Ginecologia

Pré-Eclâmpsia e Eclâmpsia | Colunistas

Pré-Eclâmpsia e Eclâmpsia | Colunistas

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Definição: 

A pré-eclâmpsia é uma patologia obstétrica que ocorre geralmente após a 20ª semana de gestação, quando as necessidades fetais aumentam e que corresponde à etapa de maior invasão trofoblástica, que estreita a passagem sanguínea, causando uma sobrecarga da circulação durante toda a gestação, como mostra a figura abaixo.

Assim ocorre a presença de hipertensão arterial associada à proteinúria, que se manifesta em gestante previamente normotensa (mulheres que não tinham pressão alta antes da gravidez), após a 20ª semana de gestação.

A pré-eclâmpsia é de caráter multissistêmico, implicando a possibilidade da evolução para gravidade, como eclampsia, acidente vascular cerebral hemorrágico, síndrome HELLP, insuficiência renal, edema agudo de pulmão e morte.

Uma revisão sistemática sobre dados disponibilizados entre 2002 e 2010 demonstrou incidência variando de 1,2% a 4,2% para pré-eclâmpsia e de 0,1% a 2,7% para eclâmpsia, e as taxas mais elevadas foram identificadas em regiões de menor desenvolvimento socioeconômico.

Diagnóstico

 De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os distúrbios hipertensivos da gestação constituem importante causa de morbidade grave, incapacidade de longo prazo e mortalidade tanto materna quanto perinatal. Em todo o mundo, 10% a 15% das mortes maternas diretas estão associadas à pré-eclâmpsia/eclâmpsia. Porém, 99% dessas mortes ocorrem em países de baixa e média renda.

Classificação:

  • Hipertensão arterial crônica: presença de hipertensão reportada pela gestante ou identificada antes de 20 semanas de gestação; 
  • Pré-eclâmpsia: manifestação de hipertensão arterial identificada após a 20ª semana de gestação, associada à proteinúria significativa.
  • Pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão arterial crônica: esse diagnóstico deve ser estabelecido em algumas situações específicas: 

1) quando, após 20 semanas de gestação, ocorre o aparecimento ou piora da proteinúria já detectada na primeira metade da gravidez (sugere-se atenção se o aumento for superior a três vezes o valor inicial); 

2) quando gestantes portadoras de hipertensão arterial crônica necessitam de anti-hipertensivos ou incremento das doses terapêuticas iniciais; 3) na ocorrência de disfunção de órgãos-alvo; 

  • Hipertensão gestacional: refere-se à identificação de hipertensão arterial, em gestante previamente normotensa, porém sem proteinúria ou manifestação de outros sinais/sintomas relacionados a pré-eclâmpsia. Essa forma de hipertensão deve desaparecer até 12 semanas após o parto.
  • Hipertensão do jaleco branco: pessoas que por medo de estar em um ambiente hospitalar tem essa alteração da pressão arterial.

Ao classificarmos as formas de hipertensão arterial na gestação há necessidade de definir alguns conceitos:

  • Hipertensão arterial: valor de pressão arterial (PA) ≥ 140 e/ou 90 mmHg
  • Proteinúria significativa: presença de pelo menos 300 mg em urina de 24 horas.

Complicações da Pré – eclâmpsia

  • Síndrome HELLP: são as iniciais usadas para descrever a condição de pacientes com pré-eclâmpsia grave que apresenta H – hemólise (fragmentação das células vermelhas do sangue na circulação), EL – níveis elevados de enzimas hepáticas, e LP – diminuição do número de plaquetas. Essa variação da pré-eclâmpsia, foi denominada por Louis Weinstein, em 1982. A Síndrome HELLP, em 70% dos casos, ocorre anteriormente ao parto, sendo 15% entre 17-26 semanas e a quase totalidade antes de 36 semanas. Os 30% restantes aparecem no pós-parto, e os sintomas típicos dessa síndrome são a cefaléia, dor epigástrica ou no quadrante superior direito do abdome, náuseas e vômitos, podendo a hipertensão estar ausente em 20% dos casos, ou ser leve em 30%. Os sintomas incluem náuseas, dor de cabeça, dor de barriga e inchaço.
  • Pré-eclâmpsia superajuntada: é quando a pré-eclâmpsia se associa a hipertensão pré-existente à gestação, ocorrendo em 15 a 30% dos casos, aumentando o risco quando a gestante apresenta comprometimento renal. Faz-se o diagnóstico quando ocorre acréscimo na PAS de 30mmHg e na PAD de 15mmHg, juntamente com o aparecimento de proteinúria e edema generalizado.
  • Eclâmpsia: Refere-se à ocorrência de crise convulsiva tônico-crônica generalizada ou coma em gestante com pré-eclâmpsia, sendo uma das complicações mais graves da doença. 

Embora a causa exata da pré-eclâmpsia não seja conhecida, já foram definidos fatores de risco. A probabilidade é maior na primeira gravidez ou quando há um espaço de pelo menos dez anos entre duas gestações.

São fatores de risco:

  • Hipertensão arterial sistêmica crônica;
  • Primeira gestação;
  • Diabetes;
  • Lúpus;
  • Problemas renais;
  • Gravidez de gêmeos ou mais;
  • Obesidade antes da gravidez, com um imc (índice de massa corporal, onde divide-se o peso em kg pelo quadrado da altura em cm) de 30 ou mais;
  • Histórico familiar ou pessoal das doenças;
  • Gravidez depois dos 35 anos e antes dos 18 anos;
  • Parente próximo com histórico de pré-eclâmpsia (especialmente mãe ou irmã);
  • Diagnóstico anterior de pré-eclâmpsia – uma em cada cinco mulheres apresenta o problema de novo;
  • Se o parceiro for diferente entre uma gravidez e outra, a mulher volta a ter risco como se fosse uma primeira gestação, mesmo que não tenha apresentado pré-eclâmpsia.

Tratamento

Para aquelas gestantes que já tiveram pré – eclampsia em gestações anteriores, indica como profilaxia, ácido acetil salicílico (AAS),  a partir de 12ª semanas e preferencialmente antes de 20 semanas. Já a suplementação do cálcio pode ser feita a partir de 20 semanas.

Para gestantes já com pré – eclampsia, receita Sulfato de Magnésio para prevenção de Eclampsia, faz uso até 24h pós- parto dessa medicação.

A única “cura” para a pré-eclâmpsia é o nascimento do bebê. Retirando a placenta, já não sobrecarrega a circulação materna.

Referências

https://www.prematuridade.com/index.php/noticia-mod-interna/pre-eclampsia-e-prematuridade-tudo-que-voce-precisa-saber-6683?gclid=CjwKCAiAsYyRBhACEiwAkJFKotdxrhfvGztzgpZYujKZNQpAKcOBtV4pmDo0jH7aPNgkBq0rePsIlRoC5BMQAvD_BwE

https://repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/235/11056/1/21303283.pdf

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.