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Parada cardiorrespiratória: passo a passo para acertar qualquer questão

Parada cardiorrespiratória: passo a passo para acertar qualquer questão

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Parada cardiorrespiratória: super resumo e questões comentadas da residência médica!

Estima-se que no Brasil ocorrem cerca de 30 casos de morte súbita a cada 10.000 habitantes. Dentre essas mortes, cerca de 50% são causadas por acometimento cardiovascular. Entre os principais fatores para o óbito estão os distúrbios de condução elétrica e o infarto agudo do miocárdio (IAM). 

Nesse contexto, a parada cardiorrespiratória (PCR) é a mais grave consequência, pois causa inúmeras manifestações clínicas que podem gerar danos irreversíveis ao tecido cerebral.

Qual a definição de parada cardiorrespiratória? 

A parada cardiorrespiratória consiste na cessação súbita e inesperada da atividade mecânica cardíaca. Dessa forma, ocorre um colapso do sistema cardiovascular. 

Como consequência deste defeito hemodinâmico, há uma redução da oferta de oxigênio necessária para nutrição dos tecidos do paciente. Assim, ocorre uma situação de alto grau de risco para vida do paciente.

Quais as principais causas? 

Ao se deparar com pacientes em parada cardiorrespiratória (PCR) sem uma causa evidente, é necessário realizar um checklist rápido, buscando observar o mecanismo causador da PCR. O mnemônico conhecido para este processo são os 5Hs e 5 Ts, em que se divide em 10 mecanismo principais as causas de PCR.

Relembre esses temas clicando aqui!

Como é feito o diagnóstico de parada cardiorrespiratória?

O diagnóstico é, acima de tudo, clínico. Contudo, a identificação dos eventos eletrocardiográficos, como:

  • Taquicardia ventricular sem pulso
  • Fibrilação ventricular
  • Atividade elétrica sem pulso ou assistolia

Esses achados em um paciente em PCR são muito importantes, sendo capaz de determinar tanto o uso imediato do desfibrilador elétrico quanto a terapêutica medicamentosa. 

Quando iniciar a ressuscitação do paciente em parada cardiorrespiratória?

Para o reconhecimento da Parada cardiorrespiratória (PCR), inicialmente o médico deve avaliar se o local está seguro. Em seguida, deve-se checar a responsividade da vítima. Quando a irresponsividade da vítima for comprovada, inicia-se a RCP. 

Relembrando uma RCP de qualidade em uma parada cardiorrespiratória

Para realizar uma RCP de qualidade, é necessário:

  • Posicionamento correto: mãos entrelaçadas com região hipotênar da mão dominante no centro do tórax do paciente, mantendo os cotovelos estendidos e formando ângulo de 90° com o plano horizontal.
  • Realize uma frequência de compressões de 100 a 120 por minuto
  • Vale lembrar que é necessário trocar o profissional que realiza as compressões a cada 2 min, devido aos esforços o indivíduo pode ter fadiga e por isso redução da eficácia das compressões.
  • As compressões devem ocasionar uma depressão no tórax entre 5 e 6cm
  • Permitir o retorno do tórax à posição inicial

Além disso, é necessário realizar a abertura das vias aéreas. Deve-se realizar uma manobra de inclinação da cabeça e elevação do mento ou manobra de tração da mandíbula. Essas manobras são essenciais, visto que quando a vítima está inconsciente, a musculatura da base da língua relaxa, provocando uma obstrução imediata da via aérea. 

Como as questões de parada cardiorrespiratória caem na prova de residência médica? 

Veja abaixo algumas questões da prova de residência comentadas:

Questão 1

Você, médico residente, está andando na rua voltando para casa após o plantão noturno para completar a renda, quando encontra um idoso pedindo ajuda, pálido e com dor no peito.

