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Os 10 erros mais comuns em Cirurgia Plástica

Os 10 erros mais comuns em Cirurgia Plástica

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Sanar Residência Médica

6 min há 846 dias

Prof. Dr. Vergilius Neto

1. “Confundir enxerto com retalho e vice-versa”.

As reconstruções de tecidos em cirurgia plástica são feitas na maioria das vezes com a utilização de enxertos ou retalhos. A diferença básica é que o enxerto depende da vascularização do leito receptor para integração, já o retalho possui vascularização própria.

2. “Esquecer as fases de integração dos enxertos “.

Os enxertos dependem do leito receptor para uma boa integração. São três fases: embebição, inosculação e neovascularização. Na embebição, as primeiras 48 horas, o enxerto é nutrido pela sobrenadante da ferida. Na fase de inosculação, o 3 e 4 dia, ocorre o alinhamento entre os vasos do enxerto e do leito receptor. Já na fase de neovascularização, a partir do 4-5 dia, ocorre o surgimento de novos vasos no enxerto. Durante o período de integração, o enxerto ganha mais resistência e fixação ao leito da ferida.

3. “Confundir contratura primária com a secundária dos enxertos de pele”.

A contratura primária ocorre logo após a retirada do enxerto de pele, pois depende da espessura da derme (quantidade de fibras da matrix extra-celular). Já a contratura secundária ocorre durante o processo de integração e estabilização do enxerto, pois depende da contração das fibras de colágeno durante a cicatrização. Os enxertos de pele parcial possuem uma contratura secundária maior que a primária, porque apresentam maior quantidade de tecido cicatricial. Já os enxertos de pele total, apresentam maior contração primária do que a secundária.

4. “Errar o cálculo da reposição volêmica no grande queimado”.

Faz parte do tratamento agudo do grande queimado uma reposição volêmica agressiva. Para se saber o volume estimado correto, deve-se realizar o cálculo do volume através da fórmula de Parkland modificada = 2 x Peso x SCQ. Esse volume será administrado em 24 horas, sendo metade em 08 horas e a outra metade em 16 horas.

5. “Confundir escarotomia com fasciotomia”.

A escarotomia está indicada em paciente que apresentam queimadura de 3º grau circunferencial de tórax ou extremidades que estejam cursando com restrição da expansão torácica ou isquemia distal. Neste procedimento é realizado apenas a incisão da escara (queimadura de 3º grau) para liberação da restrição. Já a fasciotomia, é um procedimento indicado quando o paciente apresenta síndrome compartimental devido a edema da musculatura e consequente compressão vasculo-nervosa. Neste caso, é realizado uma incisão da fáscia para liberação da pressão dos compartimentos fasciais.

6. “Não identificar lesão inalatória em paciente queimado”.

A lesão inalatória é uma condição extremamente grave e potencialmente fatal nos pacientes queimados. Deve-se realizar uma avaliação clínica e exame físico criteriosos para se identificar alterações que sejam suspeitas para a queimadura da via aérea. Esta avaliação é realizada durante o atendimento inicial preconizado pelo ATLS. Na suspeita de presença de lesão inalatória, deve-se garantir via aérea definitiva, pois o paciente evolui rapidamente para insuficiência respiratória.

7. “Errar o cálculo estimado da Superfície Corpórea Queimada (SCQ)”.

O cálculo estimado da Superfície Corpórea Queimada (SCQ) é utilizado como parâmetro para inferir a gravidade do paciente e como variável no cálculo da reposição volêmica do paciente. Nesta conta entram as queimaduras de 2º e 3º grau.

8. “Confundir cicatriz hipertrófica com quelóide”.

A cicatriz hipertrófica é uma condição em que ocorre uma maior produção de colágeno durante a cicatrização, mas esta exacerbação respeita os limites da cicatriz e responde bem ao tratamento (compressão, infiltração de corticóide e ressecção cirúrgica), tendo uma boa evolução e menores taxas de recidiva. Já o quelóide, é uma patologia extremamente agressiva e com grande produção de matriz extracelular, que não respeita os limites da cicatriz e de difícil controle (altas taxas de recidiva).

9. “Indicar tratamento cirúrgico para úlceras por pressão sem a compensação clínica adequada do paciente “.

Os paciente portadores de úlceras por pressão na maioria das vezes apresentam condições clínicas que impactam negativamente na cicatrização e boa evolução da ferida, como: diabetes, desnutrição, paraplegia, espasmos, doenças imunológicas e reumatológicas, tabagismo, restrição ao leito. É muito importante que estas condições sejam controladas antes de se realizar qualquer intervenção cirúrgica nestes pacientes. Durante o período de compensação clínica, a ferida também deve ser preparada com curativos especiais.

10. “Não lembrar dos benefícios da terapia por pressão negativa em feridas agudas e crônicas”.

A terapia por pressão negativa contínua revolucionou o tratamento das feridas agudas e crônicas. Esta técnica utiliza esponjas de poliuretano, filme plástico para vedação, mangueira para sucção e aparelho que gera uma pressão negativa contínua no leito da ferida.

Os benefícios deste tratamento são: diminuição do exsudato e colonização bacteriana, contração das bordas da ferida, estímulo à formação de tecido de granulação e neoangiogênese e impermeabilização da ferida. Todos esses benefícios ajudam no preparo da ferida para o tratamento definitivo e diminuem o risco de infecção. 

Confira o vídeo:

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