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Osteoporose: fatores de risco, diagnóstico e tratamento | Colunistas

Osteoporose: fatores de risco, diagnóstico e tratamento | Colunistas

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Thiele Zuculoto

6 min há 136 dias

INTRODUÇÃO

A osteoporose é uma doença óssea crônica e progressiva que acomete preferencialmente idosos. Caracteriza-se por redução da massa óssea, ruptura da microarquitetura e fragilidade do esqueleto. A consequência mais importante é a ocorrência de fratura por fragilidade, sendo as mais comuns as fraturas verterias, do punho e do fêmur.

Estima-se que cerca de 50% das mulheres e 20% dos homens com idade igual ou superior a 50 anos sofrerão uma fratura osteoporótica ao longo da vida e cerca de 5% dos indivíduos que apresentam fratura de quadril morrem durante a internação hospitalar, 12% morrem nos 3 meses subsequentes e 20% morrem no ano seguinte ao da fratura, de acordo com dados norte-americanos.

CLASSIFICAÇÃO

A osteoporose pode ser classificada em primária (idiopática) ou secundária, sendo a primária classificada ainda em tipo I e tipo II.

A osteoporose primária tipo I ocorre em mulheres pós-menopausa e ocasiona uma rápida perda óssea, afetando principalmente o osso trabecular e associada a fraturas de rádio distal e vertebras. Já a tipo II, ou senil, é relacionada com o envelhecimento e aparece por deficiência crônica de cálcio, aumento da atividade do paratormônio e diminuição da formação óssea.

A osteoporose secundária é decorrente de processos inflamatórios como artrite reumatoide, alterações endócrinas e desordens adernais. Uso de drogas como corticoides, os quais inibem a absorção de cálcio intestinal e aumentam sua eliminação urinária; entre outros.

FATORES DE RISO

Sexo feminino, idade avançada, brancos e asiáticos, história familiar de osteoporose, história de fratura prévia, deficiência de estrogênio, menopausa prematura (<40 anos), tabagismo, etilismo, sedentarismo, corticoterapia por mais de 3 meses, IMC <19 kg/m².

As mulheres correm um risco maior de osteoporose após a menopausa devido aos níveis mais baixos de estrogênio, um hormônio feminino que ajuda a manter a massa óssea.

DIAGNÓSTICO

Como a osteoporose é uma doença silenciosa e não apresenta quadro clínico evidente, é essencial identificarmos os fatores de risco para osteoporose e fraturas. O diagnóstico pode ser realizado por meio da identificação de fraturas por fragilidade ou pelo critério da Organização Mundial da Saúde (OMS) em que a densitometria óssea (DMO) menor que 2,5 desvios padrão (escore T) do esperado para mulheres adultas jovens, medida pela absorciometria com raios X (DXA). Quando o escore Z (corrigido para a idade do paciente) estiver alterado sugere presença de causas secundárias.

Solicitar DXA em todas as mulheres com 65 anos ou mais; homens com 70 anos ou mais; mulheres na pré-menopausa ou homens entre 50-70 anos quando apresentarem algum fator de risco definido; adultos com fratura por fragilidade, com doença ou condição associada a baixa massa óssea; avaliar usuários de fármacos que causam baixa massa óssea.

Tabela 1- Critérios de classificação da densidade mineral óssea pela OMS, segundo medidas obtidas pela densitometria óssea
ClassificaçãoCritério densitométrico   
NormalEscore T até 1 DP
OsteopeniaEscore T até 1-2,5 DP
OsteoporoseEscore T abaixo de 2,5 DP
Osteoporose grave ou estabelecidaEscore T abaixo de 2,5 DP e uma ou mais fraturas osteoporóticas
DP: desvio padrão

Recomenda-se para todos os pacientes uma avaliação laboratorial mínima antes de iniciar o tratamento: hemograma, cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, função tiroidiana, dosagem de vitamina D (25(OH)D), calciúria de 24 horas, radiografia simples lateral da coluna torácica e lombar e medida da DMO na coluna lombar e fêmur proximal. A radiografia simples é útil apenas no diagnóstico da fratura.

FRAX: calcula a probabilidade absoluta de ocorrência de fratura maior em 10 anos e a probabilidade de fratura de quadril em 10 anos. Esse risco é calculado associando-se características do indivíduo (Sexo, idade, IMC), fatores de risco para fratura e, de modo opcional, a DMO do colo do fêmur. (www.shef.ac.uk/FRAX)

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Osteomalácia; hiperparatireoidismo; mieloma múltiplo; doença de Paget; abuso físico (principalmente quando há fraturas em locais atípicos); osteodistrofia renal.

TRATAMENTO

O tratamento inclui uma dieta adequada, cessação tabagismo e etilismo, exercício físico regular, suplementar cálcio e vitamina D, usar medicamentos específicos.

Indicação de medicamento específico: presença de fratura de fragilidade em quadril ou coluna (clínica ou assintomática), ou escore T ≤ −2,5 DP (colo, fêmur total ou coluna) ou FRAX, em pacientes com osteopenia, risco de 3% ou mais de fratura no quadril ou 20% ou mais para fraturas maiores.

Principais fármacos específicos:

Bisfosfonados(alendronato, risedronato, ibandronato e ácido zoledrônico): tratamento de escolha para osteoporose. Eles interferem diretamente no equilíbrio entre destruição e neoformação óssea, por modificarem a dinâmica celular do osteoclasto, aumentando, portanto, a massa óssea e diminuindo o risco de fraturas. Os efeitos colaterais incluem náuseas, disfagia, azia, esofagite e úlcera gástrica.

Denosumabe: é um anticorpo monoclonal humano (IgG2 humana) que se liga ao RANKL, tanto solúvel quanto ligado à membrana, com alta afinidade. Impede a ligação do RANKL ao RANK, e, por conseguinte, a ativação e a diferenciação osteoclástica. Esse fármaco também aumenta a massa óssea e reduz o risco de fraturas.

Teriparatida: Um fragmento sintético do PTH. Aumenta a atividade dos osteoblastos. É indicado para tratamento inicial da osteoporose pós-menopausa em mulheres com alto risco de fraturas ou que tenham falhado ou não tolerado tratamento prévio para osteoporose. Pode ser utilizado pelo tempo máximo de 2 anos.

Autora: Thiele Machado Zuculoto

Instagram: @thielez

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

STEFANI, S.; BARROS, E. Clínica médica: consulta rápida. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2020.

Carvalho MA, Lanna CCD, Bertolo MB, Ferreira GA. Reumatologia – Diagnóstico e Tratamento. 5ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 224, de 26 de março, de 2014. Aprova Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose. Disponível em: .Acesso em: 07 jul. 2021.

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