansiedade, que por vezes, leva a compulsão alimentar.

Conclusão

É notável que ainda não se sabe muito sobre as sequelas que a pandemia irá deixar, além disso, há muito o que se pesquisar ainda, todavia, é notável que a obesidade é mais um fator de risco para crianças, adultos e idosos, além de ser um problema de saúde antigo e que cresce a cada dia, a taxa de agravamento de casos relacionados a COVID-19 até por ser uma patologia com agravante de quadro sistêmico infeccioso. Apesar do pouco que se sabe ainda, não é um assunto que deve ser deixado de lado, visto que, causa um agravamento significativo em quadros não só de SARS-COV-2, mas também em outras doenças respiratórias e síndromes gripais.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

https://www.scielo.br/j/ape/a/Tc9Yp8h8BZPbJnzhdFsxDKD/

https://www.brazilianjournals.com/index.php/BJHR/article/view/23255

https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/7304/6555

https://cdn.publisher.gn1.link/residenciapediatrica.com.br/pdf/rp130820a01.pdf

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