Coronavírus

Possíveis tratamentos para a síndrome pós-cuidados intensivos na COVID-19

Possíveis tratamentos para a síndrome pós-cuidados intensivos na COVID-19

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Sanar Medicina

5 minhá 199 dias

Se já não bastasse o tratamento difícil para a covid-19, pacientes tratados em UTIs estão apresentando síndrome pós-cuidados intensivos.

A síndrome pós-cuidados intensivos (PICS, da sigla no inglês) é caracterizada por um conjunto de alterações que sucedem ao paciente após enfrentamento de doença grave que necessitou de cuidados de terapia intensiva.

Na pandemia da COVID-19, os efeitos a longo prazo daqueles pacientes que enfrentaram e sobreviveram à manifestação grave da doença têm se tornado alvo de atenção dos médicos e pesquisadores.

Não somente porque o vírus é relativamente novo na história da medicina, mas, também, porque após qualquer doença grave, já é conhecido certo padrão de agravamentos crônicos, que geralmente a ela se associam.

A COVID-19 como doença grave

A manifestação grave da COVID-19 leva à Síndrome Respiratória Aguda Grave. Para aqueles pacientes que deterioram, a ponto de precisaram de internação em unidades de cuidados intensivos, mais complicações acompanham a piora do quadro.

Geralmente, estes pacientes passam longos períodos internados na UTI, e junto com o quadro respiratório com hipóxia grave, há falência de outros órgãos extrapulmonares e resposta inflamatória acentuada.

O que sabemos sobre consequências de doenças graves

Dados de seguimento em pesquisas clínicas mostram que diversas injúrias em diferentes órgãos acompanham, por muito tempo, pacientes sobreviventes de doenças graves.

Uma das consequências é a perda de peso. Como consequência, o metabolismo sofre alterações que causam desbalanço, podendo levar ao desenvolvimento de Diabetes tipo 2 e ganho de tecido adiposo.

Durante o período de resposta inflamatória, os órgãos sofrem danos microscópicos, que resultam, por exemplo, em injúria renal aguda e disfunção cardiovascular, podendo progredir posteriormente para doença renal crônica e eventos cardiovasculares.

A imunossupressão funcional predispõe o indivíduo a infecções secundárias, e doenças de caráter crônico podem resultar em inflamação crônica, levando a risco de trombose e fibrose de tecidos danificados.

Tratamento da síndrome pós-cuidados intensivos

Os dados sobre a PICS na COVID-19, bem como seu tratamento, é algo ainda a se esperar. Até mesmo para a síndrome em outras doenças graves, temos alguns estudos já conduzidos, mas o assunto é ainda objeto de pesquisa.

Em um dos ensaios clínicos realizados, onde foi utilizado como tratamento o anticorpo monoclonal contra Interleucina 1β, houve redução de complicações em pacientes que apresentavam inflamação de baixo grau. No entanto, houve aumento do risco de infecções em pacientes imunossuprimidos e com síndrome pós-cuidados intensivos.

Há estudos que sugerem ainda benefício de uso de inibidores do sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona, em pacientes graves após internação em UTI. Porém são estudos não randomizados.

Outros ensaios mostram que, em pacientes saudáveis e com mais de 75 anos, porém com níveis elevados de PCR ultrassensível, o uso de Estatinas foi capaz de reduzir risco cardiovascular, PCR ultrassensível e as taxas de pneumonia e trombose venosa profunda.

Há ainda estudos mostrando benefícios com uso de diversas outras estratégias terapêuticas, como uso de suplementos nutricionais, agentes antitrombóticos, moduladores do metabolismo, inibidores do SGLT2, e bloqueadores do sistema nervoso simpático.

Outras drogas estão disponíveis, e espera-se que sejam colocados em ensaios clínicos em pacientes com PICS relacionada à COVID-19.

Conclusão sobre a síndrome pós-cuidados intensivos

A importância do assunto é vista nos benefícios em reduzir as complicações da síndrome pós-cuidados intensivos: redução de reinternamentos hospitalares e na UTI, melhora na qualidade de vida, na produtividade social e na sobrevida.

Há, portanto, um cenário propício para a realização de largos estudos, como o estudo RECOVERY, afim de elucidar o possível benefício do uso das diversas medicações citadas, no tratamento de pacientes que sobreviveram à doença grave causada pela COVID-19.

Confira o vídeo:

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