Ao se aproximar, o idoso cai no chão, arresponsivo. Está sem pulso. Após avaliar a segurança da cena e pedir ajuda, qual deve ser a próxima conduta imediata neste caso? (PUC-SP, 2022)

  1. Promover abertura de via aérea e fazer respiração boca-a-boca intercalada com compressões torácicas efetivas.
  2. Ventilação boca-a-boca, e então iniciar manobras de ressuscitação cardiopulmonar com 100 movimentos/minuto.
  3. Aguardar a chegada do desfibrilador externo automático, pela alta possibilidade de ritmo chocável.
  4. Compressões torácicas efetivas, enquanto aguarda a chegada de ajuda/desfibrilador externo automático.

Comentário da questão

Vamos relembrar o passo-a-passo inical do BLS:

1) garantir a segurança da cena;

2) avaliar responsividade; 

3) chamar ajuda; 

4) checar pulso central (por 5 a 10 segundos) e respiração simultaneamente; 

5) iniciar compressões torácicas (100/min, 5 a 6 cm de profundidade) e aguardar a ajuda com desfibrilador. A ventilação boca-a-boca é desestimulada no BLS, pelo risco de contaminação com doenças infectocontagiosas. Deve ser feita se houver dispositivo de barreira disponível

Questão 2

Em um caso de parada cardiorrespiratória, em um setor de emergência, após realizada a intubação orotraqueal, nota-se, no monitor do leito, o valor de pressão arterial diastólica de 25 mmHg e a capnometria (ETCO2) de 17 mmHg.

Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a orientação que deverá ser dada à equipe no momento (SUS-SP, 2022)

  1. Aumentar o número de compressões por minuto, visto que pressões menores de 25 mmHg indicam baixa velocidade de compressão
  2. Aumentar a força da massagem cardíaca para aumentar a profundidade da compressão para além de 5 cm, visto que a pressão arterial diastólica está abaixo de 40 mmHg
  3. Continuar com o protocolo, visto que os parâmetros indicam massagem cardíaca adequada
  4. Diminuir o número de compressões por minuto, visto que pressões menores que 25 mmHg indicam alta velocidade de compressão
  5. Trocar de socorrista, visto que ETCO2 abaixo de 35 a 40 mmHg indica fadiga de socorrista.

Comentário da questão 

Sobre os parâmetros de boa compressão, podemos usar a capnografia com PETCO2 > 10 mmHg (ideal > 20 mmHg) e também a pressão arterial diastólica (PAD) invasiva, com valor ideal > 20 mmHg.

Questão 3

De acordo com as recomendações atuais, a melhor estratégia de desfibrilação e de trombólise, numa parada cardiorrespiratória (PCR) em fibrilação ventricular, de um paciente com síndrome coronariana aguda com supradesnivelamento de segmento ST, é:

  1. Desfibrilação elétrica com 200J + trombolítico após retorno à circulação espontânea
  2. Desfibrilação elétrica com 200J + trombolítico + manobras de reanimação cardiopulmonar
  3. Elétrica com 200J + manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) + trombolítico 50% da dose
  4. Desfibrilação elétrica com 200J após cinco minutos de manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) + trombolítico após retorno à circulação espontânea

Comentário da questão 

A questão deseja saber qual a conduta frente a um indivíduo com síndrome coronariana aguda (SCA) com supradesnivelamento de segmento ST, que se encontra em parada cardiorrespiratória em fibrilação ventricular (FV), tanto do ponto de vista da desfibrilação quanto da trombólise, de forma isolada.

A desfibrilação elétrica é preconizada nos ritmos chocáveis (fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso), sendo utilizada uma carga de 360J para os desfibriladores monofásicos e uma carga de 120-200J para os bifásicos, sendo este último o tipo mais utilizado na prática.

Após a administração do choque, deve-se prosseguir com a reanimação cardiopulmonar (RCP), através de compressões torácicas e ventilações, em um ritmo de 30:2 para adultos.

Referência bibliográfica

  • Martins H S, Santos R , Arnaud F et al. Medicina de Emergência: Revisão Rápida. 1ª edição. Barueri, SP: Manole, 2016.
  • Medicina de emergências: abordagem prática / Herlon Saraiva Martins, Rodrigo Antonio Brandão Neto, lrineu Tadeu Velasco. 11. ed. rev. e atual. Barueri, SP: Manole, 2017.

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