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Plantão Médico: me formei, e agora? | Colunistas

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Lídia Tatekawa

5 minhá 90 dias

Lembro daquela sensação de ansiedade pela formatura, por finalmente ter um CRM para chamar de meu, pela procura por plantões de início imediato, da dica mais valiosa dos veteranos, de nunca pegar um plantão em um lugar que você não tem referência de como funciona e, claro, se pagam corretamente.

Cumprida todas as etapas, com o melhor jaleco na bolsa e com o carimbo que carregava o peso de tantos anos de dedicação, me precavi ainda mais nos primeiros meses da minha vida profissional, fazendo todos os plantões com uma amiga que se formou comigo. Mesmo quando o plantão tinha vaga apenas para uma pessoa, íamos juntas com a certeza de que ter alguém por perto em quem você confia, ajuda muito. Naquela época, do meu primeiro plantão, os aplicativos de medicina não eram tão disponíveis como hoje, mas para tudo sempre se dava um jeito. Eu tinha uma pasta no celular, com as fotos dos principais resumos e esquemas, tudo ali, preparado e de fácil acesso para os momentos de dúvida (ou desespero).

Como se preparar

Passada a etapa de preparativos iniciais, a primeira coisa que posso te aconselhar é conhecer o local de trabalho antes do primeiro plantão. Entenda exatamente quais serão suas funções (atender apenas as fichas azuis, verdes e amarelas? Ajudar na sala de emergência se necessário? Resolver intercorrências de outros setores? Fazer avaliações dos pacientes de outras especialidades?). Com certeza, ter uma noção do que você pode fazer nas suas 12 horas de plantão vai te tranquilizar. Descubra existirão outros médicos de plantão no mesmo horário que vocês e, assim que chegar, se apresente para o colega e para equipe da enfermagem, que, com certeza vai te ajudar muito. O que aprendi logo no começo da carreira foi justamente isso, enquanto você está de passagem de serviço, normalmente a equipe de enfermagem está lá há mais tempo do que você tem de vida, então uma relação construída com respeito mútuo te ajudará a lidar com as dificuldades da rotina de um novo serviço, assim como, ter uma equipe experiente poderá proporcionar um olhar clínico para gravidade do paciente, muito maior que o seu, que está iniciando a jornada na área médica.

Chegando ao primeiro plantão

Como tudo na vida, devemos esperar o melhor mas também nos prepararmos para o pior, portanto, quando chegar no plantão, confira o carrinho de parada, veja quais medicações estão disponíveis, confirme se o laringoscópio está funcionando, quais tamanhos de tubos orotraqueal estão disponíveis e, algo que ajuda muito nesse início, tenha na mente ou em local de fácil acesso, o cálculo médio de doses das drogas usadas na sequência rápida da intubação (eu sempre deixava calculado para uma pessoa de 70kg, que é uma média aproximada da população). É fundamental que você faça um reconhecimento inicial do local para saber onde estão os principais materiais e medicamentos, e quais recursos você tem disponível no local.

Agora, é só aguardar o primeiro paciente chegar. Lembre-se, aquele que vem procurar sua ajuda, seja ela por qual motivo for, não tem culpa se você está nervoso ou ansioso pelo primeiro dia de plantão, o paciente quer apenas que você tente ajudá-lo da melhor forma possível. Tenha sempre empatia, seja educado e gentil pois quando uma relação médico-paciente é boa, metade do caminho para um bom atendimento já foi percorrido. Nunca tenha vergonha de pedir ajuda para alguém da equipe e tenha sempre em mente que ninguém nasceu sabendo, todos estamos em constante processo de crescimento, e pedir ajuda não é nenhum demérito.  Claro, na hora do aperto, sempre é possível pedir licença ao paciente, sair da sala de atendimento e dar uma checada na posologia correta a ser prescrita, discutir o caso com o colega do plantão ou até mesmo ligar para algum amigo mais experiente. Na dúvida, procure ajuda. Na nossa profissão não estamos lidando com números de atendimentos, mas sim com vidas, cientes que temos que ter responsabilidade sobre cada decisão.

Em 2016, no meu primeiro plantão, a primeira paciente que atendi era uma moça jovem, com queixa de dor de estômago, e eu estava mais aflita do que ela por receio de estar prescrevendo um Omeprazol de forma errada. Saí da sala e fui conversar com minha amiga que já estava de prontidão do lado de fora, conferindo se a prescrição estava correta. Hoje em dia rimos desse episódio, mas na época não hesitei em pedir ajuda na hora da dúvida (e, mais uma vez, do desespero!), por mais simples que fosse o caso.

Sobrevivi ao plantão

Ufa! O colega chegou para render o plantão, evocê livre até o próximo. Chegue em casa, descanse e reflita sobre que você poderia ter feito de diferente, ou melhor, em cada atendimento. Revise o tema que tenha te deixado com dúvidas e tente não desanimar, o tempo vai te trazer experiência e, com isso, a tranquilidade de um bom plantão. Nenhum plantão será igual ao outro, a cada turno que se inicia é uma chance de ajudar ao paciente, de conhecer pessoas novas, de aprender e desenvolver melhor suas habilidades médicas. Portanto, força! O pior já passou, você sobreviveu ao seu primeiro plantão.

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