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Os olhos do outro: o desafio do cuidado na prática médica | Colunistas

O conceito de cuidado é múltiplo e complexo nas diversas áreas da saúde e, na prática médica, dar atenção à vida de outro indivíduo da forma adequada é um desafio que torna a medicina uma ciência, sobretudo, humana.

Durante a graduação, são ilustres os momentos em que os alunos são preparados para conversar com os pacientes, como se portar diante deles e como exercer a melhor prática possível, no entanto, o cuidado transcende uma boa entrevista clínica com o mero objetivo de estabelecer um diagnóstico e uma conduta, mas sim compreender o ser humano nas suas esferas física, mental, social, econômica, cultural e espiritual.

Sob essa perspectiva, é possível abranger o cuidado na prática médica através de alguns pilares:

·Acolhimento/Empatia: antes de tudo, é válido nos colocarmos no lugar do outro, demonstrar solidariedade, respeito e afeto com relação àquele que está sendo atendido, cumprimentando ou com um sorriso, quebrando desde o início barreiras de comunicação que possam vir a dificultar o cuidado.

·Escuta: a escuta ativa do paciente é fundamental, prestando atenção, com contato visual e com uma postura não julgadora, para incentivar que o paciente conte tudo o que ele acha pertinente.

·Vínculo: a relação médico-paciente é imprescindível para adquirir confiança, intimidade e conhecer o dia a dia do paciente, ajudando-o a expor seus problemas e entendendo a melhor maneira de exercer o cuidado.

·Responsabilização: como estudantes ou profissionais, temos uma responsabilidade com relação às orientações e informações passadas ao paciente, como, por exemplo: o que é a doença, como foi adquirida, qual o tratamento e como ele será feito, prevenção de outras doenças e quaisquer dúvidas que possam surgir.

·Continuidade da atenção: é necessário garantir que o paciente seja assistido de forma periódica em diversos níveis de complexidade, da visita domiciliar ao hospital de grande porte, com o acompanhamento do cuidado, evitando a piora da sua condição.

·Trabalho em equipe: para que o cuidado seja efetivo, é preciso entender a importância da abordagem multiprofissional, com um trabalho articulado, em que o cuidado possa ser integral, estimulando a atenção conjunta com áreas como nutrição, fisioterapia, enfermagem e psicologia.

É imprescindível entender que o cuidado não deve ser engessado e aplicado da mesma forma para todos, pois cada indivíduo tem uma necessidade que o torna singular, e este olhar possibilita entender o outro na sua maior vulnerabilidade e fazer o concebível para minimizar seus problemas.

Cuidar é dar “bom dia”, perguntar como o paciente se sente na condição em que se apresenta, quais os impactos disso em sua vida, ouvir suas incertezas, perguntar se ele está feliz ou triste, perguntar como está sua família, é desenhar um sol e uma lua para representar o horário do dia em que o paciente deve tomar o remédio porque o mesmo não sabe ler, é pedir apoio à família e amigos do paciente.

Cuidar é entender que os mínimos detalhes fazem a diferença e, mais do que tudo, é demonstrar que nos importamos com aquela pessoa que está na nossa frente, afinal, o cuidado é a essência da prática médica.

Referências

  1. GONÇALVES, J et al. Cuidado à Saúde e a Formação do Profissional Médico. Rev Bras de Edu Med 2018; 42 (3): 9-15.
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