Urgência e Emergência

Parada cardiorrespiratória (PCR): o que fazer?

Parada cardiorrespiratória (PCR): o que fazer?

Compartilhar
Imagem de perfil de Sanar Pós Graduação

Reconhecendo a PCR

Para o reconhecimento da Parada cardiorrespiratória (PCR), após ter certeza que o local está seguro, deve-se checar a responsividade da vítima. Para isto, agita-se gentilmente os ombros da vítima e grita-se: “senhor, senhor, o senhor está me ouvindo?”

Se a arresponsividade da vítima for comprovada, chame por ajuda e ative o serviço médico de emergência solicitando um desfibrilador externo automático (DEA): aponta-se diretamente para uma pessoa que esteja na cena “Você … ,ligue para o SAMU 192 e peça para trazer um DEA”.

Fonte: Treinamento de Emergências Cardiovasculares Avançado da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Após chamar por ajuda, devem ser avaliados simultaneamente e por 5 a 10 segundos a respiração, através de movimentos de elevação do tórax, e o pulso carotídeo do mesmo lado do avaliador, com o objetivo de constatar se há bombeamento cardíaco.

A vítima pode-se apresentar irresponsiva, com pulso presente e respiração normal, e a conduta é monitorizar até a equipe de atendimento pré-hospitalar chegar. Se a vítima estiver irresponsiva, com pulso presente e respiração anormal (sem movimentos respiratórios ou gasping), providencia-se uma ventilação de resgate que deve ser realizada a cada 5-6 segundos, sendo o pulso checado a cada 2 minutos.

Se a vítima se apresentar irresponsiva, SEM pulso e respiração (ou gasping), a parada cardiorrespiratória (PCR) é constatada.

Fonte: Treinamento de Emergências Cardiovasculares Avançado da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Inicia-se, então, imediatamente, a RCP de alta qualidade até a chegada do DEA.

Como realizar as compressões torácicas na PCR?

1. Posicionamento correto: mãos entrelaçadas com região hipotênar da mão dominante no centro do tórax do paciente, mantendo os cotovelos estendidos e formando ângulo de 90° com o plano horizontal.

Fonte: Medicina de emergências- abordagem prática

2. Frequência de 100 a 120 compressões por minuto.

3. Deve-se trocar o profissional que realiza as compressões a cada 2 min, pois existe relação entre esforços prolongados do mesmo indivíduo, fadiga e redução da eficácia das compressões.

4. As compressões devem ocasionar uma depressão no tórax entre 5 e 6cm.

5. Não se apoiar sobre o tórax do paciente, para permitir o retorno do tórax à posição inicial.

6. Minimamente interrompidas.

Componentes para realização de RCP de alta qualidade

Ventilações

O que se preconiza na literatura atual é que não há obrigação de ventilação em vítimas desconhecidas, sendo as compressões o principal fator redutor de mortalidade (evidência obtida em alguns estudos).

Entretanto, se optar por ventilar, deve ser feito da seguinte maneira: realizar através de respirações boca a boca ou com utilização de máscara as ventilações observando a expansão torácica e em uma proporção de 30 compressões para 2 ventilações. Cada ventilação deve durar 1 segundo. As manobras de elevação do queixo ou de tração da mandíbula permitem passagem de ar pelas vias aéreas e precisam ser feitas para aumentar eficácia das ventilações, com cuidado em pacientes vítimas de trauma.

Desfibrilação rápida na PCR

Fonte: Treinamento de Emergências Cardiovasculares Avançado da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Após a chegada do DEA, o ritmo deve ser imediatamente checado para se verificar se é chocável ou não e, para isso, as pás devem ser colocadas de forma correta como indicado no equipamento. A partir desse momento, o DEA fornecerá informações e suas instruções devem ser seguidas rigorosamente.

Fibrilação Ventricular e Taquicardia Ventricular (sem pulso) são os únicos ritmos em uma PCR que são potencialmente chocáveis, colocando a desfibrilação como prioridade. Se o ritmo presente não for uma TV ou FV, não estará indicado o choque, cabendo ao socorrista manter a massagem cardíaca e as ventilações.

A sobrevivência de uma parada cardíaca por fibrilação cai de 7 a 10% por minuto sem desfibrilação.

Fonte: Medicina de emergências- abordagem prática

Referências

Martins H S, Santos R , Arnaud F et al. Medicina de Emergência: Revisão Rápida. 1ª edição. Barueri, SP: Manole, 2016.

Medicina de emergências: abordagem prática / Herlon Saraiva Martins, Rodrigo Antonio Brandão Neto, lrineu Tadeu Velasco. 11. ed. rev. e atual. Barueri, SP: Manole, 2017.

Canesin M F, Timerman S. Treinamento de Emergências Cardiovasculares Avançado da Sociedade Brasileira de Cardiologia. 1ª edição, Manole, 2013.

Créditos da imagem: Médico foto criado por wavebreakmedia_micro – br.freepik.com