Medicina Intensiva

Intubação de Sequência Rápida em crianças: quando indicar

Intubação de Sequência Rápida em crianças: quando indicar

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A intubação de sequência rápida (SRI) em crianças é um dos procedimentos presentes no ambiente de Unidade Intensiva.

Portanto, pensando no grupo etário, é importante que você, médico(a), esteja familiarizado com o seu protocolo, a fim de torná-lo mais fácil e menos traumático.

Intubação de sequência rápida (SRI) em crianças

O objetivo da intubação de sequência rápida é ser um procedimento seguro e rápido, contando com sedação e paralisia. Confira seu passo a passo!

Por esse motivo, é importante que o médico responsável pela intubação seja muito bem treinado. Dessa forma, ele pode ser realizado por médicos de emergência ou de terapia intensiva treinados em manejo avançado de vias aéreas.

Contando com isso, o procedimento deve ser realizado em crianças que precisam de uma intubação de emergência, porém:

  • Não estando em parada cardíaca e crianças em coma profundo, em que a sedação e paralisia são desnecessários;
  • Não tendo sido preparada para uma outra intubação, apenas sedada e sem paralisia.

Considerando as precauções importantes, é vital relembrar que a sedação e paralisia eliminam os reflexos protetores das vias aéreas e a respiração espontânea. Logo, a intubação de sequência rápida em crianças deve ser modificada para os pacientes cujo uso da bolsa-máscara e a intubação sejam mais difíceis.

Indicações e contraindicações da SRI em crianças

A intubação de sequência rápida é indicada nas seguintes circunstâncias:

Por outro lado, existem algumas circunstâncias que contraindicam o procedimento, sendo elas:

  • Pacientes em parada cardíaca ou coma profundo;
  • Edema significativo, trauma ou distorção facial ou laríngea;
  • Respiração espontânea e condições adequadas para manter a perviedade das vias aéreas.

Sedação e bloqueio neuromuscular na intubação de sequência rápida em crianças

Sedação

A sedação tem como objetivo induzir rapidamente a inconsciência com efeitos colaterais mínimos.

O etomidato cuja dose indicada é a de 0,2 a 0,4 mg/kg, infundidos, EV, em 30 a 60 segundos, é indicado em casos de:

Os benzodiazepínicos contam com o Midazolan e o Diazepam sendo que:

  • Midazolan, é indicada uma dose de 0,1 a 0,3 mg/kg, EV;
  • Diazepam 0,3 a 0,5 mg/kg, EV.

Quanto ao Propofol deve ser administrado a uma dose de 1 a 3 mg/kg, EV e a Cetamina, de 1 a 4 mg/kg, EV, ou ainda podendo ser administrada por via intramuscular 3 a 4 mg/kg.

Bloqueio neuromuscular

É importante relembrar que o bloqueador neuromuscular não oferece sedação, mas sim um relaxamento muscular completo, facilitando a intubação.

Os agentes de bloqueio neuromuscular podem ser o Rocurônio, cuja dose é de 0,6 a 1,2 mg/kg, de administração endovenosa.

Além dele, o Suxametônio também pode ser utilizado, sendo que:

  • Doses de 1 a 1,5 mg/kg para crianças, EV;
  • Dose de 2 mg/kg para lactentes, EV;
  • Em uso intramuscular, deve ser usado o dobro da dose EV, aguardando o início da ação em 2 a 4 minutos.
Figura 1: Recomendações de sedativos para situações clínicas específicas.

Confirmando o posicionamento do tubo na intubação de sequência rápida em crianças

Para a confirmação primária do posicionamento do tubo se dá através de uma visualização direta da sua passagem pelas cordas vocais.

Além disso, é importante verificar se a elevação do tórax durante a insuflação manual ou mecânica é bilateral e semelhante, além de uma ausculta nos 5 pontos:

  • Epigástrio;
  • Tórax anterior esquerdo e direito;
  • Linha axilar média esquerda e direita.

Já para a confirmação secundária, caso haja parada cardíaca, deve ser usado o dispositivo de detecção esofágica (DDE). O DDE ou o capnógrafo também deve ser usado a fim de verificar a pessão de CO2 ao final da expiração da criança.

Por fim, tendo sido feita a checagem cuidadosa do tubo, é realizada a sua fixação. Apesar disso, você deve estar atento à possibilidade de deslocamento ou obstrução do tubo endotraqueal.

Perguntas frequentes

  1. Quais são possíveis efeitos adversos da intubação de sequência rápida em crianças?
    É possível que o paciente apresente ansiedade, laringoespasmo, regurgitação e aspiração do conteúdo gástrico, por exemplo.
  2. Na anamnese algumas perguntas devem ser feitas. Quais seriam algumas delas?
    Uso de medicamentos, história AMPLE e alergias, além de líquidos ingeridos e sua última refeição.
  3. Após a realização da intubação quais são as medidas propedêuticas a serem tomadas?
    Deve ser feita uma radiografia de tórax após a intubação, além de uma gasometria arterial.

Referências

  1. Dewesh Agrawal, MD. Rapid sequence intubation (RSI) outside the operating room in children: Approach. UpToDate
  2. Carolina de Araújo Affonseca. Protocolo de Intubação em Sequência Rápida em Pediatria. Disponível em: https://bit.ly/3sy3FsY.