Ciclo Clínico

Qual a diferença entre Doença de Alzheimer e Doença de Parkinson? | Ligas

Qual a diferença entre Doença de Alzheimer e Doença de Parkinson? | Ligas

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O que é Doença de Alzheimer?

A Doença de Alzheimer é a demência mais comum, representando cerca de 50% dos casos. Acomete cerca de 1% da população geral. Sua incidência aumenta com o envelhecimento, ocorrendo principalmente após os 65 anos. Seu aspecto histopatológico é caracterizado pelo acúmulo de placas amilóides e de emaranhados neurofibrilares, com perda neuronal cortical.  Além disso, a região mais afetada é o córtex entorrinal do lobo temporal medial e o hipocampo.

O que é Doença de Parkinson?

A doença de Parkinson é um distúrbio do movimento caracterizado por um complexo sintomático. Sua fisiopatologia está relacionada à redução na transmissão dopaminérgica devido destruição dos neurônios nos núcleos da base, principalmente no sistema nigroestriatal, gerando ativação anormal do núcleo subtalâmico e do globo pálido interno. A incidência da Doença de Parkinson aumenta com o envelhecimento, sendo que a idade média de início da doença é na 7ª década de vida. É característico da doença a boa resposta dos sintomas a levodopa.

Diferenciando os sintomas

Diferentemente da doença de Alzheimer que cursa inicialmente com comprometimento da memória, a doença de Parkinson é caracterizada principalmente pela alteração motora manifestada desde o início do quadro clínico.

Sintomas da Doença de Alzheimer

Os sintomas da doença de Alzheimer surgem e evoluem de diversas formas e os sinais precoces mais comuns consistem em comprometimento subjetivo e objetivo da memória. Na maior parte, ocorre comprometimento cognitivo progressivo lento, que progride para afetar muitos domínios cognitivos. Com a progressão do quadro, que pode ocorrer de variadas velocidades, os indivíduos que conseguem uma maior sobrevida evoluem para incapacidade completa até ao óbito devido a condições relacionadas a disfunção cognitiva grave. Estão listados a seguir os principais comprometimentos:

  1. Comprometimento da memória de curto prazo (queixa mais comum)
  2. Alterações progressivas da linguagem e da função visuoespacial
  3. Comprometimento no raciocínio abstrato e na função executiva ou tomada de decisão
  4. Disfunção comportamental (depressão, apatia, agitação, irritabilidade, entre outros)
  5. Prejuízo em funções executivas (julgamento, raciocínio)

Sintomas da doença de Parkinson

A tétrade clássica de sintomas da doença de Parkinson é composta por:

  1. Bradicinesia
  2. Rigidez do tipo “roda denteada”.
  3. Tremor de repouso do tipo “contar dinheiro”
  4. Instabilidade postural

Além disso, outros sintomas, motores e/ou não motores, podem compor o quadro como a hipomimia, hipofonia, aprosódia, disartria, taquifemia, micrografia, transtornos do sono, fadiga, postura em flexão do tronco, depressão, irritabilidade, além de vários outros sinais e sintomas que são menos comuns, mas podem compor o quadro da doença. Por ser progressiva, a doença pode evoluir também para incapacidade completa até ao óbito devido a condições relacionadas a disfunção causada pela doença.

Tratamentos

Doença de Alzheimer

O tratamento da doença não apresenta nenhuma droga que possa modificar o curso da doença, conseguindo apenas retardar a progressão do quadro e melhorar a qualidade de vida do paciente. Atualmente o tratamento é feito com anticolinesterásicos, que inibem a acetilcolinesterase sináptica, aumentando a disponibilidade de acetil colina na fenda sináptica. Os três representantes dessa classe utilizados são: Rivastigmina, Galantamina e Donepezila, sendo que todos eles apresentam efeito semelhante. Outro fármaco disponível é a Memantina, um antagonista de receptor NMDA, que tem seu uso recomendado apenas em doença moderada ou grave.

Doença de Parkinson

Não há nenhuma abordagem terapêutica que comprovadamente modifique o curso progressivo da doença. Sendo assim, atualmente o tratamento tem o objetivo de controlar os sintomas, sejam motores ou não motores. A levodopa é o fármaco, atualmente disponível, mais eficaz para melhora sintomática de algumas manifestações motoras da DP. Os agonistas de dopamina (pramipexol, ropinirol, bromocriptina, rotigotina e apomorfina) são úteis no tratamento pois a grande maioria dos pacientes desenvolvem efeitos adversos ao uso da levodopa. Os bloqueadores da degradação da dopamina (carbidopa, selegilina, rasagilina, benserazida, tolcapone, entacapone) são associados ao tratamento para potencializar os efeitos da levodopa e reduzir a dose necessária para tratamento.

Produzido por:

Liga: Liga Acadêmica de Neurologia e Neurociências da UFJF-GV

Autores: Pedro Henrique Oliveira Lima, Heloiza Castilhoni Belique, André Inácio Nunes

Revisor: Luana Ribeiro Silveira

Orientador: Yanes Brum Bello

Confira o vídeo:

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