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Por que pensar em malária? | Colunistas

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Paula Mendes

7 minhá 8 dias

A malária é uma doença parasitária infecciosa febril aguda, de grande impacto social, principalmente nos países situados nas regiões tropicais e subtropicais. Mundialmente, é uma prioridade sanitária, ocorrendo em mais de 100 países e, assim como a AIDS, está incluída entre as doenças cujo controle é priorizado pela ONU no projeto “Objetivos do Milênio”. Além disso, o dia 25 de Abril é reconhecido com o “Dia Mundial da Luta Contra a Malária”, que enfatiza o poder e a responsabilidade de garantir o controle da doença.

A malária é de notificação compulsória na região não amazônica, devendo ser notificada diante da suspeita clínica, por meio da ficha própria de investigação do SINAN (BRASIL, 2010a). Em áreas endêmicas na região amazônica, os casos de malária devem ser informados por meio da ficha de notificação do SIVEP-Malária (Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária).

Apesar dos avanços no conhecimento sobre a doença, ela continua a ser causa significativa de morbidade e mortalidade nas áreas onde é endêmica, tendo impacto devastador na saúde e subsistência das pessoas em todo o mundo, especialmente em populações mais pobres e vulneráveis, devido a dificuldades e/ou escassez de ações de controle, diagnóstico e tratamento adequados.

Ainda nesse contexto, segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos casos de malária notificados na extra-amazônica são importados de outros estados endêmicos ou outros países, tanto das Américas quanto da África e Ásia. Embora a região extra-amazônica tenha participação pequena nos casos, a doença não pode ser negligenciada, pois, se o acesso ao diagnóstico e ao tratamento for tardio, a malária pode progredir para formas graves ou mesmo para óbito.

Transmissão

A transmissão e a distribuição da malária humana estão diretamente relacionadas à interação entre o vetor (mosquito anofelino), o parasito (espécies de Plasmodium) e o hospedeiro humano. Sua incidência, por sua vez, é determinada por múltiplos fatores de diferentes naturezas, como os biológicos, ecológicos, sociopolítico-econômicos e culturais.

Ciclo do parasita

As fêmeas do mosquito anofelino necessitam de sangue, em sua alimentação, para o amadurecimento de seus ovos e a possibilidade de oviposição. Assim, após uma fêmea do mosquito Anopheles ingerir sangue de um hospedeiro humano contendo as formas sexuadas do parasita (gametócitos), inicia-se uma fase sexuada no interior de seu estômago com a fecundação e a formação de um ovo ou zigoto.

Posteriormente, o zigoto migra através da camada única de células do estômago do mosquito, posicionando-se entre esta e sua membrana basal. Desse modo, por esporogonia, resultam centenas de formas infectantes (esporozoítos) que migram para as glândulas salivares do inseto, as quais poderão, no momento da picada, ser inoculadas no ser humano.

Ao picar o homem sadio, os mosquitos infectados com Plasmodium, de um modo geral, injetam uma pequena quantidade de saliva que serve basicamente como um anticoagulante. É nessa saliva que, caso o mosquito esteja infectado, podem se encontrar os esporozoítos. Após a inoculação das formas infectantes pela picada de um mosquito contaminado, passam a circular livres pelo sangue. Nesse curto período, alguns deles são fagocitados; porém, vários deles podem alcançar o fígado e, no interior das células hepáticas, os Plasmodium passam por uma primeira divisão assexuada.

Decorridos alguns dias, tendo sido produzidos alguns milhares de novos parasitas, a célula do fígado se rompe e os Plasmodium caem na circulação sanguínea, onde invadem os glóbulos vermelhos. Novamente, se multiplicam de forma assexuada, em ciclos variáveis (de 24 a 72 horas). Depois de alguns ciclos (três ou quatro), surgem os sintomas da doença após o período de incubação.

Manifestações clínicas

De uma forma geral, o quadro clínico típico é caracterizado por febre precedida de calafrios, sudorese profusa, fraqueza e cefaleia, que ocorrem em padrões cíclicos, dependendo da espécie de Plasmodium infectante. Em alguns pacientes aparecem sintomas prodrômicos vários dias antes do ápice da doença, como náuseas, vômitos,

astenia, fadiga e anorexia.

Fonte: WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guidelines for the Treatment of Malaria. Geneva: WHO, 2015

Diagnóstico

O diagnóstico da malária é feito por meio do exame de gota espessa e uso de testes rápidos que detectam antígenos plasmodiais.

  1. Gota espessa: consiste na colhida por punção digital e corada pelo método de Walker para visualizar no microscópio. É considerado o exame padrão-ouro pela Organização Mundial de Saúde e permite a determinação da espécie do parasita e da densidade parasitária.
  2. Testes rápidos: apresentam boa sensibilidade e são muito úteis como exame de triagem, principalmente em locais de baixa incidência da doença.

Tratamento

Os esquemas para tratamento da malária variam de acordo com a espécie do protozoário infectante; a idade do paciente; condições associadas, tais como gravidez e outros problemas de saúde; gravidade da doença. Em geral, após a confirmação da malária, o paciente recebe o tratamento em regime ambulatorial, com medicamentos que são fornecidos gratuitamente em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo o Ministério da Saúde, o tratamento é realizado com cloroquina por três dias (10 mg/kg no dia 1 e 7,5 mg/kg nos dias 2 e 3) e, para o tratamento radical, utiliza-se também primaquina, na dose de 0,5 mg/kg/dia, por sete dias.

Gestantes e crianças com menos de 6 meses de idade não podem usar primaquina. No caso de infecções por P. vivax ou P. ovale, as gestantes devem usar o tratamento com cloroquina por três dias e cloroquina profilática (5 mg/kg/dose) semanalmente até um mês de aleitamento.

Fonte: Guia de tratamento da malária no Brasil – MS, 2020

Prevenção

A prevenção da malária, de acordo a FioCruz, consiste no controle/eliminação do mosquito transmissor.

  1. Medidas de prevenção individual: roupas que protejam pernas e braços, telas em portas e janelas, uso de repelentes e uso de mosquiteiros impregnados com inseticidas. Esses mosquiteiros impregnados de longa duração (MILD) são, juntamente com a borrifação residual, a principal estratégia de controle vetorial recomendada pela OMS para o controle da malária.
  2. Medidas de prevenção coletiva: obras de saneamento para eliminação de criadouros do vetor, aterros, melhoria da moradia e das condições de trabalho.

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REFERÊNCIAS:

  • Guia de tratamento da malária no Brasil. Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2020.

Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_tratamento_malaria_brasil.pdf

  • Neves, David Pereira. Parasitologia humana – 13. ed. – São. Paulo : Editora Atheneu, 2016
  • Agência FioCruz: Saúde e Ciência pra todos
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