Coronavírus

Por que nova variante do coronavírus encontrada em Manaus preocupa o mundo?

Por que nova variante do coronavírus encontrada em Manaus preocupa o mundo?

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Sanar

4 min há 188 dias

Durante uma pandemia como a que vivemos, é esperado que os vírus sofram mutações e se adaptem a novos cenários. Porém, a nova variante do coronavírus detectada em Manaus no início do ano já está preocupando grupos de pesquisas e autoridades sanitárias do mundo todo.

A nova cepa, batizada de P.1, foi detectada pela primeira vez no dia 10 de janeiro, em quatro indivíduos que desembarcaram no Japão após uma viagem para o Amazonas. Cientistas identificaram Manaus como o local de origem da mutação.

Na última terça-feira, 26, o Instituto Adolfo Lutz confirmou três casos da linhagem manauara no Estado de São Paulo. Outros seis países já detectaram a P.1 em seus territórios: Itália, Coreia do Sul, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido e o arquipélago europeu Ilhas Faroe. Até onde se sabe, todos os casos foram importados do Brasil.

O que mostram os estudos

A nova variante do coronavírus está sendo acompanhada de perto por especialistas da Universidade de Oxford, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do Imperial College London, além de outras cinco instituições.

Os estudos recentes revelaram que, entre os dias 1 e 9 de janeiro, 85% das amostras de casos de COVID-19 foram causadas pelo P.1. “A nova análise inclui mais dados e sugere que os casos de COVID-19 em Manaus estão sendo causados pela transmissão local da linhagem P.1, embora outras linhagens continuem circulando”, escreveram os pesquisadores, conforme noticiou a BBC Brasil.

Apesar do alerta, os cientistas enfatizaram que os dados são preliminares e que estudos mais robustos e representativos são necessários para investigar com mais detalhes as mudanças e a frequência da linhagem de Manaus.

Não é caso isolado

Nos últimos meses, novas variantes do coronavírus foram encontradas em outros lugares do mundo, como Reino Unido e África do Sul. No Brasil, além da variante de Manaus, cientistas brasileiros também detectaram novas cepas do coronavírus no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul.

 “O que nos chama a atenção é que recentemente aumentou o número de variantes detectadas e algumas delas apresentam mutações iguais, mas têm origens geográficas diferentes”, disse à BBC Brasil o virologista Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul.

Segundo o especialista, o fenômeno pode estar relacionado à falta de medidas mais restritivas na segunda onda da COVID-19. “Com isso, o vírus ganhou muito espaço para se disseminar e sofrer essas mudanças”, disse.

Agravamento da pandemia

Estudos com a cepa de Manaus indicaram a presença de mutações com potencial de agravar ainda mais o cenário da pandemia. A N501Y, por exemplo, é uma alteração genética que torna o vírus mais infeccioso. Já as mutações E484K e K417T fazem uma espécie de atualização do coronavírus para que ele drible o sistema imune, o que pode acontecer inclusive com os indivíduos que já tiveram COVID-19.

Apesar das mutações indicarem maior virulência, não é possível creditar à nova linhagem o colapso do sistema de saúde de Manaus das últimas semanas, como enfatizou à BBC Brasil o virologista Amilcar Tanuri, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro: “Não podemos acusar a variante de toda essa mortandade e confusão. Isso é obra nossa e se deve a uma falha no sistema de contenção do vírus e na preparação dos hospitais”.

Mais estudos são necessários para entender os potenciais estragos da nova variante. Até lá, medidas de prevenção continuam efetivas, como o uso constante de máscaras, distanciamento social e higienização das mãos.

Para saber mais sobre o novo coronavírus, acesse a página da Sanar dedicada à COVID-19.

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