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Qual a diferença entre tinea capitis e alopecia areata? | Ligas

O que é tinea capitis?

A tinea capitis é uma dermatofitose do couro cabeludo causada por fungos dos gêneros Trichophyton e Microsporum. A transmissão pode ocorrer através do contato com animais, solo ou objetos infectados, bem como de pessoa para pessoa.

Essa é uma doença que se apresenta tipicamente como uma dermatose descamativa com algum grau de inflamação, muitas vezes acompanhada por perda de cabelo, que ocorre majoritariamente por tonsura, que é a fratura dos pelos. Entretanto, em algumas formas clínicas inflamatórias mais graves pode ocorrer a queda completa do cabelo que pode ser definitiva ou não.

O que é alopecia areata?

A alopécia areata é um tipo de alopecia não cicatricial de aspecto autoimune em que componentes genéticos estão associados a sua patogênese. Caracteristicamente, nesse quadro clínico há perda de pelo importante e abrupta, podendo restringir-se ao couro cabeludo ou acometer toda área corporal.

A lesão característica dessa doença corresponde a uma área redonda ou oval de alopécia cuja coloração de pele se mantém preservada. Os pelos, geralmente, em torno das áreas com alopecia possuem a porção proximal mais fina, adquirindo aspecto semelhante a “ponto de exclamação”, e facilmente se desprendem. Além do folículo piloso, pode haver acometimento de unhas em que a anormalidade mais comum é a depressão cupuliforme.

Diferenciando os sintomas

As lesões descamativas típicas da tinea capitis auxiliam no diagnóstico diferencial entre as duas doenças, pois apesar da possibilidade de haver eritema na alopecia areata, este não é acompanhado de descamação como ocorre na tinea capitis.

Sintomas da tinea capitis

A tinea capitis acomete preferencialmente crianças e a intensidade dos sinais e sintomas depende do agente etiológico, apresentando-se como:

  • Lesão descamativa;
  • Eritema frequentemente presente;
  • Pelos tonsurados;
  • Na dermatoscopia: “cabelos em vírgula” e “pelos em saca-rolha”;
  • Prurido variável;
  •  Lesão inflamatória grave (apenas nas formas clínicas kerion e tinea favosa).

 Sintomas da alopecia areata

 A alopecia areata é uma doença que acomete numericamente igual homens e mulheres, porém é expressa de forma mais severa no sexo masculino. De modo geral, ela apresenta-se como:

  • Perda rápida e completa de pelos em uma ou várias áreas do couro cabeludo e/ou outras regiões pilosas.
  • Prurido e tricodinia, eventualmente.
  • Placas alopécicas, geralmente circulares, com pele lisa e desnuda ou com pêlos velus.
  • Pelos em “ponto de exclamação”
  • Depressões cupuliformes podem estar associadas.

Tratamentos

Tinea capitis

É mandatório o tratamento sistêmico nos casos de tinea capitis, visto que os medicamentos tópicos não conseguem penetrar no folículo e haste capilar. A primeira droga efetiva, e amplamente utilizada até hoje, é a griseofulvina. Similarmente, outros três fármacos também têm eficácia comprovada contra a tinea capitis, que são o Itraconazol, fluconazol e terbinafina.

A terapia tópica está indicada como terapia adjuvante à oral, e é realizada através de xampus com antifúngicos. Também pode-se utilizar queratolíticos com o propósito de remover o estrato córneo, que é o principal local de infecção fúngica nas dermatofitoses.

 Alopecia Areata

 A alopecia areata é uma doença cujo curso é imprevisível e pode melhorar espontaneamente. No entanto, alguns medicamentos estão disponíveis para terapia, seja ela isolada ou combinada. As drogas comumentes utilizadas são de uso tópico, intralesional ou sistêmico e  incluem corticosteroides, minoxidil e antralina. Além disso, pode-se fazer uso de imunoterapia tópica em caso de doença extensa.

Produzido por:

Liga: Liga Acadêmica de Dermatologia de Imperatriz – LADERME               

Autores: Romário Pereira Nunes / Marcos Teodoro Viana Brito

Revisor: Andreza Maués Dias Nascimento

Orientador: Caroline Braga Barroso

Referências

  1. AZULAY, Rubem David; AZULAY, David Rubem. Dermatologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
  2. BOLONGNIA, Jean L; JORIZZO, Joseph L; SCHAFFER, Julie V.. Dermatologia. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2015.
  3. HAY, R. J. Tinea capitis: current status. Mycopathologia, v. 182, n. 1-2, p. 87-93, 2017.
  4. HERNÁNDEZ, Teresa et al. Tinhas do Couro Cabeludo na Idade Pediátrica. Nascer e Crescer, v. 13, n.1, p. 23-26, 2004.
  5. RIBEIRO, Luís Miguel Gonçalves. Fisiopatologia da Alopécia Areata. 2016. Dissertação (Dissertação de mestrado integrado em MEDICINA) - Universidade do Porto. 2016.
  6. SILVA, Sílvia Ferreira et al. Kérion celsi: uma complicação rara da Tinea capitis. Nascer e Crescer, v. 26, n. 2, p. 126-128, 2017.
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